Eram sete horas da manhã quando Erasmo Carlos apareceu na Central de Polícia de São Paulo. Apresentando-se ao Delegado Tobias Delbel Júnior, contou a seguinte história:
"Se não fosse meu Santo Antônio, a esta hora estaria frito, mano. O meu azar não foi na sexta-feira 13, mas no sábado 14.
Quando vinha para São Paulo, de avião, ficamos sobrevoando um tempão a pista. Um dos pneus do aparelho estava furado, mas aterrisamos bem, graças ao Santo Antônio.
Depois fui para Sorocaba, onde faria um "show" no Clube Recreativo dessa cidade. Logo na porta, eu e meus companheiros fomos desacatados. No meio do espetáculo o mesmo gaiato quis engrossa, mas eu aguentei firme.
Na saída, porém, ele continou de piadinhas, e e eu parti para cima do bruto. Brigamos aos socos. Depois quase fui linchado na cidade.
A polícia nos escoltou, com duas radiopatrulhas, evitando que quinze carros, cheios de moços da cidade, nos alcançassem.
Pelas 4 horas da madrugada, quando chegavamos próximo a uma cidadezinha, chamada Brigadeiro Tobias, a 120 km por hora, escutei cinco disparos de arma de fogo.
Atiravam de um Chevrolet verde-creme, com tal sujeito dentro, que soube chamar-se Paulo e ser comerciante de Sorocaba.
Furaram meu carrão todo mas, graças a Santo Antônio, eu e meus companheiros não fomos feridos".