Real Cédula de 17 de outubro de 1602, que ordena que se faça sair os portugueses e estrangeiros que teriam entrado na região do Prata sem licença: "[. ] En los puertos y partes de essa probincia tantos estrangeros y especialmente ay muchos portugueses que an entrado por el rio de la plata y otras partes con los navios de los negros y cristianos nuebos y gente poco segura en las cosas de nuestra santa fee Catholica Judaiçantes y que en los mas puertos de las indias ay mucha gente desta Calidad [. ]" [22]. Mas foi no início do século XVII que o uso do caminho reapareceuexplicitamente na documentação, tanto castelhana quanto paulista. Foi maisprecisamente em 1603 que irrompeu o tema do “caminho de São Paulo”, o que pareceter derivado da política imperial castelhana em relação à presença de portugueses semlicença nos espaços coloniais do império. Este tema será trabalhado no próximo capítulo. Entretanto, os processos reunidos em Assunção (ANA), Sevilha(AGI), bem como documentação de São Paulo, comprovam o uso regular do caminho, em especial entre 1603 e 1625.
“São Paulo na órbita do Império dos Felipes: Conexões Castelhanas de uma vila da américa portuguesa durante a União Ibérica (1580-1640)” de José Carlos Vilardaga A primeira cédula que tenta impedir o trânsito terrestre entre a América espanhola e o Brasil é de 26 de junho de 1595, na esteira das incursões feitas a partir de Santa Cruz de la Sierra rumo ao Brasil. Somente em 1602, no reboque da autorização temporária do comércio de Buenos Aires, é que se tenta proibir o trânsito pelo Guairá. Contudo, estes pareciam ter mais a ver com a tal preservação dos monopólios comerciais, do que propriamente com um olhar atento às afinidades lusocastelhanas no mundo paraguaio, tema que despertará a atenção somente no final da União Ibérica. Mas foi no início do século XVII que o uso do caminho reapareceu explicitamente na documentação, tanto castelhana quanto paulista. Foi mais precisamente em 1603 que irrompeu o tema do “caminho de São Paulo”, o que parece ter derivado da política imperial castelhana em relação à presença de portugueses sem licença nos espaços coloniais do império. Foi na sequência da cédula real de 1602, que solicitava aos governadores a expulsão dos portugueses sem licença, que as medidas punitivas e investigativas trouxeram à cena a via de São Paulo. Como efeito imediato da cédula real, o novo governador Hernando Arias promoveu o primeiro grande ímpeto repressor, reembarcando 28 portugueses clandestinos residentes em Buenos Aires [15.09.1603].
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