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Data: 01/01/1940-
MT: 10
*Memória Histórica de Xiririca (El Eldorado Paulista), Antônio Paulino de Almeida
Antônio Paulino de Almeida
1940, segunda-feira
   

Ninguém deve ignorar que, não só nos tempos coloniais ou mesmo Provinciais como ainda há poucos anos atrás, as viagens para Apiaí e Faxina geralmente levadas à efeito via Iguape, Xiririca, Iporanga, por ser esse o caminho natural para a região de Serra Acima, a que está ligado o litoral sul.

A grandeza de Iguape, foi justamente por ter servido o seu porto há mais de um século, como escoadouro de toda a produção que procedia da região do Planalto, havendo mesmo uma estrada diretamente para Itapetininga, a cuja comarca pertenciam os termos de Xiririca, Iguape e Cananéa, de 1852 a 1854.

Na falta de estradas, era o Rio Ribeira a via natural pela qual transitavam as mercadorias destinadas à região Serrana e por onde subiram os bandeirantes, descobridores das minas de Apiaí e Paranapanema, tão afamada nos tempos coloniais, sendo o tráfego entre Iguape, e a zona minéria quase que ininterrupto. [Memória Histórica de Xiririca (El Eldorado Paulista), Antônio Paulino de Almeida, 1940. Página 26]

O Ribeira, que nasce da confluência dos rios Assungui e Ribeirinha, em território do Paraná, penetra no Estado pela depressão divisória das serras Agudos Grandes e Caroca, no município de Apiaí.

Sua direção geral é de sudoeste para nordeste, correndo ao longo da serra do Mar, "até encontrar o rio Juquiá em cujo leito se lança, obrigado pela última ondulações da serra dos Itatis, que se levantam á sua frente,seguindo por ele, a rumo de noroeste para sueste até as proximidades de Iguape, onde faz bocayuva, mandando um braço por nordeste até o oceano e outro para o sul até o Mar Pequeno; este último que é um canal artificial aberto em meados do século passado (o Valle Grande), afim de facilitar as comunicações do exterior com a região banhada pelo Ribeira, separou da terra firme, o território da cidade de Iguape e seus arredores, convertendo-o e Ilha.

São seus principais afluentes pelam margem esquerda: Itapirapuan, que serve de limite entre os Estados de São Paulo e Paraná, Claro, Catas Altas, Criminosas, Palmital, Taquarí, Iporanga, Jupuverá, Taquanivira, Tijuco, Turvo, Umbahú, Andaiatú, Pedro Cubas, Quitoca, Cubatão, Moçambique, Xiririca, Braço, Coveiro, Etá, Piroupava, Una e Juquiá.

Em 1923, dizia o Correio de Cananéa: “no dia em que o rumor das rodas e das hélices for em grande parte substituídas pelo dos carros e automóveis, a Amazônia Paulista assombrará o Planalto”. [p. 27]

28 MEMÓRIA HISTÓRICA DE XIRIRICAIguape, ponto convergente da produção agrícola, centro irradiador da navegação fluvial, ressurgirá também pelo desdobrar de sua agricultura e aproveitamento dos seus campos pastoris.Cananéa, sentinela extrema do litoral sul, fronteira do próprio Estado também seguir-lhe-á os passos na arrancada para o sertão.E todos os municípios, de Jacupiranga à Prainha, de Iguape até Ribeira, desabrocharão em novos núcleos de população e de trabalho, concorrendo para o bem de São Paulo.Grandes no passado, sê-lo-ão também no futuro, para felicidade de seus filhos e grandeza da Pátria.Felizmente, por essa época já se achavam em construção as principais rodovias ligando alguns dos municípios da região baixa, as quais, conhecidas, facilitaram a visita de quantos se interessavam pela mesma zona, que, de então por diante, mais conhecida se tornou, chamando para si a atenção dos poderes públicos.Dela, já dizia Martim Francisco, em 1808, no seu Diário de uma viagem mineralógica:“Toda esta ribeira de Xiririca para cima é majestosa, já pelos montes laterais, que lhe ficam sobranceiros e ameaçam abater-se sobre si entulhando a madre, já pelas muitas ilhas e rochedos depostos no meio da ribeira, quais medalhas antigas conservadas na noite dos tempos, apesar da correnteza das águas, que pareciam dever soçobrá-las; e não obstante o contínuo choque que sofrem, delas zombam quais torres inabaláveis ao furor dos ventos.A ribeira cada vez mais parece dirigir-se ao poente.Da freguesia para cima mais cultura, e os habitantes mais laboriosos, de tal arte que todas as encostas estão lavradas”.E tão conhecidas se tornaram as riquezas do seu subsolo, que novos horizontes acabam de surgir, assegurando-se desde já o seu ressurgimento.Para certeza disso é bastante o registro das palavras com que o Dr. Ademar Pereira de Barros, chefe do executivo estadual, se dirigiu ao povo paulista em seu memorável discurso pronunciado em 27 de abril no Teatro Municipal, comemorando a data de seu primeiro ano de governo:“Durante muitos anos, jazeu a zona da Ribeira à espera de quem lhe compreendesse a importância e a riqueza. Projetos de aproveitamento não lhe faltaram, mas sempre, por motivo ou outro, frustrados.No entanto, ali está, sem exageros, a Bolívia Brasileira, reprodução da região andina, onde, por um paradoxo geológico, se agrupam...” [p. 28]

E tão conhecida se tornaram as riquezas do seu subsolo, que novos horizontes acabam se surgir, assegurando-se desde já o seu ressurgimento.Para certeza disso é bastante o registro das palavras com o que o Dr. Ademar Pereira de Barros chefe do executivo estadual se dirigiu ao povo paulista em seu memorável discurso pronunciado em 27 de abril no Teatro Municipal, comemorando a data de seu primeiro ano de governo:

“Durante muitos anos, jazeu a zona da Ribeira à espera de quem lhe compreendesse a importância e a riqueza. Projeto de aproveitamento não lhe faltaram, mas sempre, por motivo ou outro, frustrados.

No entanto, ali está sem exageros a Bolívia Brasileira, reprodução da região andina, onde, por um paradoxo geológico se agrupam jazidas de minerais cada qual mais valiosa: ouro, platina, mercúrio, prata e chumbo.

Essa imensa riqueza não podia sair do patrimônio do Estado e já então chegando da Europa as máquinas que realizarão em São Paulo o sonho do lendário Robério Dias. Novas estradas rasgarão aquele solo abençoado. E muito em breve se retificará a sua principal artéria fluvial, hoje em dia fator máximo das suas celebres e malfazejas inundações
”. [p. 28 e 29]

CAPITULO II

A REGIÃO DA RIBEIRA ACIMA

Quando Martim Afonso de Souza aportou em Cananéia aos 12 de agôsto de 1531, alí já encontrou formado um pequeno núcleo de indivíduos, composto de cinco ou seis castelhanos, que, em companhia de Francisco de Chaves, do famoso Bacharel e de naturais do país habitavam acêrca de 30 anos êsse ponto da costa sul paulista, núcleo que, segundo a afirmativa de todos os historiadores, foi a primeira povoação civilisada erecta ao sul do Brasil.

Para Vieira dos Santos, sua população entre europeus e mestiços devia ser calculada nessa mesma ocasião em duzentas almas, aproximadamente, por quanto há longos anos alí moravam vivendo em boa paz e harmonia, sendo um dêles gran lingua da terra, que era o próprio Chaves, genro do Bacharel (¹).

Foi êle quem induziu o almirante à organização da malfadada expedição — a primeira bandeira — que a 1.º de setembro rumava para o sertão sob o comando de Pero Lobo, tendo-o por guia, sob promessa de que dentro de 10 meses tornaria àquele pôrto com 400 escravos carregados de prata e ouro.

A Martim Afonso, que na Península Ibérica já havia colhido informações, além de outras, que viera obtendo dos expedicionários Sólis, Rodrigo de Acuna ou Jofre de Loyasa, Caboto e Diogo Garcia, — estando em Cananéia, assistiria a certeza de se achar na verdadeira costa do ouro e ponto favorável para a conquista da mina.

E se a “costa do pau brasil”, a costa do norte, era a êsse tempo buscada por franceses, seria esta a “costa do ouro e prata”, a costa do sul, mais visitada por espanhóis, sendo de tal provas evidentes, o encontro alí tido e as informações colhidas (²).

Organizada a bandeira, rumou imediatamente para o interior, não havendo certeza até a presente data, de qual tivesse sido o seu_________________ (1) A. Vieira dos Santos — Memória histórica de Paranaguá. (2) Eugênio de Castro — Diário da Nao de Pero Lobo, com. — ed. Eduardo Prado. [p. 31]CAPITULO XVILENDAS E TRADIÇÕESA história de Xiririca é bastante rica em lendas e tradições, algumas delas interessantíssimas. Muitas das denominações dos seus bairros, ilhas, rios, e ribeirões, são originarias, de tradições, que ainda hoje se conservam. Outras, de origem tupi, como o nome do ribeirão Xiririca, que passou aos da freguezia e cidade, abrangendo o próprio município.Segundo diz o padre Mendonça, o vocábulo — XIRIRICA — é corruptela, dizendo: "Parece que se viciou o nome deste bairro d´onde a freguezia tirou o seu, quando alguns antigos chamão ribeirão de Tiririca ou de Tirirical, — que diz — taquaras que cortão, ou feiches de taquaras que cortão, a que chamão Jayvaras, creciymas da lingua original".Xiririca tambem pode provir de Y-chiririca, que quer dizer agua ligeira, veloz, — o rápido, corredeira. Tem os seus nomes ligados à tradição:

CAIACANGA — porque, segundo se conserva fôra aí encontrado um grande pedaço de ouro semelhante à cabeça de um macaco. Sua verdadeira significação segundo os mestres vem de cai-acanga — cabeça queimada. De cai-queimar, arder, etc. e acange-cabeça, o que é duro.

ILHA DO BANANAL PEQUENO — Sobre o mesmo, encontramos a seguinte referencia registrada no livro do Tombo: "Conta-se que nesta ilha forão ainda vistos dois homens do gentio da America que habitava estas terras incultas e passavam uma vida errante e selvatica, de que se achão ainda vestigios, como potes ou vasos de barro, onde se crê, depositavão os seus que morrião, por se acharem estes vasos enterrados no chão, cheios de ossadura humana ou em enterrado".ILHA DO GATO — pelo fato de existir na mesma, uma grande pedra com a apparencia de um felino.

VOTUPOCA, — de Ybitu-poca, que significa vento que estrondeia, sôpro que rebenta. Morro estalado, morro partido ou rebentado. Para alguns é o morro que rebenta ou estala. No seu cimo ha uma grande cavidade, cujos bordos indicam ter havido aí algum vulcão. Por tradição colhida entre os índios, consta que do seu cume saía fumo seguido de estampidos.

ILHA DA RAPOSA — provem da grande quantidade de gambás outrora aí existentes, como asseveram os cronistas.RIBEIRÃO DO VIRASSAIA — porque nesse local aconte- ceu virar-se uma canoa cheia de passageiros, e, nessa ocasião, uma das senhoras, que então usa- va saia-balão, segundo a época, ao cair nagua viu-se com a mesma virada pelo avesso...RIBEIRÃO DAS FAZENDAS — não porque aí existissem grandes propriedades agrícolas, mas, segundo a lenda, por haver naufragado uma canóa e pe- recido um caixeiro-viajante, perdendo várias malas que continham amostras de fazendas.ILHA DA CRUZ — Segundo reza a tradição, nesse ponto foi chantada uma cruz de madeira, para assi- nalar a sepultura de Antonio da Silva Pereira, que se afogara, naufragando no Ribeiro acima. Entre as lendas, já destacamos na parte geográfica a que se re-fere à denominação — Sete Barras, — que, segundo a crendice po-pular, se originou do fato de certo minerador, para fugir ao paga-mento do quinto real ou evitar ser roubado, ter escondido sete bar-ras de ouro nesse ponto da Ribeira, para mais tarde retirá-las, o quenunca mais conseguiu por ter perdido o local exato em que as se-pultara. Outra lenda, aliás importante, é a que diz respeito à origem donome de Ribeirão das Mortes dado a um dos muitos existentes en-tre o Batatal e Capão Bonito, nos sertões de Pedro Cubas. Sôbre a mesma, há duas versões. Diz a primeira, que, descoberto ´um colossal aluvião de ouropelos jesuitas, nesse ponto do vale da Ribeira, foram estes repelidospor bandeirantes, que ao mesmo local lograram chegar, resultandodo choque entre os dois grupos um grande morticínio, do que seoriginou o nome do ribeirão. É de notar porém, que nesta parte do litoral não penetraram osjesuitas, o que se verifica pelas construções, que nada têm das zo-nas por onde percorreram esses obreiros do nosso passado, comopelo desconhecimento em que ficou por muitos anos esta região, oque não se daria se fôra conhecida pelos mesmos. A segunda versão: Existia outrora um velho Pagé, único sobrevivente da grandetribu do Itanopan, que conservava em Camocins grande quantida- [p. 158]

ltara.Outra lenda, aliás importante, é a que diz respeito à origem do nome de Ribeirão das Mortes dado a um dos muitos existentes en tre o Batatal e Capão Bonito, nos sertões de Pedro Cubas.Sôbre a mesma, há duas versões .Diz a primeira, que, descoberto um colossal aluvião de ouropelos jesuitas, nesse ponto do vale da Ribeira, foram estes repelidos por bandeirantes, que ao mesmo local lograram chegar, resultandodo choque entre os dois grupos um grande morticínio, do que se originou o nome do ribeirão.É de notar porém , que nesta parte do litoral não penetraram os jesuitas, o que se verifica pelas construções, que nada têm das zonas por onde percorreram esses obreiros do nosso passado, pelo desconhecimento em que ficou por muitos anos esta região, oque não se daria se fòra conhecida pelos mesmos.A segunda versão :Existia outrora um velho Pagé, único sobrevivente da grande tribu do Itanopan, que conservava em Camocins grande quantida de de uma areia que logo despertou a cobiça dos portugueses, os quais, maneirosamente conseguiram do velho índio a revelação do local onde era a mesma encontrada, sob promessa de o tornarem seu associado.Tempos depois, verificando o mesmo ter sido ludibriado, com aretirada do ouro para Serra Acima, procurou vingar-se, lançando Curare na fonte e matando os traidores de um só golpe.

Essa lenda, a nosso ver, parece de real importância, se procurarmos liga-la à existência das famosas minas de prata de Francisco de Chaves e o desaparecimento da primeira bandeira paulista, que, de Cananéia, partiu a 1. ° de Setembro de 1531, sob o comando de Pero Lobo, sendo inteiramente sacrificada nos sertões.

Uma relação íntima deve existir entre a denominação dada a es se ribeirão dos sertões de Pedro Cubas e a morte dos componentesdaquela bandeira, cujo ponto exato onde foi sacrificada, até hoje éassunto controvertido.
[Memória Histórica de Xiririca (El Eldorado Paulista), Antônio Paulino de Almeida. Páginas 158 e 159]




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Cassius Marcellus Clay Jr.
1942-2016
Cássius Clay é nome de escravo, não o escolhi, não o quero. Sou Muhammad Ali, um nome livre.

Fonte: ERRO!

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Dúvidas, críticas ou sugestões: Adriano César Koboyama