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Luís Castanho de Almeida
Revista do Instituto Histórico e Geográfico de S. Paulo: “Nossos Bandeirantes - Baltazar Fernandes” (1967) Luiz Castanho de Almeida
1967, domingo ver ano




Domingos fundava a capela de Nossa Senhora da Candelária de Itú, cerca de 1645. Morreu em 1652. André Fernandes parece que não voltou ao sertão. Morreu em 1641, com a idade de 63 anos. Sozinho, Baltazar Fernandes resolveu abandonar de vez a sua grande casa de Parnaiba e residir definitivamente nas terras já suas e onde se afazendara pelos menos desde 1634.

É muito possível que o desejo de imitar a André e Domingos levasse Baltazar a fundar uma capela onde lhe sobrassem sufrágios após a morte. Entreviu certamente a importância do local que tão bem conhecia: verdadeira boca de sertão, pela paragem de Sorocaba e se atingia por terra o antigo Guairá e os campos de Curitiba, onde a pecuária começava a dar mostras do futuro. O atual sul do Brasil era um livro aberto para aquela gente parnaibana: Gabriel de Lara, presente em 1634 junto ao leito de Suzana Dias, lá estava em Paranaguá, enquanto outro parnaibano, Baltazar Carrasco dos Reis iniciava o povoamento de Curitiba.

Em 1645 ele, os genros e os filhos se transportaram para o lugar chamado Sorocaba, a légua e meia do Itavovú ou São Felipe, para onde em 1611 D. Francisco de Sousa permitira se transportasse o pelourinho que em 1600 erguera no Araçoiaba.

Nascido em 1579 ou no máximo 1580, Baltazar Fernandes estava pois com 65 anos de idade. Era ainda um homem forte, por sem dúvida. Fundador na idade em que merecia o descanso.

Cerca do ano de 1600 casou-se Baltazar Fernandes com Maria de Zúnega, nascida na Vila Rica de Guairá, filha de Bartolomeu de Torales e de Violante se Zúnega. O casamento de Baltazar precedeu de 30 anos a transmigração das famílias do Guairá para São Paulo. É um verdadeiro romance de aventuras este namoro a tantas léguas, de um bandeirante com uma, digamos, sul-americana.

Vê-se com nitidez a união simbólica das duas raças ibéricas no coração da América. Raças que o caldeamento com os guaranís renovou em proporções gigantescas. Desse matrimônio nasceu em Vila Rica Maria de Torales, que se casou com outro vilarriquenho: Gabriel Ponce de Leon e com ele e outros parentes se transplantou para São Paulo antes de 1634 e depois de 1630. [Revista do Instituto Histórico e Geográfico de S. Paulo: “Nossos Bandeirantes - Baltazar Fernandes” (1967) Luiz Castanho de Almeida. Página 212]

Já antes a 20 de abril de 1660, reunidos no Apotribú, casa de Bezarano, o padre Francisco Fernandes e o presidente do Mosteiro beneditino de Parnaiba, frei Tom6éde Jesus. Baltazar Fernandes entregou à Ordem de São Bento a capela já construida de Nossa Serihora da Ponte e um grande patrimônio em terras e comeqo de gado e dois escravos.

A igreja de São Bento em linhas essenciais é a mesma ainda existente. Fez-se mais tarde o convento. Os monges adotaram Santana como padroeira. Para Nossa Senhora da Ponte construiu Baltazar ainda outra igreja, depois matriz, hoje catedral.

É um título notavel e único no Brasil e em Portugal. Por ser de cor evidentemente local, trata-se uma ponte do rio Sorocaba, onde se fez a igreja a que trouxeram uma imagem de Nossa Senhora. Esta imagem podia ser a Nossa Senhora de Montesserrate, orago do Ipanema, ou outra do próprio Balthazar e é provavel que já se chamasse Nossa Senhora da Ponte antes da mudança do pelourinho para o atual lugar, pois o Itavuvu é à beira-rio e tinha provavelmente a primeira ponte.

Enumerando os serviços de Baltazar a Sorocaba, seu filho Manuel não se refere a construção da ponte. Em 1652 havia morrido a segunda mulher de Baltazar, Isabel de Proença. Ele morreu mais, que octogenário antes de 1667 e depois de 1662.

Em 1645, ele, os genros e os filhos se transportaram para o lugar chamado Sorocaba, a légua e meia do Itavuvu ou São Felipe, para onde em 1611 D. Francisco de Sousa permitira se transportasse o pelourinho que em 1600 erguera na Araçoiaba. [Nossos Bandeirantes, 1967. Luiz Castanho de Almeida. Página 215]

3. Foi com o contato direto desses castelhanos, quando ainda se não povoara o Rio Grande, que a gente de São Paulo aprendeu a usar o mate ou congonha. O filho de Balthazar, Manuel Fernandes de Abreu, deixou no inventário "uma cuia de prata de beber congonha". Os paulistas, antes do século 18 e até os primeiros anos, beberam mate em lugar do café, como se sabe também pela tradição.

4. Em 1698 pediam à Corte portuguesa os moradores de Sorocaba licença para fundarem uma vila no atual sul de Mato Grosso para negociarem com os castelhanos. Eram os filhos, netos e fins ou colaterais de Balthazar Fernandes. Nos "castelhanos" estavam o ouro e a prata do Perú, os gados e os primeiros muares que apareciam. E, ao lado disso, tudo em execrando comércio, os nativos. E ambos guerreavam os jesuítas, perseguindo os guaranis.

5. Balthazar Fernandes, o fundador de Sorocaba, passou por ai antes de mudar-se de Parnaíba e recebeu em sesmaria. O Livro do Tombo de Sorocaba assinala a era de 1646, para a chegada dos primeiros povoadores parnaibanos. É exato, posto que Luís Gonzaga da Silva Leme (1852-1919) preferisse a data de 1645.

No livro mais antigo do tabelionato de Parnaíba existente no Arquivo do Estado, pode ser documentada ainda a presença de Balthazar Fernandes em sua terra em abril de 1642. Em 6 de maio de 1641 ele e sua mulher Isabel de Proença fizeram em Parnaíba uma escritura de dote à filha Maria de Proença.

Entre outros bens móveis, como cabeças de gado, um cavalo, uma rasquinha, havia o de um pequeno sítio na Ilha de São Sebastião, próximo do arrecife junto à barra de um rio (...). Em 8 de janeiro de 1641 foi de André Fernandes que Suzana Dias, outra filha de Balthazar, recebeu dote para casamento: quarenta peças de gentio da terra e um curral de gado em Taquaribaí, oitocentos alqueires de trigo, "dez peroleiras de vinho de sua vinha". Também outra filha de Balthazar, Custódia Dias, recebeu de André 40 cabeças de gado em dote.

Braz Esteves também aparece em Parnaíba em 1640, e sabe assinar muito bem: é um dos povoadores de Sorocaba. Por tudo isto se conclui que o povoamento de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba, em contraposição ao segundo núcleo (de 1611) Itavovú, começou por volta de 1646. [Página 216]





Revista do Instituto Histórico e Geográfico de S. Paulo
01/01/1967, atualizado em 18/02/2026 01:09:00
Créditos/fonte: Luiz Castanho de Almeida
  
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Nossos Bandeirantes
01/01/1967, atualizado em 18/02/2026 01:08:58
Créditos/fonte: Luiz Castanho de Almeida
  
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Revista do Instituto Histórico e Geográfico de S. Paulo
01/01/1967, atualizado em 18/02/2026 01:09:00
Créditos/fonte: Luiz Castanho de Almeida
  
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EMERSON
2204
Bairro Itavuvu
231 registros

1127
Balthazar Fernandes
1577-1670
398 registros

1895
Bartolomeu de Contreras y Torales
n.1610
24 registros

3082
Capela “Nossa Senhora da Ponte”
61 registros

2330
Carijós/Guaranis
502 registros

10713
Curitiba/PR
349 registros

2279
Domingos Fernandes
1577-1652
65 registros

2528
Ermidas, capelas e igrejas
668 registros

10640
Itu/SP
886 registros

923
Jesuítas
562 registros

1170
Luís Castanho de Almeida
1904-1981
82 registros

3454
Luís Gonzaga da Silva Leme
1852-1919
31 registros

2430
Luiz Castanho de Almeida
1672-1735
16 registros

6071
Maria de Proença
3 registros

2485
Maria de Torales y Zunega
n.1585
18 registros

3396
Nossa Senhora da Candelária
16 registros

3414
Nossa Senhora da Ponte
23 registros

2499
Nossa Senhora de Montserrate
140 registros

519
Pela primeira vez
1039 registros

2685
Pelourinhos
83 registros

2990
Peru
418 registros

3069
Pontes
283 registros

3457
Ribeirão de Taquarivaí
8 registros

10661
Santana de Parnaíba/SP
0 registros

10641
Sorocaba/SP
11751 registros

2999
Vinho
55 registros



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