De qualquer forma, a proibição do canto dos carros “calou fundo” na alma dos carreiros e foi suficiente para precipitar a greve. Certamente tal medida foi vista pelos condutores dos carros de bois como uma forte provocação, pois tocava num costume arraigado. O jornal A cidade de Sorocaba publica um poema tratando de toda a situação, intitulado Greve dos Carreiros:
O Perfeito da cidade/agora deu de muitá/o carrero que fizé/O carro de boi cantá. [. ] É uma barbaridade, não se pode trabaiá;/Puis no que é que incommoda/O carro de boi cantá. [. ] É só mermo in Sorocaba/Que os carrêro tem azá, /O povo já injuô de vê/O carro de boi cantá? [. ] Puis intão com é que dexam/Os gramophone tocá?/deviam dexá também/O carro de boi cantá [. ] Quando nuè falta de lenha, /Não tê com que cuzinhà/Dexarão cum muito gosto, /O carro de boi cantà. [Fisionomia da cidade: Sorocaba – cotidiano e desenvolvimento urbano – 1890-1943,
2008. Rogério Lopes Pinheiro de Carvalho. Página