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*Um carro movido a carvão na cidade
1991, terça-feira


 Imagens (1)
As altas do petróleo não preocupam os proprietários do único carro movido com gasogênio de Sorocaba. [Coluna 1]

À primeira vista, a velha caminhonete vermelha nada apresenta de estranho, a não ser uma espécie de tambor retangular colocado sobre a carroceria, atrás da cabine. Trata-se, na verdade, de um dos únicos veículos do país movidos a gasogênio, propriedade de dois sorocabanos, Carlos Roberto Fravolini e Carlos Roberto Noronha. Enquanto se refazem do espanto causado pela economia do veículo — ele faz uma média de 270 quilômetros com 30 quilos de carvão, isto é, Cr$ 350 —, os dois já falam em difundir mais o equipamento, atualmente fabricado por uma indústria de Minas Gerais, com autorização do governo.

Como explicou Carlos Roberto Fravolini, que, juntamente com o amigo, controla uma funilaria na Av. Coronel Nogueira Padilha, o interesse pelo combustível — já utilizado antes em automóveis, mas esquecido em função da gasolina — apareceu há alguns meses, justamente devido ao alto preço dos derivados de petróleo. Os amigos começaram a pesquisar, e descobriram que, em Minas — não citam a cidade nem o nome da indústria — existe uma fábrica de equipamentos para o uso do gasogênio em veículos.

Na posse do endereço, Fravolini e Noronha empreenderam a

(fim da linha cortado no original). Legendas das fotosFoto da esquerda: Fravolini e Noronha foram a Minas adquirir o equipamento, agora liberado. Foto da direita: Apenas a caldeira ou tanque chama a atenção no carro movido a carvão. [Coluna 2](início cortado)

sacos de carvão que nós compramos nem foi aberto — comentava ontem, ainda surpreso, Fravolini, assegurando que a viagem de volta, feita na última quarta-feira, transcorreu sem nenhum problema mecânico. Com o tanque da caldeira, segundo ele, dá para ir até Curitiba. Como o "tanque" não comporta mais do que cinco sacos de carvão, o preço da viagem fica em torno de Cr$ 1. 750, 00.

Só para caminhões

[Coluna 3](início cortado) para veículos grandes, que consomem mais.

No caso do caminhão, cujo sistema é igual ao das caminhonetes, a economia também é grande. De acordo com Fravolini, um veículo desses pode rodar até 400 quilômetros com cinco sacos de carvão, proporcionando uma grande economia, já que "hoje um caminhoneiro gasta 500 mil por mês só com gasolina". Já nos veículos a álcool, a distância percorrida é quase que dobrada, (linha cortada no original)(linha cortada no original) motor que funciona com (fim cortado). [Coluna 4]Totalmente aceso, o que leva poucos minutos, é ligada uma outra ventoinha, que suga o gás produzido pela combustão e o envia, através de um tubo, para o motor. No caminhão, o gás é refinado por meio de três filtros em forma de serpentina, refrigerados a ar.

Conforme Fravolini, a caldeira não esquenta quando o veículo está em movimento, devido à refrigeração. O contrário acontece, mas em intensidade pequena, quando o veículo está parado. [Coluna 5](início cortado) ra de gás e dar a partida, sem esquecer de acionar no painel um botão que libera o gás para o motor. AperfeiçoamentoComo são mecânicos, Carlos Roberto Fravolini e Carlos Roberto Noronha pretendem introduzir algumas melhorias no equipamento, a fim de que se possa ter mais conforto com o novo combustível. Entre as inovações, está um sistema eletro-mecânico que ligará as ventoinhas, com coman- (fim cortado). [Coluna 6](início cortado) 475. 000 pelo equipamento instalado, têm muitos planos. "Apenas com a funilaria dá para nós levarmos uma boa vida, mas nós pretendemos difundir o gasogênio em todo o Estado", afirmou Fravolini. Para isso, os dois deverão regressar a Minas, onde farão um estágio de seis dias na fábrica do aparelho, a fim de aprender principalmente os nomes das peças, já que seu funcionamento os dois conhecem.

Depois do estágio, os sorocabanos pretendem transformar seu estabelecimento numa representação da indústria mineira para todo o Estado de São Paulo. Ali, além de instalarem o equipamento, mediante encomendas, eles darão a assistência técnica necessária à difusão do novo combustível. E, caso suas previsões derem resultado, em breve os veículos movidos a carvão não serão tão raros quanto agora.

Para investirem no produto, que deverá ser procurado principalmente pelas pessoas que trabalham no setor dos transportes — segundo Fravolini —, os rapazes já se acercaram do mercado, e receberam inclusive algumas encomendas. Em Sorocaba, já há uma pessoa interessada no aparelho, enquanto na cidade de São Miguel Arcanjo, um cidadão encomendou nada menos do que (fim cortado).

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LUCIA
fontes
lentemp:4-3-168

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