Depois do Parahyba ha o rio Mogi Guassú o qual nascendo das Serras que ficão ao Sul de Oiro-fino (ramificação da Mantiqueira) corre por muitas legoas a Noroeste, e despenhando-se sómente em duas cachoeiras de Pirassunununga e S. Bartholomeu, faz barra no Rio Grande, que toma o nome de Paraná, depois que se passa a embocadura do Tieté. Os ramos principaes d’este rio são os rios Pardo, e Jaguary-mirim.Segue o notavel e ruidoso Tieté, por ser o da navegação para o Cuyabá, e pelos 46 saltos, e cachoeiras que se encontrão n’aquelle transito, como em outras que ficão antes d’aquellas, sendo a mais notavel a catadupa distante uma legoa da Villa de Ytú (a). Corre com effeito este rio em muitas partes com estrepito por seu tortuoso álveo, em cujo leito encontra ilhas e penedos, e pedras.Vem as suas origens da Serra do mar um pouco ao Oeste da Villa de S. Sebastião, e recebendo as aguas dos rios que banhão desde o distrito da Villa de Mogi das Cruzes, por S. Paulo, e das vizinhanças de Mogi-mirim, Piracicaba, e Leste de Itapeteninga, depois de um curso de mais de duzentas legoas, deságua no Paraná. Os seus tributarios principaes são o rio dos Pinheiros, formado do rio Grande, e Pequeno da estrada de Santos; o rio Piracicaba formado dos rios Atibaia, Jaguary, e o rio Sorocaba.O rio Paranapanêma nasce da Serra do mar, recebe todos os rios e ribeiros desde o districto ao Oeste de Itapetininga até Carambijú (estrada para Curitiba); sendo o seu principal ramo o aurifero, e diamantino Tibagi: deságua no Paraná. O seu curso é pouco conhecido. Nota-se a particularidade em um dos ramos do dito Tibagi (denominado Itararé) o correr submergido, ou por leito subterraneo, em grande espaço, sendo(a) Como melhor se mostra no Mappa Chorographico da Provincia.n’esse lugar coberto por uma especie de abobada, aberta pelo feixo formado pelos penedos lateraes, de modo que na estrada se vence a passagem por uma ponte de pouco comprimento.O rio Yvaï, ou de D. Luiz, nasce das contravertentes a Norte das montanhas que formão ramificações da Serra da Esperança (Campos de Guarapuava), e deságua no Paraná perto da Ilha Grande das Sete Quedas, tendo sómente quatro cachoeiras no seu curso. Foi este rio algum tanto remarcavel no tempo das explorações mandadas fazer pelo Governador D. Luiz. São ainda sertões as margens d’elle.Rio Yguassú, Covó, ou do Registo, é navegavel em grande parte; porém de corrente impetuosa com poucas cachoeiras; a maior não fica muito distante da sua barra perto do rio Santo Antonio. As suas vertentes são na Serra do mar perto da Villa de Curitiba, e S. José, e correndo ao Oeste fórma um caudaloso rio, que deságua no Paraná.São seus tributarios o rio Jordão, o Cavernoso, que sahem dos Campos de Guarapuava, e dos Votoroens, assim como o rio Negro no caminho para Lages, e o Chopí no sertão.Os rios Correntes, Pedras, Marombas, Carorros, que formão o rio Chapecó, e Canoas, mais ao Sul do Iguassú, vão ao Uruguay na Provincia do Rio-Grande. Seus cursos são ainda pouco conhecidos.Ribeira de Iguape. E’ o unico dos rios mais notaveis que deságua no mar, com perigosa barra, em a qual os ventos de travessia depósito muita arêa de encontro á sua corrente. Nasce na bacia, que fórma o afastamento da Serra do mar da Costa, das correntes que d’ellas se despenhão. Os seus ramos principaes são o rio Juquiá, e de S. Lourenço. Formão todos os dictos um tortuoso rio, por cujas margens se cultiva muito arroz, e se corta muita madeira de construcção. A sua barra fica a uma legoa da Villa da qual toma o nome.Nota-se a particularidade em um dos ramos do rio Tibagí (denominado Itararé) o correr submergido, ou por leito subterrâneo, em grande espaço, sendo nesse lugar coberto por uma espécie de abobada, aberta pelo feixo formado pelos penedos laterais, de modo que na estrada se vence a passagem por uma ponte de pouco comprimento. (Páginas 12 e 13)