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O morro vomita fogo como um vulcão
22 de set. de 2026, terça-feira
   
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1-Votupoca (3 notícias)
2-Richard Francisco Burton
3-Apóstolo Tomé e o Brazil
4-Ligação com Sorocaba

Vutupoca significa em tupi-guarani "morro que treme" e esconde muitos mitos. Entre eles, o de que em seu cume existe uma cratera contendo uma lagoa profunda e, por isso, as pessoas afirmam que, na antiguidade, o Morro do Vutupoca foi um vulcão.

Relendo notícias de 1945, 3 me fizeram lembrar Sorocaba. Em 2 de abril de 1945 o Jornal “Diário da Noite”/SP noticiou que sobre O morro vomita fogo como um vulcão:

Volta a despertar atenção o fenômeno do Votupoca em São Paulo - Densas nuvens de fumaça — Noticias chegadas da região do Rio Ribeira, neste Estado, adiantam que num morro situado no municipio de Xiririca, á margem daquele curso dagua que penetra o sertão paulista, o qual tem o nome de Votupoca, lavra intenso fogo, acompanhado de grandes e espessas nuvens de fumaça, sem que arda a escassa vegetação ao derredor.

O fenomeno, que tem atraido a atenção dos cientistas, sem que nenhuma verificação "in loco" até hoje se tenha levado a efeito, vem se repetindo com maior frequencia nos ultimos tempos, não sendo a primeira vez que se verifica fogo na crista do referido morro. A população ribeirinha, um tanto habituada ao espetaculo que se repete vez ou outra, entretanto se mostra mais alarmada com a presente erupção, sendo crença geral tratar-se de um vulcão extinto que volta á atividade.

Até o momento nada de positivo ficou assentado sobre a origem das chamas e fumaça, mesmo porque, sendo o sitio quase inaccessivel, nenhuma pessoa conseguiu subir até lá.

VULCÃO OU COMBUSTÃO NATURAL?Como se vê, não é de hoje que o fato se repete, sem que haja uma positivação: desmentindo-se ou se confirmando a existencia do tal vulcão: Mas, enquanto isso, o Votupoca arde e vomita ondas de fumaça. Que haverá com o "morro que rebenta?"

Deante desta noticia, sem duvida sensacional, voltamos a pensar no depoimento de um celebre viajante que lá esteve por volta de 1866, Richard Francis Burton, o qual afirmou que no referido morro Votupoca bailava uma constante chama na crista, acompanhada de fumaça e que só não constatou a existencia de um vulcão, ou desmentiu a asserção, por lhe faltarem recursos, pois a região se achava inundada, alem de ser quase inacessível. O morro é isolado, conico, de feitio caracteristico das elevações vulcanicas. O viajante declara que o então vigario local de Xiririca, padre Joaquim Gabriel da Silva, tambem verificara o fenomeno, assegurando mais ser o mesmo intermitente e que estava convicto da existencia de um vulcão nas imediações.

O proprio nome de origem indigena — Votupoca — quer dizer "morro que rebenta", ou do qual brota fogo.
[26118]

3 de abril - Vulcão - Jornal da Manhã/RJ

Fenômeno sísmico em São Paulo - O morro "Votupoca" está lançando fogo e fumaça SÃO PAULO, 2 (Asapress) — Notícias procedentes de Ribeira, adiantam que, num morro existente naquela zona e conhecido como "Votupoca", está se despreendendo um intenso fogo acompanhado de espessas nuvens de fumaça, sem, entretanto, queimar a vegetação existente naquele morro.

O fenômeno dá impressão de tratar-se de um vulcão já extinto e que volta à atividade, com menos intensidade. É interessante frisar aqui que nos meados do século XIX, houve de fato um vulcão nesta localidade, o que tem alarmado sobremaneira a população ribeirinha. Muito embora o primeiro fato ter-se verificado em 1866, até hoje não foi feito nenhum estudo local. "Votupoca", nome do morro em que se verifica o fenômeno, é uma palavra indígena, que significa "morro que rebenta" ou "morro que brota fogo". Talvez pelo nome ninguém tenha se preocupado em fazer observações, pois a tradução por si só justifica a existência de tais fenômenos.


5 de abril Jornal O Globo ExpedicionárioUM VULCÃO EM S. PAULO? — No Rio Ribeira, município de Xiririca, em São Paulo, no morro Votupoca (em tupi — morro que rebenta) vem aparecendo há anos chamas e fumaça, sem que se tenha dado ainda uma explicação para o caso. Para uns, trata-se de combustão espontânea, mas para outros — e que são a maioria — o referido morro nada mais é que um vulcão. Se for verdade essa última versão, o Brasil deixará de ser um país sem vulcões, como sempre se afirmou.

RICHARD FRANCIS BURTON Francis Burton (1821-1890)Data: 24 de ago. de 1864

O relato de Burton foi piblicado em 24 de jan. de 1866, no jornal The Anglo-Brazilian Times/RJ. Do Hot Um vulcão no sul do Brasil

F. R. G. S. Hotel Millon, Santos, Brazil.

Eu descia de canoa o Rio Iguape, nesta jurisdição consular — rio que, de forma até ridícula, é chamado de *Ribeira* (ou riacho) —, quando, ao visitar o excelente vigário de Xiririca, o Sr. J. Gabriel da Silva Cardoso, e examinar seu Livro do Tombo (registro paroquial), chamou-me a atenção o nome de um lugar: "Vutupoca", termo em tupi ou Língua Geral traduzido como "Morro que rebenta". Do outro lado do rio, em direção sudoeste a partir da casa paroquial, erguia-se o morro — coberto de vegetação (*capu-pié*), um cone isolado de inclinação suave e contorno nitidamente vulcânico. Sua face nordeste, segundo me informaram, é um paredão rochoso perpendicular.

As chuvas temíveis de janeiro de 1866 impediram-me de subir o Morro Explosivo. No entanto, o resultado de muitas indagações locais foi que, há apenas quinze anos, viram-se chamas erguendo-se do morro, e o fenômeno veio acompanhado de estrondos ou explosões que se propagaram pelo rio até a serra oposta, em Bananal Pequeno.

Espero que volte a ter notícias minhas. Caso este relato sobre um vulcão adormecido no sul do Brasil venha a ser confirmado por uma exploração minuciosa, a descoberta será de grande valor sob o ponto de vista geográfico. E estas linhas poderão, talvez — caso eu não consiga levar meu projeto adiante —, levar outra pessoa, mais capaz, a empreender a tarefa. Lembre-se de que não faz nem meio século que a comunidade científica europeia declarou que não se encontrariam formações vulcânicas — e muito menos vulcões — neste magnífico Império.


O APÓSTOLO THOMÉ E O BRAZIL

São Tomé foi o apóstolo que duvidou de Cristo, ele é conhecido pela Igreja como "O Incrédulo". Por duvidar dar chagas de Jesus, Tomé foi enviado aos lugares mais distantes da Terra. Existem mitos de sua passagem em todas regiões que a Igreja Católica esteve.

É por demais conhecido o fato de que toda a empresa marítima portuguesa foi expressa pelos contemporâneos em linguagem religiosa e, mais ainda, missionária. Os contemporâneos nos dão a impressão de que, para eles, o maior acontecimento depois da criação do mundo, excetuando-se a encarnação e morte de Jesus Cristo, foi a descoberta das índias.

Hernani Donato: “Essa saída de Portugal ao mundo, a série de descobrimentos, posseamento e agarramento as terras conquistadas, tinham um fundo religioso mais do que um fundo imperial".

Vasco da Gama inicia a primeira viagem marítima da Europa à Índias. [24641]8 de julho de 1497, quinta-feira

um intenso fogo acompanhado de espessas nuvens de fumaça, sem, entretanto, queimar a vegetação existente naquele morro.

3º fonte - 1863Revista trimensal do Instituto Histórico, Geográphico e Etnográphico Brasileiro; Revista trimensal do Instituto Histórico, Geográphico e Etnográphico Brasileiro, tomo XXVI

A vinda do Apóstolo São Thomé á estas partes da América, e principalmente ao Brasil e ás regiões do Paraguay, está baseada em tais fundamentos, que d´ela não se pode duvidar. Faltam monumentos antigos que testifiquem a vinda de São Thomé, e por tanto a tornem perfeitamente certa, mas é inegável que a tradição constante e uniforme de diversas nações do novo mundo, os sinais e vestígios, e o nome de São Thomé conhecido desde tempo imemorial por elas, fazem probabilíssima sua vinda a estas regiões. [28021]

Muitos autores, e entre eles o padre Manuel da Nóbrega (1517-1570), trataram deste ponto. Os nativos acolheram bem os europeus, Nóbrega fica surpreso. Mais ainda quando percebe que esses mesmos nativos procuravam a casa de culto e de catequese como se aquilo fosse um hábito antigo. "Os nativos levam Nóbrega até um local sagrado. Alí haviam marcas de pegadas nas pedras, as quais apontavam os nativos e dizem "Zumé", Pay Zumé.

Chegado ao Brasil em 29 de março de 1549, o padre logo escreveu uma carta, em 10 de abril, ao seu superior em Coimbra informando a grande notícia: São Tomé esteve no Brasil!

"Eles dizem que São Tomé, a quem chamam de Zamé, passou por aqui. E isto ficou dito pelos seus antepassados. E que suas pegadas estão marcadas, próximas de um rio, das quais eu mesmo fui ver, para maior certeza da verdade e vi, com meus próprios olhos quatro pegadas, bem marcadas com seus dedos. "

O Rei de Portugal ordenou a Vasco da Gama encontrar o sepulcro do apóstolo.

SOROCAbaFrancisco Adolfo de Varnhagen Foi Francisco Adolfo de Varnhagen (1816-1878), depois barão e visconde de Porto Seguro, natural de Sorocaba, que identificou o túmulo de Pedro Álvares Cabral. Em setembro de 1839, 319 anos após o falecimento de Cabral, Varnhagen, aos 23 anos de idade, seguiu "pistas" que o levaram a Igreja de Nossa Senhora da Graça, distrito de Santarém, Portugal. Porém a ossada do navegador português não estava lá.

1854O estudo geognóstico deste distrito é digno de ocupar por muitos meses a atenção dos mais sábios geólogos. Dos altos morros manam alguns ribeirões, porém o mais notável é o chamado da Fábrica Velha, ou do Valle das Furnas, por seguir por uma espécie de caldeira, ou algar que ás vezes, parece cratéra de um vulcão. Sobre a cima do principal cabeço ha uma lagoa que chamam aqui Dourada, na qual o povo diz aparecerem fantasmas, que, guardam os tesouros nela escondidos. [Página 362]

2º fonte - 15 de mar. de 1856, sábadoFrancisco Adolfo de Varnhagen (1816-1878); “Sumé: Lenda mito-religiosa americana. Recolhida em outras era por um índio moranduçara, agora traduzida e dada luz com algumas notas por um paulista de Sorocaba”

Moranduçara (ou morandysara / morandudara) é um termo de origem Tupi Antigo que significa "o que conta histórias", "narrador" ou "aquele que relata notícias". A palavra é composta pelas raízes moranduba (notícia, história, relato) e o sufixo -ara (aquele que faz a ação). Na história da literatura brasileira, esse termo ficou famoso por aparecer na capa da obra Sumé: lenda mito-religiosa americana (1855), escrita pelo historiador Francisco Adolfo de Varnhagen.

E eu começava a sentir como um pezadello. E via que a mente se me offuscava, e que eu nada mais sabia de Sumé. Por fim ouvi uma voz que dizia: "Contenta-te de seres moranduçara do que sabes, que é quanto tens de transmittir á prosteridade. Sumé irá para outras terras; por que aos surdos não é possivel fazer que oução as palavras do Senhor. "E uma lingua de fogo se vio no mais alto cimo do morro de Biraçoyaba, que parecia como a chamma de um vulcão. E o monte se derretia em lavas de ferro. E ahi se formava uma especia de cratera ou algar (1) cujas cinzas quentes, depois se apagavão com as aguas de uma lagoa (Lagoa dourada, onde o povo do Ipanema, ainda não ha muito, julgava que apparecião phantasmas, que guardavão thesouros escondidos). E ouvi a mesma voz de antes dizer-me:"Ali esconderás o legado que deveis deixar ás gerações vindouras, para que os homens tenhão mais uma prova da misericordia divina, que é de toda a eternidade, e durará até o dia de juizo. " — Amen. F. A. V. (1) O valle das Furnas.

https://brasilbook.com.br/imagensx/VERAS
LUCIA
15 fontes

1º fonte - 1854
Francisco Adolfo de Varnhagen (1816-1878); História geral do Brazil



2º fonte - 15 de mar. de 1856, sábado
Francisco Adolfo de Varnhagen (1816-1878); “Sumé: Lenda mito-religiosa americana. Recolhida em outras era por um índio moranduçara, agora traduzida e dada luz com algumas notas por um paulista de Sorocaba”



3º fonte - 1863
Revista trimensal do Instituto Histórico, Geográphico e Etnográphico Brasileiro; Revista trimensal do Instituto Histórico, Geográphico e Etnográphico Brasileiro, tomo XXVI



4º fonte - 24 de jan. de 1866, quarta-feira
The Anglo-Brazilian Times/RJ



5º fonte - 31 de dez. de 1876, domingo
Foi aberto o tráfego até Villeta, atual George Oetterer e chegava até Ipanema



6º fonte - 1940
Antônio Paulino de Almeida; Memória Histórica de Xiririca (El Eldorado Paulista), Antônio Paulino de Almeida



7º fonte - 2 de abr. de 1945, segunda-feira
Jornal “Diário da Noite”/SP; O morro vomita fogo como um vulcão



8º fonte - 3 de abr. de 1945, terça-feira
Jornal A Manhã; Vulcão - Jornal da Manhã/RJ



9º fonte - 5 de abr. de 1945, quinta-feira
Jornal O Globo Expedicionário



10º fonte - 1977
Eduardo Hoornaert; História da Igreja no Brasil, 1977. Eduardo Hoornaert



11º fonte - 29 de jul. de 2015, quarta-feira
YouTube; Morro de Votupoca - Vulcão ou Mito



12º fonte - 17 de jul. de 2018, terça-feira
Hernâni Donato (1922-2012); Expedição Peabiru - Pay Zumé



13º fonte - 22 de abr. de 2024, segunda-feira
Olhar Digital; Como um vulcão (inativo) pode mudar a história do Brasil. Por Pedro Spadoni, em olhardigital.com.br



14º fonte - 15 de abr. de 2026, quarta-feira
Universidade de São Paulo; PROJETO DE PESQUISA “A ORIGEM INDIANA DO MITO DE SÃO TOMÉ NA LITERATURA COLONIAL BRASILEIRA”



15º fonte - 24 de ago. de 2026, segunda-feira
G1; Brasil tem vulcões? Marcas de erupções ainda estão pelo país




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Cassius Marcellus Clay Jr.
1942-2016
Cássius Clay é nome de escravo, não o escolhi, não o quero. Sou Muhammad Ali, um nome livre.

Fonte: ERRO!

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Dúvidas, críticas ou sugestões: Adriano César Koboyama