a cachoeira de Sobradinho, :i, diferença de latitude é dequase um grau.A extensão conhecida devia ser grande, ptira permitiras informações, que em 1587 Gabriel Soares conseguiareunir no seu relatório. Confirmando a narrativa doPadre Navarro, êle adianta que o gentio dava ao SãoFrancisco o nome de Pará. Refere-se que é conhecidoentre tôdas as nações, das quais foi sempre muito povoado.Menciona que lá onde êle nascia, os índios que o habitavamse ataviavam com jóias de ouro. "Depois que este Estadose descobria por ordem dos reis passados - resume êle- se trabalhou muito por se acabar de descobrir este rio".~le próprio, Gabriel Soares, figurou entre os que sededicaram a essa exploração, aproveitando o roteiro deixado por seu irmão João Coelho de Sousa. No empenhode chegar às nascentes do S . Francisco, tomou o rumo doParaguaçu, possivelmente para por meio dêle alcançar aoeste o vale do S. Francisco. A morte, porém, o detevea meio de suas viagens, nas cabeceiras do Paraguaçu, zombando mais uma vez do esfôrço dos pesquisadores de ouro.
Ainda sôbre as suas pegadas seguiria mais tarde Belchior Dias Moreya, primo de Gabriel Soares e habitante do sertão do Rio Real, em Sergipe. O relato dePedro Barbosa Leal - cuja divulgação se deve a pesquisas de Capistrano de Abreu, que o indicou a Felisbelo Freire, - esclareceu de uma vez o itinerário dessa exp1oração, que se demorou muito tempo no vale do S. Francisco. Percorreu a serra de Assuruá, tomou daí os riós Verde e Paramirim, atingiu o rio Salitre, desceu até oS. Francisco, descobrindo as minas de salitre da região. Explorou-as algum tempo, tomando depois a outra banda do S . Francisco, da parte de Pernambuco, por onde desceu, voltando a Sergipe e recolhendo-se a Itabaiana.
Presume-se que tenha partido em 1595, ou 1596, regressando oito anos depois, quando todos em sua casa já o tinham por morto, pela falta de notícia em tão grandeespaço de tempo.[p. 36]
Confirmando esses dados, o precioso manuscrito intitulado Livro que dá Rezão do Estado do Brasil escrito em 1612, informava que se não sabia onde nascia o São Francisco "posto que por ele acima se tem navegado mais de trezentas léguas, até que, espantados da multidão do gentio que encontraram, se tornaram atrás os navegantes".
Pelas medidas atuais, essas 300 léguas representariam o conhecimento do rio acima do Carinhanha e não muito longe da embocadura do Mangaí, dentro do território mineiro, o que de certo reforçaria a interpretação do "Mangai" com o famoso "Monayl" da expedição de Espinhosa. Convenhamos, porém, em que as avaliações antigas não apresentam tão grande exatidão.
De São Vicente, mais ou menos por essa época, saíra, à procura da região doo São Francisco, uma importante expedição, cujo comando se atribui a André de Leão. Não está perfeitamente apurado se se refere a essa entrada, ou a alguma outra um pouco posterior, o roteiro deixado por Wilhelm Glimmer e divulgado na obra de Piso e Markgraf.
O ponto de referência, para a fixação de sua data, é a chegada de D. Francisco de Sousa a São Vicente, como governador. [p. 37]
O fato se repetiu em momentos diversos, em 1599 e em 1609, dentro das mesmas circunstâncias referidasno roteiro de Glimmer. Daí depreendeu Capistrano deAbreu a conclusão de que o itinerário se poderia referir àviagem de André de Leão, em 1601, como a alguma outraexploração de 1611. "Esta seria mais plausível - adiantouêle - se ponderarmos que Glimmer, comandante de Fernãode Noronha em 1633, estaria em melhor idade para um comando militar se andasse bandeirando em 1611 do queem 1601´´. Contra essa preferência, alegar-se-á a faltade indicação de bandeiras partidas na segunda administração de D. Francisco de Sousa, enquanto não se duvidaque a de André de Leão figura no primeiro govêrno.Pedro Taques vale de apoio para os dois pontos, e permitiu ao Sr. Basílio de Magalhães a afirmativa de que"não consta, porém, que no curto prazo desta sua segundaadministração ( de D. F_rancisco de Sousa) tenha havidoqualquer novo descobrimento de jazidas auríferas, qualquer nova leva exploradora dos sertões."O que nos interessa, porém, nesse roteiro, é que êlerevela o devassamento de uma importante região do território atual de Minas. Conta que D. Francisco deSousa recebera de "um brasileiro um certo metal extraído.segundo dizia, dos montes Sabaroason". A bandeira promovida para o encontro dessa região, depois de um longopercurso, chegou a uma estrada larga e trilhada e a dousrios de grandeza diversa, que correndo do sul entre asserras Sabaraasu, rompem para o norte, e é minha opiniãoque esses dois. rios são as fontes ou cabeceiras do rio SãoFrancisco". Orville Derby, a quem se deve a explicaçãodêsse roteiro, acredita que a expedição atingiu as serrasde Pitangui, acima da cidade atual de Belo Horizonte. ( 1)(1) Orville Derby, Revista do Inst. Uist. de S. Paulo, vol.VIII, 400, Vide também Capristano de Abreu, O Descobrimento doBrasil, página 112 e segs. [p. 38]
O devassamento do Piauí Data: 01/01/1946 Créditos/Fonte: Barbosa Lima Sobrinho
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O devassamento do Piauí Data: 01/01/1946 Créditos/Fonte: Barbosa Lima Sobrinho Página 37
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O devassamento do Piauí Data: 01/01/1946 Créditos/Fonte: Barbosa Lima Sobrinho Página 38