Em 31 de outubro de 1554, o aventureiro alemão Hans Staden, que havia passado nove meses preso em poder dos tupinambás do litoral oeste do atual estado do Rio de Janeiro, zarpou da Baía de Guanabara rumo à França, à bordo do navio francês Catherine de Vatteville. Chegando na Alemanha, Staden fez imprimir, em 1557, em Marburgo, o livro "História Verdadeira e Descrição de uma Terra de Selvagens, Nus e Cruéis Comedores de Seres Humanos, Situada no Novo Mundo da América, Desconhecida antes e depois de Jesus Cristo nas Terras de Hessen até os Dois Últimos Anos, Visto que Hans Staden, de Homberg, em Hessen, a Conheceu por Experiência Própria e agora a Traz a Público com essa Impressão", narrando as suas aventuras no Brasil. No livro, Staden relata que o porto do Rio de Janeiro também era chamado de "Niterói" pelos índios. [2] COMO SE CHAMAVAM OS COMMANDANTES DO NAVIO, DE ONDE ERA oNAVIO O QUE AINDA ACONTECEU ANTES DE PARTIRMOS DO PORTO,E QUE TEMPO LEVÁMOS EM VIAGEM PARA A FRANÇA . CAPUT LIII.O capitão do navio se chamava Wilhelm de Moner e opiloto Françoy de Scbantz. O navio tinha o nome de Catharina de Wattauilla, etc. Apromptaram o navio para voltar aFrança, e um dia de manhã emquanto ainda estávamos noporto (Rio de Jennero chamado), aconteceu chegar um pequeno navio portuguez, que queria sahir do porto depoisde ter negociado com uma raça de selvagens, que tinham como amiga e que se chamava Los Markayas, cujo paiz limita directamente com o dos Tuppin Ikins, que são amigos dostrancezes. As duas nações são grandes inimigas. — 112 —Era pequeno o navio (como já contei,, ^f^J ^me comprar dos selvagens e pertença a um facial chamadoPeter Rcesel. Os francezes apromptaram seu bote com algumas armas de fogo e partiram para aprisional-o. Tinham-melevado comsigo, para eu fallar com elles que se rendessem.Mas quando atacamos o naviosinho, fomos repelhdos e algunsfrancezes foram atirados e outros feridos. Eu também fui mortalmente ferido por um tiro e muito mais que qualquer dosoutros feridos, que ainda viviam. Invoquei então nesta angustia o Senhor, porque só sentia a agonia da morte; e — H3 —pedi ao bondoso Pae que por ter elle me livrado do poderdos tyrannos me conservasse a vida para que ainda pudessechegar á terra christã e contar aos outros os benefícios queelle me tinha dispensado. E fiquei outra vez completamentebom, louvado seja Deus por toda a eternidade.No anno Domini de 1554, no ultimo dia de Outubro, partimos á vela do porto Rio de Jennero e fomos de volta para a França. Tivemos no mar sempre bom vento, de que os marinheiros estavam admirados e acreditavam (pie fosse umagraça de Deus tal tempo (como também o foi).Na véspera do Natal appareceram muitos peixes ao redorF.-Í5 — n 4 —do navio, dos que se chamam Meerschveine. Apanhamos tantos que os tivemos por alguns dias. O mesmo aconteceu detarde no dia dos Reis. Deus nos mandou grande fartura depeixes, porque não tivemos que comer senão o que Deus nosforneceu do mar. Mais ou menos no dia xx de Fevereirodo anno LV, chegámos em França, a uma cidade chamada Honflór (Honfleur), na Normandia. Durante toda a viagem devolta, não vimos terra alguma, em cerca de quatro mezes.Quando descarregaram o navio, ajudei-os. Acabado isso,agradeci a todos os benefícios recebidos e pedi depois umpassaporte do capitão. Elle, porém, teria antes querido queeu fizesse mais uma viagem com elle, mas quando viu que eunão queria ficar, arranjou-me elle um passaporte do MoensoralMiranth (Monsieur 1´amiral), Governador de Normandia. E meucapitão deu-me dinheiro para a viagem, Despedi-me e parti deHonflor para Habelnoeff e de Habalnoeffe para Depen.CAPITULO LIIICOMO EM DEPEN EU FUI LEVADO PARA A CASA DE QUE ERA DONOO CAPITÃO DO NAVIO BELLETE , QUE ANTES DE NÓS TINHADEIXADO PR.VSI L E AINDA NÃO TINHA VOLTADO. CAPUT 54 .Era de onde tinha partido o primeiro navio Maria Bellette no qual estava o interprete (que tinha recommendado aosselvagens que me devorassem) e no qual elle pretendia voltarpara a França. Neste navio estavam também aquelles quenão quizeram levar-me no bote, quando fugi dos selvagens, também o mesmo capitão do navio que, como me contaram osselvagens, lhes tinhao dado um portuguez para devorar porque tinham aprisionado um navio portuguez, como antesnarrei.Esta gente do navio Bellette ainda não tinha chegado como seu navio, quando eu cheguei ali, apezar de que segundo ocalculo do navio de Wattauilla (pie chegou depois delles e mecomprou, devia ter chegado lá trez mezes antes de nos. Assuas mulheres e os seus amigos vieram me procurar e me — ii 5 -perguntaram si eu nada sabia delles; eu respondi; «Sei bemdelles, ha uma parte de gente má no navio, estejam lá
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