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Revista da Sociedade Brasileira de Geografia

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Revista da Sociedade Brasileira de Geografia


JAN.
01
HOJE NA HISTóRIA
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1947
21/12/2025 21:04:46






Em carta que escreveu à Regente D. Catarina, a 31 de março de 1560, do Rio de Janeiro, depois da expulsão dos franceses, explicava Mem de Sá:

"Os poderes que mandava pedir a Voza Alteza pedi-os pela experiência que da terra tenho e não por quão necessários são aos governadores, e devesse Vossa Alteza lembrar que povoa esta terra de degredados, malfeitores que os mais deles merecia a morte, e que não tem outro ofício senão urdir males; se o governador não tiver poderes largos na justiça para castigar e perdoar, é cá pouco necessário, e o ouvidor fica com muito mor jurisdição e fazem o que querem, e quando os mandar responder dizem que cabe na sua jurisdição e alçada." [Página 103]

A tradição histórica sempre foi favorávela 20 de janeiro. Êste mês, de resto, tem aseu favor a própria data da descoberta daregião carioca, a 1 de janeiro de 1502. De-fendendo, com o habitual ardor, a data de1 de março de 1565, o Sr. Max Fleiuss,em artigo publicado no Jornal do Comérciode 22 de dezembro de 1940, observou que aconfusão, em tôrno da data da fundação dacidade, «surgiu pela primeira vez quando noAlmanack Laemmert de 1897 figurou o dia20 de janeiro, como o da fundação da ci-dade do Rio de Janeiro. A explicação é to-talmente destituída de fundamento. À datade 20 de janeiro sempre teve a seu favor atradição e o depoimento de muitos dos maisautorizados historiadores antigos e moder-nos. E deve-se acentuar que, mesmo aquê-les que defendem a outra data, a de 1 demarço de 1565, nunca deixam de se referirà «nova cidade» fundada por Mem de Sáno primitivo Morro de São Sebastião, quedepois foi denominado Monte do Descanso,Morro de São Januário e Morro do Castelo.No local em que se operou o desembarquede Estácio de Sá, foi inaugurado, muitosignificativamente a 20 de janeiro de 1915,pelo Instituto Histórico e Geográfico Bra-sileiro, um marco em comemoração do im-portante feito. O marco tem esta inscrição:«Neste local, em 1565, foram lançados osprimeiros fundamentos da cidade de SãoSebastião do Rio de Janeiro». A meu ver,entretanto, os «primeiros fundamentos» doRio de Janeiro, que não constituem, eviden-temente, a fundação, vem de muito maislonge, desde a data da descoberta, em 1502.O próprio Sr. Max Fleiuss afirma, no seucompêndio de História da Cidade, que estateve o seu «traço fundamental» no arraialfundado por Gonçalo Coelho em 1503. OBarão do Rio Branco, não obstante mani-festar-se pela prioridade de Estácio de Sá,cujo desembarque diz ter-se dado no dia 28de janeiro ou 1 de março de 1565, de acôrdocom a informação dubitativa de Anchieta,conciui, muito lôgicamente, nas suas Efemérides Brasileiras, «que a chamada cidadenão passava até então de um entrincheira-mento dentro do qual foram levantadas pa-lhoças e construída uma capela». É dêstemesmo teor o depoimento, decisivo, no caso,de Mem de Sá, que, no «Instrumento» deseus serviços, apresentado ao Rei D. Sebas-tião, diz o seguinte: «E por o sítio ondeEstácio de Sá edificou não ser pera mais que pera se defender em tempo de guerra,com parecer dos capitães e doutras pessoasque no dito Rio de Janeiro estavam, escolhium sitio que parecia mais conveniente paraedificar nêle a cidade de São Sebastião».Na História da Capitania de São Vicente,informa Pedro Taques: «A cidade do Riode Janeiro está em altura de vinte e trêsgraus, e ainda antes de ser fundada emjaneiro de 1567 por Mem de Sá, terceirogovernador geral do Estado do Brasil, oscapitães-mores governadores da Capitania deSão Vicente concederam terras de sesmariaaos que quiseram povoar o dito Rio de Ja-neiro, que então só era habitado dos bárbarosíndios Tamoios». E ainda: «Tôdas essassesmarias provam que o Rio de Janeiro éda doação de Martim Afonso de Sousa,por se achar dentro das léguas de sua de-marcação. É bem verdade que esta cidadenão foi fundada em nome do donatárioMartim Afonso de Sousa, mas sim no deEl-Rei D. Sebastião, em cujo reinado a con-quistou Mem de Sá, quando segunda vezsaiu da Bahia contra o poder de NicolauVillegagnon». Agora, o depoimento deFrei Vicente do Salvador, que MaxFleiuss tanto se comprazia em citar porabono de seu ponto de vista. «Sossegadas ascoisas da guerra, diz êle, escolheu o gover-nador sítio acomodado ao edifício de umanova cidade, a qual mandou fortalecer comquatro castelos, e a barra ou entrada do Riocom dois : chamou a cidade de São Sebas-tião, não só por ser nome de seu rei, senãopor agradecimentos dos benefícios recebidosdo santo, pois a vitória passada se ganhouno dia de São Sebastião e em êste dia,dois anos antes, partiu Estácio de Sá deSão Vicente para o Rio de Janeiro». Maisadiante, informa que «o sítio em que Memde Sá fundou a cidade de São Sebastião foio cume de um monte, donde fàcilmente sepodiam defender dos inimigos». Vem apêlo, neste ponto, uma observação que seme afigura essencial na investigação dêssememorável episódio de nossa história: porque se denominou o Rio de Janeiro de «ci-dade de São Sebastião», fazendo dêste san-to seu padroeiro ? À suposição mais comumé que foi simplesmente em homenagem aD. Sebastião, então rei de Portugal. Nopitoresco dizer de Joaquim Manuel de Ma-cedo «o santo serviu apenas d epau de ca-beleira para render seus cultos ao Rei de [p. 104]


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3-10
EMERSON


01/01/1947
ANO:89
  testando base


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