Evidências de que Afonso Sardinha teria "descoberto" o “Araçoiaba”
Atualizado em 25/02/2025 04:41:31
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Para Luís Castanho de Almeida (1904-1981), se passaram 10 anos entre a “descoberta” de Sorocaba e Araçoiaba, por Afonso Sardinha, e a chegada do 7o. Governador Geral do Brasil á região:
"O primeiro branco era o português Afonso Sardinha demorou cerca de 9 anos em comunicar o descoberta em Sorocaba. A data mencionada por Pedro Taques, 1589, é apenas aproximada, pois inclui a exploração nos outros pontos mencionados. Bateou algum ouro até o século passado se encontrava em quantidade pequena em muitos rios da região e viu um minério de reflexo metálico que julgou ser prata e, enfim, fazendo roçar uma clareiro no ribeiro das Furnas que subiu até as fontes, deu a primeira martelada em minério de ferro no Brasil.
Descobertas as minas, pela legislação (Ordenações Filipinas confirmando, as Manoelinas) devia o felizardo comunicar à autoridade, que distribuiria os lotes. Parece que Câmara de São Paulo demorou a enviar um portador à Bahia. Somente em 1597 recebeu a grata notícia o Governador Geral." [9049]
De fato e já por outros motivos, há de se desconfiar de Afonso Sardinha. Para outros autores, a chegada desse misterioso personagem antecede á Balthazar Fernandes, o fundador "oficial" de Sorocaba, em 78 anos, dois anos antes do nascimento deste segundo.
Antes do ano 1578 trabalhava-se em Paranaguá nas Minas de ouro, de que foi Superintendente o Governador do Rio de Janeiro Salvador Correa de Sá, a quem foi dado um Regimento em 4 de Novembro de 1613; (11) cujas Minas, e as do distrito de S. Paulo, largou aos seus moradores o Alvará de 8 de Agosto de 1618. (12) Sobre a prata, de que fali ou Vasconcellos (13) e Brito Freire, (14) referindo, quede umas pedras grossas, e miúdas, levadas á El Rei D. João IV, e mandadas fundir, saíra delias notável avanço do metal, nunca houve Mina aberta, como asseverou Vaissete: (15) pois que procurando-se muitas vezes n´outro tempo, e constando, que D. Francisco de Souza extraíra pelos anos 1599 alguma prata em Biraçoyaba, ou Quiraçoyába, Termo da Villa de Sorocaba, cujas minas descobrira Affonso Sardinha, que no mesmo sitio construiu uma regular oficina, com proveito grande, até ser-lhe tomada para a Coroa, sua extração ficou abandonada pela profundidade do lugar, e quantidade tão diminuta do mesmo metal, que mio fez conta trabalhar a Mina. [páginas 265, 266 e 267]
Guaraçoyava - Serra distante três léguas de Sorocaba. Nela existe uma jazida de prata, e nas suas vizinhanças outra de carvão de pedra. A grande fábrica de ferro de São João de Ipanema demora-lhe nas proximidades. Ipanema - Este ribeirão é afluente do rio Sorocaba. Estando na sua margem esquerda assente a grande fábrica de ferro que ali existe. A mina de ferro conhecida pelo nome de Guaraçoyava ou Araçoiaba, foi descoberta em 1578 por Affonso Sardinha.
Antos do ano 1578 trabalhava-se em Paránaguá nas Minas de ouro , de que foi Superintendente o Governador do Rio de Janeiro Salvador Correa de Sá, a quem foi da do um Regimento em 4 de Novembro de 1613.
É o no termo desta freguesia, que foi desanexado do de Sorocaba, que está situada a serra Guaraçoiava, onde o Vicentista Afonso Sardinha descobriu em 1578 uma mina de ferro que tirou grande proveito por conta de D. Francisco de Souza, herdeiro de Martim Afonso de Souza, e seu irmão Pedro de Souza, primeiros donatários das capitanias de São Vicente e de Santo Amaro. O mencionado Afonso Sardinha também encontrou alí um vieiro de prata.
1.ª - A Igreja Matriz, com a invocação de Nossa Senhora do Rosário - Padroeira da Cidade, sua fundação é antiquíssima, mas supõem-se que fosse ereta depois do ano de 1560, quando vieram os povos de Cananéa povoarem as baías de Paranaguá, por constar com certeza que, antes do ano de 1578 já muito se trabalhava nas minas de ouro, e tantos povos, que então nelas trabalhavam, sendo católicos romanos, não haviam de estarem, sem terem uma Igreja e sacerdote que lhe administrassem os necessários sacramentos; mas não há nenhuma certa da memória do ano de sua fundação, nem dos capelães que a paroquiaram até o ano de 1655, mas consta de um antigo livro de vereanças que, no ano de 1661, a Igreja precisava de reparação e para esse fim a Câmara fez uma vereança geral, no dia 1 de outubro daquele ano, convidando os cidadãos para se tratar do mesmo reparamento, pela grande necessidade que havia de se fazer por consequência a igreja já deveria então contar a idade de 80 a 100 anos. [p. 51]
Descoberta em 1578 a mina de ferro do Ypanema por Affonso Sardinha, foi a princípio considerada em seu verdadeiro valor. A vida industrial ai se estabeleceu, e no governo do General D. Luiz Antonio de Souza fabricou-se ferro e aço no morro do Araçoiava, continuando-se ainda, nos governos de Martim Lopes Lobo de Saldanha e Francisco da Cunha Menezes, a trabalhar nelas.
Outras provas: em Santos residia o inglês John Whithall, que em carta escrita dirigida para Londres, datada de 26 de junho de 1578, comunicou que o Provedor Braz Cubas e o Capitão-mór Jeronimo Leitão lhe haviam "asseverado terem eles descoberto minas de ouro e prata, e que esperavam chegada de mestres mineiros para porem em trabalho as ditas minas, do que resultaria enriquecer muito o país".
A mineração, todavia, não parece que se tenha encetado desde esse descobrimento, pois que, anos depois, em 1578, John Whithall, negociante inglês domiciliado em Santos e genro de Jerônimo Leitão, informava para a Inglaterra que ainda se esperavam mineiros peritos que deviam iniciar essa mineração.
Como Pizarro, em suas "Memórias Históricas do Rio de Janeiro", assevera que já antes de 1578 se exploravam as jazidas auríferas de Paranaguá, e Veira dos Santos assegura, em suas "Memórias históricas de Paranaguá", que já em 1578 ou 1580 era enviado ao rei de Portugal o produto daquelas lavras, isso nos induz a crer que semelhante descobrimento tenha sido feito pela jornada de Heliodoro Eobanos, o qual penetrasse ali seguindo em parte o "caminho de São Thomé" (Peabirú ou Piabiyú dos carijós), já percorrido antes pelo padre Lourenço Nunes (Abaré-bebê, o "padre voador") e pelo mártir Pedro Correia, vitimado por aqueles selvícolas em 1554.
Supõe-se que Salvador Correia, tendo passado o governo do Rio de Janeiro, em princípios de 1572, a Cristovão de Barros seu sucessor (por patente de 31 de outubro de 1571), haja visitado então as minas de Paranaguá.
É incontestável que este bandeirante (Jerônimo Leitão), na leva para aquele fim aparelhada a 1o. de setembro de 1585, chegou até Paranaguá. Azevedo Marques e Romário Martins, quase acordemente, afirmam que foram indivíduos da mencionada bandeira de Jerônimo Leitão os primeiros que ali obtiveram sesmarias a partir de 1609 ou 1610. De fato, constam de documentos as concedidas a moradores de São Paulo, João de Abreu e Diogo de Unhate, datado de 1 de junho de 1614 a que este obteve. [Página 74]
Correm as primeiras notícias da existência de minas de ouro em Paranagoá. Pizarro registra esses descobrimentos e Saint-Hilaire os confirma, dizendo que aquela região precedeu a qualquer outra da colonia no fornecimento de ouro, sendo dali as primeiras amostras levadas a D. Henrique, rei de Portugal.
O certo é que o fidalgo assegurava numa carta a El-Rei, escrita de Santos em 25 de abril de 1562, que andára de jornada trezentas léguas e por respeito das águas que se vinham, retrocedera, colhendo mesmo assim algumas amostras de metais e pedrarias, que enviava á Corte.
Regressára dessa jornada bastante doente, mas desejando insistir na procura do ouro, fez com que Luiz Martins nesse mesmo ano, tornasse o sertão e esse encontrou o precioso metal a poucas léguas de Santos. Alguns escrevem que esse descobrimento foi no Jaraguá e outros, na Cahatiba ou atual Bacaetava (Sorocaba).
Dando em manifesto esse descoberto, foi Braz Cubas o primeiro minerador oficial do ouro em São Vicente, tendo ai feito tentativas dessa natureza, associado ao capitão-mÓr Jeronimo Leitão e, de uma carta escrita de Santos, em 1578, pelo inglez John Whithal, genro de José Adorno, vê-se que aguardava para isso mineiros do reino. ["Bandeiras e Bandeirantes de SP" de Carvalho Franco (1940) p.35;36]
De fato, é esta a impressão que ressalta do exame da obra de Taques e da análise dos documentos. Uma viagem a Portugal seria então coisa só realizável pelos muito ricos, como Luiz Dias Leme e outras exceções, que não abundaram em São Paulo. As primeiras minerações, ao redor de São Paulo, teriam sido tão limitadas e aproveitando somente os Sardinhas, a Antonio Bicudo e a Clemente Álvares, que não poderiam influir no ideal dessa gente como não importava na economia da região, podendo, quando muito, deixar admissível a possibilidade da existência, nesse formidoso sertão, de riquezas, as quais só interessavam, então, à gente baiana.
Esse sertanista teve como companheiro, em todas suas entradas a Clemente Alvares que se casou, depois, com Maria Tenório, filha do grande conquistador e povoador Martim Rodrigues Tenório de Aguilar.
Mas São Paulo não foi sempre assim, majestosa imensa. gaiharda. Com auxilio da imaginação, ao contemplarmos suas longas avenidas e seus intermináveis bairros podemos retornar ao passado e ver planícies virgens cobertas de florestas e savanas. Nativos divagando pelos descampados. Anchieta e Nóbrega com a ajuda de Ramalho erigindo o Colégio de São Paulo de Piratininga.
E mais, homens rústicos penetrando no salvagem seio das matas inexploráveis para escrever a história gloriosa das Bandeiras. Depois, bem depois, a São Paulo província dos capitaes-mores suas casas assobradadas, os primeiros dramas, as primeiras epopeias.
Quase chegamos a ver essas cenas recorrendo à fantasia aliada ao que sabemos do passado, mas, voltando à realidade, temos o privilégio de acompanhar dia a dia, mês a mês, ano a ano esses acontecimentos que se diluíram no tempo graças aos documentos do acervo histórico do Departamento de Arquivo do Estado, situado à rua D. Antonia Queiroz, nesta Capital.
Ali o passado se faz presente através de velhíssimos documentos alguns manuscritos, outros impressos ou desenhados e nos conta silenciosamente a História de São Paulo desde 1578.
Os primeiros descobrimentos de que dariam origem as expedições pesquisadoras de ouro e pedras preciosas (as iniciais destinavam-se caçar nativos para transformá-los em escravizados), foram feitos em terras da província de São Paulo. Entre 1578 o paulista Afonso Sardinha, com efeito, descobriu nas proximidades de Sorocaba, no morro de Guarassoiava (também denominado Arassoiava a Birassoirava) o primeiro minério de ferro e estabeleceu uma rústica fundição com dois fornos e na mesma ocasião achou na serra do Jaraguá o primeiro ouro.
Outro problema que se propõe ao desafio da argúcia dos pesquisadores, é a época exata em que a expedição, chefiada por Afonso Sardinha deparou com as terras ferruginosas próximas a Sorocaba. Ainda se tateia no campo das suposições; contudo parece que se poderá delimitar uma data entre 1592 e 1597 e mais possivelmente este último ano.
O nome de Afonso Sardinha - o pai e o filho homônimo - anda quase invariavelmente associado a essas tentativas, iniciadas, segundo diferentes versões, entre 1590 e 1597. Propostas por autores que se serviram de fontes hoje desaparecidas ou não nomeadas, essas datas já se têm prestado à crítica. Nada impede, porém, que ele ou alguns dos práticos em minas, já esperados em 1578, tivessem dado princípio a explorações de ouro de lavagem que parecem positivar-se mais para fins do século.
A primeira vez em que aparece o nome de Afonso Sardinha é no ano de 1575, no livro de Atas da Câmara, quando ele ocupa o cargo de Almotacel. Nos anos de 1576 e 1577, ele figura como vereador. Depois, em 1578 e pelos anos seguintes, até 1586, não há menção ao seu nome.
Fuga para São Paulo - Paulo Prado (1869-1943), o milionário do café e patrono da Semana de Arte Moderna de 1922, foi o primeiro a mencionar a influência dos judeus na São Paulo dos séculos 16 e 17. No livro "Paulística Etc." (1925) ele cita atas da Câmara de 1578 e 1582 que fazem referências a "judeus cristãos". O isolamento de São Paulo, segundo Prado, levava judeus de Pernambuco e da Bahia a migrar para a cidade:
"(...) nenhum outro sítio povoado do território colonial oferecia melhor acolhida para a migração judia. Em São Paulo não os perseguia esse formidável instrumento da Inquisição, que nunca chegou aqui".
História - Proprietária de uma grande extensão de terras e cheia de uma fé piedosa, dona Maria Pires de Araújo, apoiada e em colaboração com seus filhos, doou para o patrimônio da Igreja em 11 de novembro de 1821, um terreno para a construção de uma capela em honra do fundador da ordem beneditina (tendo se tornado, assim, a segunda paróquia mais antiga da agora arquidiocese de Ribeirão Preto, ficando atrás somente da paróquia do Senhor Bom Jesus da Cana Verde, em Batatais, fundada em 1815), a qual foi curada em 16 de março de 1835 e, em volta da qual, foi se formando um povoado que recebeu o nome de São Bento do Cajuru, uma referência ao santo que se tornou desde o princípio orago da cidade e ao nome que os índios que habitavam o lugar o chamavam à época da chegada dos tropeiros: ka´îuru, que significa "boca do mato" em tupi.
Em cartas enviadas a von Eschwege, Friedrich Ludwig Wilhelm Varnhagen também atribui a Affonso Sardinha a descoberta do minério de ferro em “Araçoiaba”, que Francisco Ignacio Ferreira (1885) afirma ter sido descoberto em 1578. Já as primeiras lavagens de ouro da Serra do Jaraguá começaram a ser exploradas em 1590; tais minas de ouro, segundo Francisco de Paula Oliveira (1892), são também referenciadas por Jean de Laet, na sua obra História do Novo Mundo, em 1640.
Em 19 de junho de 1578 intimou-se o único ferreiro da vila de São Paulo, para que, sob pena de dez cruzados, abstivesse de ensinar o seu ofício de ferreiro aos indígenas, “porque seria grande prejuízo da terra”.
Os inventários mencionam pequenas quantidades relativas de ouro e prata, mas quase não há registro dos quintos efetivamente pagos, tirante as notícias de Morales em sua carta ao rei. Uma das raras tentativas de quantificação ou aproximação do montante foi feita por Miriam Ellis. A autora contabiliza, em 470 inventários, do período de 1578 a 1700, pequenas parcelas de ouro e prata, totalizando cerca de 200 quilos de prata e 19 quilos de ouro, presentes, na sua maioria, em peças e ornamentos, como pratos, brincos, cruzes, taças, anéis etc. Eschwege teria indicado, segundo a própria Ellis, cerca de 930 arrobas (15.000 quilos), número que foi encampado por Roberto Simonsen em sua História Econômica do Brasil.
Em 1575 entre escambos, vendas e aquisições, o "velho" Sardinha desfaz-se de Carapocuyba que, cerca de 1578, é doada a Domingos Luiz Grou. Da sua Fazenda Ibitátá à Fazenda Carapocuyba, passando pela Fazenda Jaraguá e o Arraial-Fazenda da Mina de Ouro do Byturuna, além dos arraiais mineiros de Cubatão e de Byraçoiaba, que constitui a primeira Via do Ouro na Capitania de São Vicente, Affonso Sardinha - o Velho, a par da sua atividade de banqueiro (que financia e vive de rendas, a grande atividade judaica) e vereador, é um autêntico imperador nos sertões do Piabiyu (Ybitátá e Carapocuyba) e d´Ypanen (Jaraguá, Byturuna e Byraçoiaba), e é dele a maioria das casas alugadas a padres e oficiais do reino em Santos e São Paulo.
Em cartas enviadas a Wilhelm Ludwig von Eschwege (1777-1855), Friedrich Ludwig Wilhelm Varnhagen (1783-1842) também atribui a Affonso Sardinha a descoberta do minério de ferro em “Araçoiaba”, que Francisco Ignacio Ferreira (1885) afirma ter sido descoberto em 1578. Já as primeiras lavagens de ouro da Serra do Jaraguá começaram a ser exploradas em 1590; tais minas de ouro, segundo Francisco de Paula Oliveira (1892), são também referenciadas por Jean de Laet, na sua obra História do Novo Mundo, em 1640.
A febre do ouro propagava-se por toda a parte e d e Portugal partiam os navios conduzindo aventureiros e ferramentas para o novo Perú brazileiro (Oliveira 1892).No histórico apresentado por Othon Henry Leonardos, coube a D. Francisco de Souza, em 1609 o primeiro registro sobre as minas de prata na Capitania de São Vicente (Leonardos 1934). No entanto,um dos primeiros registros sobre a geologia brasileira encontra-se em Diamantes do Brasil, escrito por José Bonifácio em 1797, ao passo que, a propósito [Página 9 do pdf]
O sertanista Afonso Sardinha, não há dúvidas, utilizou as veredas abertas pelos nativos ao acessar os sertões. Incumbido de “fazer guerra para resguardo e satisfação do seu cargo e ofício”, aproveitou-se do motivo para apreender indígenas das regiões longínquas da densa Mata Atlântica. Provavelmente em algumas dessas andanças encontrou alguns depósitos de ferro. As minas de Biraçoiaba ou Araçoiaba, estavam localizadas justamente nas proximidades de um dos trechos do Peabiru que circundavam o morro.
Os mais antigos órgãos encarregados da arrecadação dos tributos sobre a mineração. A primeira Casa de Fundição foi estabelecida em São Paulo, por volta de 1580, para fundir o ouro extraído das minas do Jaraguá e de outras jazidas nos arredores da vila.
As Casas de Fundição recolhiam o ouro extraído pelos mineiros, purificavam-no e o transformavam em barras, nas quais era aposto um cunho que a identificava como "ouro quintado". isto é, do qual já fora deduzido o tributo do "quinto". Era também expedido um certificado que deveria acompanhá-la daí em diante.
Poderia ser um lapso, ou um erro de leitura paleográfica, mas as barretas de ouro começam a aparecer nos inventários paulistas no fim do quinhentismo e começo do seiscentismo, confirmando a existência da Casa de Fundição. Até mesmo recibos de aluguel da casa são encontrados na vasta documentação publicada pelo Arquivo do Estado de São Paulo.
É fato também que, em 1578, eram aguardados em São Paulo mineiros e técnicos da Europa, ao mesmo tempo em que Salvador de Sá, o velho, era nomeado Superintendente das Minas, indicando já um princípio de organização administrativa. Ao terminar o século XVI, havia em São Paulo vários fundidores de ouro e de ferro, provedor das minas, tesoureiro e escrivão das minas.
Um dos erros mais evidentes dos pesquisadores é a confusão que geraram em torno da posse das minas de ferro e ouro, principalmente as de Jaraguá, Byraçoiaba [Araçoiaba da Serra] e Byturuna [Vuturuna, núcleo histórico de Araçariguama]. Como foi feita a confusão? Muitos atribuíram ao mameluco o Moço parte das operações siderúrgicas; não levaram em conta que só o Velho poderia ter trazido da Europa os conhecimentos de mineração que veio a repassar, de Guaru [Guarulhos] a Byturuna, e que só o Velho possuía? cabedais? para comprar terrenos, armas, escravos e minas, tendo sido, inclusive, um dos primeiros compradores de negros de Angola... Foi por isso que alguns pesquisadores menos atentos ao conteúdo histórico dos documentos existentes, deram o Velho como analfabeto e o Moço como comprador/fundador das minas de Byturuna e Biraçoiaba.
A leitura do "Registo de minas de quelemente alvares", desconsiderando-se os erros do escrivão, responde à incompetência desses pesquisadores: "Aos dezasseis dias do mes de dezembro do ano de mil e seissentos e seis anos nesta vila de S. Paulo capitania de S. V.te [...] apareceu clemente alveres morador nesta vila pr ele foi dito aos ditos ofisiais e declarado de como vinha manifestar sertas minas que tinha descuberto [...] jaraguá, [...] jaraguamirim [...], e no sertão de sayda do nosso mato no canpo do caminho de ybituruna [...]". Eis parte da ata do "Anno de 1606" da Câmara de São Paulo tendo Domingos Rodrigues como Juiz [in Atas da Câmara, Vol. 2].
A maioria das fontes indicam o ano de 1588 como aquele em que Clemente Alvarez iniciou suas pesquisas, tendo então 19 anos de idade. Consta na História de Sorocaba (Consulta em memorialsorocaba.com.br 19/11/2024) que Por volta de 1589, Afonso Sardinha, “O Velho”, seu filho homônimo conhecido como “O Moço” e o técnico em Mina, Clemente Álvares estiveram no morro Araçoiaba à procura de ouro. Encontrando minério de ferro, imediatamente comunicaram ao Governador Geral o achado.
Meio Século de Bandeirismo, de Alfredo Ellis Jr.
Data: 1948, ver ano (66 registros)
Esse sertanista teve como companheiro, em todas suas entradas a Clemente Alvares que se casou, depois, com Maria Tenório, filha do grande conquistador e povoador Martim Rodrigues Tenório de Aguilar.
Perante o tamanho de sua futura reputação, creio que isso se deu antes, no mínimo em 1578, ou quando Sardinha participou da incursão de Jerônimo Leitão em 1585.
O historiador Adolfo Frioli, em palestra proferida no Instituo Genealógico Brasileiro, em São Paulo, no ano de 1986, anotou que, "Baltazar Fernandes, nascido em 1580, no Ibirapuera, acompanhou sua mãe e os irmãos na mudança para o sertão. Deveria estar menino, pelo menos com 9 anos e, no contato com a vida agreste, formou a sua mentalidade sertanista, esperando seguir, um dia, para o oeste desconhecido, na trilha dos seus parentes mais velhos. Na mocidade, participou do chamado bandeirismo escravagista".
• Pessoas (1): Benedetto Giulio Odescalchi, papa Inocêncio XI (1611-1689)
• Temas (1): Santa Ana
O que é História?
Abraham Lincoln (1809-1865) dizia que "se não for verdade, não é História. Porém, é possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade.
Existiu um homem que pegou uma nação destruída, recuperou sua economia e devolveu o orgulho ao seu povo. Em seus quatro primeiros anos de governo, o número de desempregados caiu de 6 milhões para 900 mil pessoas. Este homem fez o produto interno bruto crescer 102% e a renda per capita dobrar, aumentou os lucros das empresas de 175 milhões para 5 bilhões de Marcos e reduziu uma hiperinflação, a no máximo 25% ao ano. Este homem adorava música e pintura e quando jovem imaginava a seguir a carreira artística. [28174] Você votaria neste homem Adolf Hitler (1889-1945)?
Quantos ou quais eventos são necessários para uma História? Segundo Aluf Alba, arquivista do Arquivo Naciona: o documento, ele começa a ser memória já no seu nascimento, e os documentos que chegam no Arquivo Nacional fazem parte de um processo, político e técnico de escolhas. O que vai virar arquivo histórico, na verdade é um processo político de escolhas, daquilo que vai constituir um acervo que vai ser perene e que vai representar, de alguma forma a História daquela empresa, daquele grupo social e também do Brasil, como é o caso do Arquivo Nacional.
É sempre um processo político de escolha, por isso que é tão importante termos servidores públicos posicionados, de pessoas preparadas para estarem atuando nesse aspecto.
Mary Del Priori, historiadora:
Nós temos leis aqui no Brasil, que são inclusive eu diria bastante rigorosas. Elas não são cumpridas, mas nós temos leis para arquivos municipais, estaduais e arquivos federais, que deveriam ser cobradas pela própria população, para manutenção desses acervos, acervos que estão desaparecendo, como vimos recentemente com o Museu Nacional e agora com a Cinemateca de São Paulo. E no caso dos arquivos municipais, esses são os mais fragilizados, porque eles tem a memória das pequenas cidades e dos seus prefeitos, que muitas vezes fazem queimar ou fazem simplesmente desaparecer a documentação que não os interessa para a sua posteridade. Então esse, eu diria que essa vigilância sobre o nosso passado, sobre o valor dos nossos arquivos, ainda está faltando na nossa população.
Lia Calabre, historiadora:
A memória de Josef Stálin inclusive, ela serve para que não se repitam os mesmos erros, ela serve para que se aprenda e se caminhe. Os processos constantes de apagamento. Existe um depósito obrigatório de documentação que não é feita, na verdade se a gente pensar, desde que a capital foi para Brasília, os documentos não vieram mais para o Arquivo Nacional. [4080]
Quantos registros?
Fernando Henrique Cardoso recupera a memória das mais influentes personalidades da história do país.
Uma das principais obras do barão chama-se "Efemérides Brasileiras". Foi publicada parcialmente em 1891 e mostra o serviço de um artesão. Ele colecionou os acontecimentos de cada dia da nossa história e enquanto viveu atualizou o manuscrito. Vejamos o que aconteceu no dia 8 de julho. Diz ele:
- Em 1691 o padre Samuel Fritz, missionário da província castelhana dos Omáguas, regressa a sua missão, depois de uma detenção de 22 meses na cidade de Belém do Pará (ver 11 de setembro de 1689).
- Em 1706 o rei de Portugal mandou fechar uma tipografia que funcionava no Recife.
- Em 1785 nasceu o pai do Duque de Caxias.
- Em 1827 um tenente repeliu um ataque argentino na Ilha de São Sebastião.
- Em 1869 o general Portinho obriga os paraguaios a abandonar o Piraporaru e atravessa esse rio.
- Em 1875 falece no Rio Grande do Sul o doutor Manuel Pereira da Silva Ubatuba, a quem se deve a preparação do extractum carnis, que se tornou um dos primeiros artigos de exportação daquela parte do Brasil.
Ainda bem que o barão estava morto em 2014 julho que a Alemanha fez seus 7 a 1 contra o Brasil.
(...) Quem já foi ministro das relações exteriores como eu trabalha numa mesa sobre a qual a um pequeno busto do barão. É como se ele continuasse lá vigiando seus sucessores.
Ele enfrentou as questões de fronteiras com habilidade de um advogado e a erudição de um historiador. Ele ganhava nas arbitragens porque de longe o Brasil levava a melhor documentação. Durante o litígio com a Argentina fez com que se localiza-se o mapa de 1749, que mostrava que a documentação adversária estava simplesmente errada.
Esse caso foi arbitrado pelo presidente Cleveland dos Estados Unidos e Rio Branco preparou a defesa do Brasil morando em uma pensão em Nova York. Conforme registrou passou quatro anos sem qualquer ida ao teatro ou a divertimento.
Vitorioso nas questões de fronteiras tornou-se um herói nacional. Poderia desembarcar entre um Rio, coisa que Nabuco provavelmente faria. O barão ouviu a sentença da arbitragem em Washington e quieto tomou o navio de volta para Liverpool. Preferia viver com seus livros e achava-se um desajeitado para a função de ministro.