*“História de Santos”. Francisco Martins dos Santos 01/01/1937
Com relação a estas terras de Henrique Montes, fron-teiras ao local da futura Santos, occórre uma circumstancia interessante, que não deve passar despercebida. No tempo do "bacharel" e de Gonçalo da Costa, os portuguezes, como se deprehende do depoimento de Alonso de Santa Cruz, re- tro-citado e mais do depoimento constante da carta de Diogo Garcia ao Rei já reproduzido também, viviam não só em Jurubatuba como na Ilha Pequena (actual Barnabé) e na própria ilha de São Vicente, em perfeita harmonia com os indios de Cayubi, Piqueroby, Tibiriçá e outros chéfes, que dominavam toda a região; no entretanto, em 1537, quando João Pires Cubas, pae de Braz Cubas, desceu de Portugal a mandado do filho para occupar as mesmas terras, encontrou alli uma tremenda opposição da parte dos mesmos in- dios anteriormente pacíficos e "amigos mucho de los cristianos" como disse Diogo Garcia; a ponto de consideral-os "indios contrários" e de não poder cultivar ou siquér tomar posse effectiva das terras então pertencentes a seu filho. Quê significa tal contráste? Antes de responder a esta pergunta, vejamos o que a este respeito diz o auto de posse, de 1540, em conclusão á Escriptura de 25 de Setembro de 1536: (1)
A data da Sesmaria de Pedro de Góes é de 24 de abril de 1537 e acha-se transcrita em diversas crônicas e monografias. Confrontava para o oriente, na serra de Taperovira com as ditas terras de Braz Cubas, pelo rio Jurubatuba; dai, costeava o lagamar até a ponta ocidental desta serra até o ponto hoje denominado Pedreira, e dali cortava em linha reta até a illha do Caramacôara (Casquerinho) onde o rio Cubatão tem uma de suas barras. [Revista do Museu Paulista, 1895. Página 515 e 516