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Afonso d´Escragnolle Taunay
Relatos Monçoeiros
1953, quinta-feira ver ano



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LENDÁRIO E HAGIOGRAFIA DO TIETÊ — ANCHIETA E O ABAREMANDUABA. — BELCHIOR DE PONTES E O PADRE POMPEU. — FREI GALVÃO E MANUEL DE PORTES. — A NAU CATARINETA DE JUZARTE. — O MONSTRO DE PIRATARACA. — AS IARAS DE LACERDA E ALMEIDAJá pelos últimos anos setecentistas decaíra muito a “fertilidade” das minas cuiabanas e a navegação gloriosa das monções mais que bissecular ia-se aos poucos extinguindo.Tão velha e tão ilustre que se adornara das lendas e dos fatos sobrenaturais, próprios das coisas remotas. Tinha a sua nau catarineta, como os seus monstros e ainda registros nas páginas dos agiológios.À margem do Tietê ocorrem os milagres consignados nas vidas de canonizados reclamados pela vox populi como Belchior de Pontes e frei Antonio de Sant’Ana Galvão nos casos, sempre presentes à memória dos paulistas, do padre José Pompeu e do capataz Manuel de Portes.Não nos conta Juzarte que certa manhã o avisaram, às pressas, de que uma canoa fantasma estava à vista da expedição que ele conduzia ao matadouro de Iguatemi?Deslizava a montaria silenciosa e misteriosamente, pela bruma da madrugada, havendo o guia do comboio reunido perfeitamente divisado e até contado os seus remadores e passageiros.Interpelados os incógnitos navegantes, nenhuma voz respondera ao chamamento repetido.Quem seriam? Gente de Cuiabá? Castelhanos? Paulistas? Índios? Desertores? Contrabandistas? Fugidos do Iguatemi? Acaso não estaria tripulada pelas almas dos pilotos, proeiros e remeiros afogados nos rios e de monçoeiros mortos durante a sua viagem aspérrima?Intimados a estacar nenhum caso haviam feito da intimação.Resolveu Juzarte tirar a limpo o incidente, entrando num escaler, guarnecido dos seus melhores remadores, foi-lhes ao encontro.Pôs-se a persegui-los afoita e imprudentemente, mas debalde, pois a grande e pesada canoa como que acertava a voga pela da ligeira perseguidora. Desapareceu na bruma.

Era alguma nau catarineta, talvez tripulada pelas almas daqueles esfaimados do ouro, por amor do qual haviam perdido a vida e a salvação na jornada do Cuiabá, pensaria o bom Juzarte, supersticioso como todo marinheiro velho [p. 80]

Em este dia que foi dez de Abril do ano de mil, setecentos, sessenta, e nove à hora de se baldear este Povo para a outra margem do Rio o qual se achava todo junto na margem que banha a dita Freguesia para embarcarem para a outra banda aqui aconteceu o sucesso seguinte:

Achava-se entre outros índios, que acompanhavam esta expedição um índio de. nação Bororó casado com uma índia da mesma nação, e porque se achasse pejada e lhe apertassem as dores do parto, retirando-se um pouco do tumulto da gente, e ao pé de um matinho que tem uma Prainha aí pariu, e depois do parto ela nua pegou na criança sem mais ajuda de outra pessoa entrou pelo Rio dentro dando-lhe a água por cima dos peitos, aí se lavou ela, e à criança, e saiu para fora e no dia sucessivo andava sem moléstia alguma, e como este sucesso fosse pelas três horas da tarde se cuidou logo em se fazer Cristã a aquela criatura e o Pai chegando a mim muito contente com muitas risadas com o seu filho que era um menino macho nos braços, nu, me pedia lhe désse de vestir, e se se batizasse queria que se chamasse Exaquiel, ao que satisfazendo-se à justa súplica do Pai se lhes deu varas de linho, dois covados de baeta, e duas varas de cadarço vermelho, de que o Pai ficou muito contente, e nesta mesma tarde se batizou pondo-se-lhe o nome de Exaquiel conforme seu Pai requereu. Este sucesso não foi contudo o maior deste dia, porque depois e em esta mesma tarde sucedeu outro que poderia causar maiores, ruínas e desgraças, e foi o seguinte: No mesmo dia dez de Abril de tarde depois do primeiro sucesso, que uma filha de um Povoador solteira se achasse também pejada cujo fato ocultava a seu Pai e a sua Mãe, e a seus Irmãos, os quais eram de natureza de terem pouco escrúpulo de matar gente, .pois destes há muitos por esta Capitania, isto suposto não podendo a dita moça sofrer mais ardores do parto, nem retirar-se para parte alguma, pariu publicamente no meio, e à vista de tanto Povo acudindo-lhe somente de um lado sua Mãe, e de outro uma Bas¬ tarda, que se achava mais próxima a ela. No restante deste sucesso acudi a dar a providência, tanto pelo que respeitava à honestidade da dita moça, como para evitar fúrias do Pai, e desatinos de dois Irmãos da dita, os quais engatilhando as espingardas, e o Pai com uma faca de rasto pretenderam tirar-lhe a vida, ao que rebatendo-lhe este impulso o que me custou muito, não só pelo que tocava ao Pai, e Irmãos, mas ainda outros Caneludos parentes, que concorriam com o Pai para a morte da dita moça, sua Mãe, e da dita Bastarda que assistiu à hora do parte. Estando as coisas nesta figura me vi obrigado a prender o Pai, e Irmão da dita moça, e a ela fazê-la conduzir com sua Mãe, e a dita Bastarda, piara um rancho que na Praia do rio se achava, o qual me vi obrigado a cercar com sentinelas, e um Inferior, para impedir todo o acesso, e brutalidade daqueles homens, e seus sequazes que por mais partidos que se lhe fizessem a nada atendiam. Nascida a criança que era femea se cuidou logo em se batizar como com efeito se batizou pelas cinco horas da tarde e se lhe pôs o nome de Gertrudes. O Pai preso, e os Irmãos os fiz transportar para a outra margem do Rio, que assáz é bastantemente largo, e com eles os seus sequazes, e tudo o mais, Povo da dita expedição, pondo-se da parte de lá do Rio uma guarda para que pessoa alguma, nem Embarcação voltasse, fican¬ do da parte de cá do Rio somente a dita moça, a criança, sua Mãe, e a Bastarda, que a acompanhava; porém sempre a guarda do rancho aonde estava a dita moça enquanto se acabavam de fixar as contas do gasto da dita expedição; assim anoiteceu o dia dez com estes trabalhos assáz pouco impertinentes, e pelas onze horas da noite faleceu a dita inocente por nome Gertrudes, à qual se deu sepultura, e depois de sosse¬ gado todo o referido embarquei para a outra parte do Rio aonde se achava o Pai, e Irmãos da dita moça, e tratando com eles o desvaneci¬ mento do seu intento prometendo-lhe que chegada que fosse a aquele estabelecimento do Gatemi se lhe havia dar Estado, terras, ferramen¬ tas, e princípio de gado vacum para estabelecimento a cujas rogativas abrandaram os homens, ou porque se vissem da margem de lá do Rio sem esperanças de voltarem ao Povoado, ou porque considerassem que o sucesso já não tinha remédio; porém contudo não lhe remetendo a mulher nem a filha senão na minha comitiva quando me transportei para a outra margem do Rio a encorporar-me com toda a expedição para dar princípio à Navegação para o dito estabelecimento do Gatemi o que foi. no dia onze de Abril. Ern o dia onze se trabalhou todo o dia em finalizar as contas da expedição, e do trem que a acompanhava, que constava de quatro peças de ferro de Calibre de duas, ditas montadas de amiúdar, também de calibre de duas, duas ditas de Bronze de calibre de uma também mon¬ tadas de amiúdar, duas ditas mais de Bronze também de calibre de uma de releixe incamaradas, a sua Plamenta competente, caixões de cartp- (Página 222 e 223)

XII A NAVEGAÇÃO DOS RIOS MONÇOEIROS E SEUS RISCOS — DEPOIMENTOS DIVERSOS E CONCORDES — AS PRECIOSAS INFORMAÇÕES DE TEOTÔNIO JOSÉ JUZARTE — CURIOSO DEPOIMENTO DE D. MANUEL DE FLORES A ásperrima navegação do Tietê causou entre todos os narradores das jornadas monçoeiras, como de esperar, a mais viva impressão.

Já em 1628 vemos D. Luiz de Céspedes relatar a Felipe IV: safar-se alguém dos seus perigos era obra milagrGsa. Ele próprio só escapara da morte devido à proteção especial de sua madrinha: Nossa Senhora de Atocha.

No Avanhandava perdera uma de suas canoas. Quanta dificuldade a vencer naquelas “grandíssimas corrientes y riesgos”, através das quais ele e os seus “venian todos los dias desnudos, acompahando las canoas y teniendo las para que no se hiciessen pedazos y otras veces echando las al agua con palancas”.

O rebojo de Jupiá no Paraná (que el el mismo rio de la Plata) mostrava-se simplesmente temeroso, “grandíssimos remolinos y de mu* cho peligro”. Desembarcara nas vizinhanças do famoso sorvedouro, realizando grande percurso por terra para escapar àquele Maelstrom fluvial. Quase um século mais tarde comunicava Gervasio Leite Rebelo, secretário de Rodrigo Cesar de Menezes em 1727 ao Padre Diogo Soares que para chegar à foz do Tietê tivera de vencer 160 obstáculos entre cachoeiras, correntezas, itaipavas, trechos de cirga, despenhadeiros, contrassaltos, funis, jupiás, redomoinhos e tucunduvas. Havia mais de cem anos que o rio era navegado (precioso depoimento aliás) por flotilhas. Pois bem! jamais se soubera que houvesse ocorrido uma única jornada sem perdas de vidas e barcos. João Antônio Cabral Camelo em 1727 alcançou o Tietê à foz do Sorocaba que havia descido desde a vila de Nossa Senhora da Ponte. Nove dias gastou percorrendo este trecho da longa jornada que ia empreender, vencendo os saltos de Jequitaia e Jurumirim, além de muitas corredeiras. As margens do Sorocaba estavam então absolutamente desertas, não havendo vestígio algum de morador ribeirinho.

Não são as informações de Camelo das mais profusas nem interessantes. Conta-nos que a diversão pelo Piracicaba em vez do encaminhamento para Araraitaguaba só era preferida, à volta de Cuiabá e em tempo de cheias. (Página 44)

Cabral Camelo em 1717 jamais se avistou com nativos na descida do Sorocaba e do Tietê. No Itapura, conta, apareciam os caiapós, "o mais traidor de todos os nativos". [p. 77]

XXLENDÁRIO E HAGIOGRAFIA DO TIETÊ — ANCHIETA E O ABAREMANDUABA. — BELCHIOR DE PONTES E O PADRE POMPEU. — FREI GALVÃO E MANUEL DE PORTES. — A NAU CATARINETA DE JUZARTE. — O MONSTRO DE PIRATARACA. — AS IARAS DE LACERDA E ALMEIDAJá pelos últimos anos setecentistas decaíra muito a “fertilidade” das minas cuiabanas e a navegação gloriosa das monções mais que bissecular ia-se aos poucos extinguindo.Tão velha e tão ilustre que se adornara das lendas e dos fatos sobrenaturais, próprios das coisas remotas. Tinha a sua nau catarineta, como os seus monstros e ainda registros nas páginas dos agiológios.À margem do Tietê ocorrem os milagres consignados nas vidas de canonizados reclamados pela vox populi como Belchior de Pontes e frei Antonio de Sant’Ana Galvão nos casos, sempre presentes à memória dos paulistas, do padre José Pompéu e do capataz Manuel de Portes.Não nos conta Juzarte que certa manhã o avisaram, às pressas, de que uma canoa fantasma estava à vista da expedição que ele conduzia ao matadouro de Iguatemi?Deslizava a montaria silenciosa e misteriosamente, pela bruma da madrugada, havendo o guia do comboio reunido perfeitamente divisado e até contado os seus remadores e passageiros.Interpelados os incógnitos navegantes, nenhuma voz respondera ao chamamento repetido.Quem seriam? Gente de Cuiabá? Castelhanos? Paulistas? Índios? Desertores? Contrabandistas? Fugidos do Iguatemi? Acaso não estaria tripulada pelas almas dos pilotos, proeiros e remeiros afogados nos rios e de monçoeiros mortos durante a sua viagem aspérrima?Intimados a estacar nenhum caso haviam feito da intimação.Resolveu Juzarte tirar a limpo o incidente, entrando num escaler, guarnecido dos seus melhores remadores, foi-lhes ao encontro.Pôs-se a persegui-los afoita e imprudentemente, mas debalde, pois a grande e pesada canoa como que acertava a voga pela da ligeira perseguidora. Desapareceu na bruma.Era alguma nau catarineta, talvez tripulada pelas almas daqueles esfaimados do ouro, por amor do qual haviam perdido a vida e a salvação na jornada do Cuiabá, pensaria o bom Juzarte, supersticioso como todo marinheiro velho. [p. 80]

1. - Pela cidade de São Paulo passa um rio, a quem chama Theaté: este, segundo a sua natural corrente, se vê passar três léguas, pouco mais oiu menos, afastado da vila de Itu, distante de São Paulo dois dias e meio de viagem: três léguas abaixo da dita vila está o porto da Aritaguaba, que é o primeiro e principal dos três em que comumente embarcam os que vão a estas minas.

Deste, ainda que conhecido, é de seis dias únicos de viagem até ao sítio em que deságua no dito Theaté o Sorocaba, não darei notícia alguma, porque não embarquei nele, e só por informação de alguns mineiros, que nele embarcaram, sei que tem várias cachoeiras, e algumas perigosas, e entre elas um salto Abaremanduaba, por cair nele o venerável Padre José de Anchieta, e ser achado dos nativos debaixo da água rezando no Breviário.

2. Do primeito porto é Sorocaba distante um só dia de viagem ao lado esquerdo de Itu: direi o que vi e experimentei nele, porque aqui embarquei. Depois de passar algumas Itayparas cheguei no quarto dia a um salto a que chama Jurumirim, que na língua da terra que dizer boca pequena; e na verdade assim o é, porque o rio se mete nele e sai por um canal tão estreito, que parece um funil; este salto, que consta de várias cachoeiras e itaipavas, terá de distância meia légua: aqui se passam por terras as cargas ás cabeças dos negros, e as canoas em parte vão á sirga, e em parte por terra, e por cima de inumeráveis pedras: logo à vista deste está outro salto, porém mais pequeno, a que chamam Gequitaya, ou sal pimenta; e abaixo dele uma cachoeira com mesmo nome: no salto se passam as canoas por cima de pedras, e deste para baixo, até passarem a cachoeira, vão a remos. Em passar cargas e varar canoas nos saltos de Jurumirim e Gequitaya se gastam 3 ou 4 dias, e alguns mais, conforme a disposição e diligência dos capitães e pilitos, porque em uns e outros está a brevidade ou demora das viagens, assim nas navegações pelos rios, como nas passagens das correntes, itaypavas e cachoeiras; porque os bons passam a maior parte delas a remo,e com toda, ou só com meia carga; quando os que não são, as levam quase a sirga, e em muitas sem carga alguma, e assim andam iguais os remeiros, nem as forças, motivo que não direi fixamente os dias que gastam em cada um dos rios desta viagem, mas só pouco faz barra no Thaeté cinco dias, passando várias Itaypavas. É todo este rio cercado de matos, mas não tem roças.

3. - Da barra do Sorocaba á do Piracicaba serão dois dias. (Páginas 114 e 115)

E estas são as conveniências geraes do Cuiabá. Verdade é que favoreceu a fortuna mais a alguns, mas foram muitos poucos os que tiveram de livrar o principal com que entraram. Eu saí de Sorocaba com quatorze negros e três canoas minhas, perdi duas no caminho, e cheguei com uma, e com setecentas oitavas de empréstimo, e gastos de mantimento que comprei pelo caminho: dos negros vendi seis meus, que tinha comprado fiado na Sorocaba, quatro de uns oito que me tinha dado meu tio, e todos dez para pagamento de dívidas. Dos mais que me ficaram morreram três, e só me ficou um único, e o mesmo sucedeu a todos os que fomos ao Cuiabá. Em fim, de 23 canoas que saimos de Sorocaba, chegamos só quatorze ao Cuiabá; as nove perderam-se, e o mesmo sucedeu às minhas tropas, e sucede cada ano nesta viagem. (Página 123)

2. - Dá-se princípio a esta viagem saindo da cidade de São Paulo para a vila de Itú, em que se gastam 3 dias de gente carregada. Desta vila de Itu, em que se vai por terra costeando o rio à Capela de Nossa Senhora da Penha, que são dois dias de gente carregada. Está esta capela em um sítio que chamam Araritaguabá, que quer dizer Arara, que come nas pedras e é o posto, onde se embarcam, e despedem da Senhora, os que passam a estas Minas. Este rio de Itu quando passa por São Paulo, e desce até o grande salto, que faz na mesma vila de Itú, se chama Tietê, daí para baixo o Anhembi, que vale o mesmo que Madre do Rio. (Página 141)
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6 DIAS
Partidos desta Capela, e passadas duas voltas desterio, se dá em uma cachoeira chamada a Cangoeira, que quer dizer "caveira de defundo": esta se tomará a mão direita, e por entre uma ilha, e logo se irá passando à esquerda navegando por umas más correntezas, que estão aparecendo. Mais abaixo em duas voltas, e meia do rio estão outras correntezas, estas se tomaram à mão direita, e acabando o coto, que faz o rio, se passará logo à esquerda a toma o juremerim, ou sumidouro, e tomado este se navegará à direita a embocar por um canal mando, e quieto, que logo se encontra. Daqui a meia volta do mesmo rio vai sempre à mão esquerda entrando o boqueirão até avistar a cachoeira, chamada Abaremanduaba, que quer dizer "lugar onde o Padre mergulhou". Deu-lhe este nome o Venerável Padre José de Anchieta, quanto voltando-se-lhe a canoa neste lugar, e buscando-o de mergulho o nativo, o acharam no fundo rezando no breviário: avistada a dita Cachoeira se ira rossando pela parte direita, e pela orla do rio, e do seu barranco a descobrir, e imbicar nas pedras: onde se descarregaram as canoas, e passando-se as cargas à (sic) cabeças dos negros, se levaram as canoas às mãos por canal pequeno, que esta ao pé e se as canoas forem grandes, e o rio estiver baixo...

9 DIAS
Deste se partirá, e um tanto cedo se chegará a uma cachoeira que atravessa o mesmo rio, e tem um canal à beira rio pela mão direita; e daqui adiante é rio menso até a barra do rio Sorocaba; e por baixo desta se costuma fazer pouso; porque as marchas não pode ser muito largas pelo dilatado da viagem. (Página 143) [0]


23 DIAS
Sai-se deste, e as horas pouco mais, ou menos de pousar se chega a uma cachoeira grande chamada Avenhabá-mirim: esta se passa com as canoas à cirga pela parte direita, por ser temeroso o canal, que é pelo meio do rio carregando a parte esquerda: e abaixo dela se costuma pousas.

24 DIAS
Deste pouco se parte, e cedo e chega ao Varadouro de Avenhadava (página 144 e 145) [0]

Haviam ameaça os cachões de uma correideira de tragar a Anchieta. Seu nome dai em diante para sempre relembraria o caso: Abarémanduaba, persistente na toponimia paulista. Explica o bom Juzarte:

“Em outro tempo navegou por esta cachoeira um religioso da Companhia de Jesus, de virtude, chamado Padre José Anchieta o qual andava catequeziando aos nativos, pregando-lhes missão, os quais vindo com ele em uma canoinha virara a embarcação no meio desta cachoeira largando ao Padre no fundo da mesma. Passado muito tempo, vendo que o Padre não surgia acima, cuidando estaria já morto, mergulhou um dos nativos ao fundo e achou-o vivo, sentado em uma pedra, rezando no seu Breviário e por isso ficou o nome a esta cachoeira de Abaremanduaba”.

Pormenor sobretudo pitoresco é o que o mesmo Juzarte consagra em sua relação dos "Nomes das cachoeiras que passamos neste rio, traduzidos em Português: “O numero um da lista é Avarémanduaba, tendo ao lado a tradução em nosso vernáculo: Onde foi e pique hú jesuíta”.

Aliás, o Conde de Azambuja também escreve verdadeira necedade, ao afirmar que Abarémanduaba na língua da terra era a tradução de “lembrança do Padre Anchieta”. [1]

Parte-se deste pouco, e logo em duas voltas largas do rio está uma cachoeira que o atraveça, e chamam de Itanhaém, esta se tomará bem pela beira do rio a mão esquerda, e é esta paragem a última povoação do termo da Vila de Itu. (Relatos Monçoeiros, 1953. Afonso de E. Taunay. Página 142) [0]





Relatos Monçoneiros
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Monções: Os Fantasmas Do Rio Um Estudo Sobre A Memória Das Monções No Vale Do Médio Tie...
5 de setembro de 2004, domingo
Bandeirantes tinham origem judaica - folha.uol.com.br
2004, quinta-feira
São Paulo nos Primeiros Anos, São Paulo no Século XVI
14 de abril de 2001, sábado
O sertão do medo - folha.uol.com.br
1975, quarta-feira
Um neerlandês em São Paulo, Jacyntho José Lins Brandão
1975, quarta-feira
História das bandeiras paulistas - Tomo II, 1975. Afonso d´Escragnolle Taunay (1876-1958)
outubro de 1971
“Peabiru” de Hernâni Donato (1922-2012) do IHGSP*
1970, quinta-feira
Revista do Arquivo Municipal, CLXXX. Edição comemorativa do 25o. aniversário da morte d...
janeiro de 1970
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7 de novembro de 1965, domingo
Anais do III Simpósio dos Professores Universitários de História
1961, domingo
Tropas e Tropeiros na Formação do Brasil. José Alípio Goulart
1952, terça-feira
Genealogia Guaratinguetaense, 1952. Adalberto Ortmann
1952, terça-feira
Boletim do Departamento do Arquivo do Estado de SP, Secretaria da Educação. Vol. 9
1951, segunda-feira
História das Bandeiras Paulistas - Tomo I
1949, sábado
Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, vol. XLIV, 2° parte, 1949
13 de setembro de 1948, segunda-feira
O prefeito Gualberto Moreira (1916-1984) assina a Lei Ordinária Nº 47/1948 que restabel...
outubro de 1947
Revista Eu Sei Tudo*
5 de maio de 1944, sexta-feira
Ata da 5° Sessão ordinária
22 de agosto de 1942, sábado
Caminho do Anhembi, Américo de Moura, Correio Paulistano, 22.08.1942, página 4
15 de agosto de 1942, sábado
“Domingos Luiz Grou”. Américo de Moura (1881-1953), Jornal Correio Paulistano, página 4
agosto de 1942
Revista Marítima Brasileira*
8 de setembro de 1940, domingo
Maniçoba, porta do Paraguai, Jornal Correio Paulistano
1939, domingo
Historia do café no Brasil. Volume terceiro: no Brasil imperial, 1822-1872. Tomo I
1 de dezembro de 1938, quinta-feira
Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, volume XXXV*
1938, sábado
Discussões
1937, sexta-feira
Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, volume XXXII, 1937. Diretor: ...
1933, domingo
Brazões e Bandeiras do Brasil, 1933. Clóvis Ribeiro
25 de junho de 1930, quarta-feira
Correio Paulistano
1930, quarta-feira
Historia Geral das Bandeiras Paulistas
1930, quarta-feira
Historia Geral das Bandeiras Paulistas Escrita á vista de avultada documentação inédita...
novembro de 1929
“Urbanismo incipiente seiscentista”, Afonso d´Escragnolle Taunay. Revista Ilustração Br...
8 de setembro de 2016, quinta-feira
A origem dos 15 sobrenomes brasileiros mais populares
1929, terça-feira
Historia Geral das Bandeiras Paulistas Escripta á vista de avultada documentação inedit...
19 de abril de 1928, quinta-feira
Correio Paulistano
1928, domingo
Historia Geral das Bandeiras Paulistas Escripta á vista de avultada documentação inedit...
1927, sábado
Historia geral das bandeiras paulistas: escripta á vista de avultada documentação inédi...
1927, sábado
A “casa da Parnaíba” foi instalada graças a uma doação do sertanista André Fernandes Ra...
1927, sábado
“História Antiga da Abadia de São Paulo 1598-1772”. Tipografia Ideal
23 de março de 1925, segunda-feira
Brasão de Sorocaba foi substituído através da Lei Municipal 189, projetado e desenhado ...
1925, quinta-feira
Polyanthéa em homenagem ao tri-centenario da creação do municipio de Parnahyba, 1925. A...
janeiro de 1925
Historia geral das bandeiras paulistas: Tomo II - Ciclo da caça ao nativos, lutas com o...
1925, quinta-feira
História seiscentista da vila de São Paulo, 1825. Afonso d´Escragnolle Taunay (1876-1958)
1924, terça-feira
“História Geral das Bandeiras Paulistas, escrita á vista de avultada documentação inédi...
1923, segunda-feira
Piratininga - Aspectos Sociais de São Paulo Seiscentista, 1923. Afonso d´Escragnolle Ta...
1923, segunda-feira
Pedro Taques e seu tempo
dezembro de 1922
“um grande canhão fundido no Ypiranga em 1840 e tomado aos revoltosos de 1842, em Soroc...
1922, domingo
Afonso d´Escragnolle Taunay: o “Na Era das Bandeiras”
1920, quinta-feira
S. Paulo nos primeiros anos: 1554-1601 (1920) Affonso d´Escraqnolle Taunay
6 de dezembro de 1917, quinta-feira
“São Paulo no século XVI”, Afonso d´Escragnolle Taunay (1876-1958). Correio Paulistano....
28 de novembro de 1917, quarta-feira
São Paulo no século XVI, Afonso d´Escragnolle Taunay (1876-1958), Correio Paulistano
1917, segunda-feira
Afonso de Escragnolle Taunay assumiu a direção do Museu Paulista há exatos 100 anos, em...
1894, segunda-feira
Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, Vol. LXXVIII
21 de julho de 1628, sexta-feira
Conduzido por André Fernandes, Luis Céspedes e sua comitiva chegam no “Porto misterioso...
1590, segunda-feira
Para Afonso d´Escragnolle Taunay (1876-1958), seguindo Frei Vicente (1564-1639), Gabrie...
24 de junho de 1589, sábado
Chegaram a Ciudad Real de onde partiram para Vila Rica onde numerosos tinham pingues "e...
1589, domingo
A região limítrofe das colonias portuguesas vicentinas era então chamada Guayrá, do nom...
26 de agosto de 1522, sábado
Domingos Luis Grou “adquiriu” terras vizinhas as concedidas nativos de Piratininga, jun...
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