Introdução à História das bandeiras - XXII. Jaime Zuzarte Cortesão (1884-1960), Jornal A Manhã
Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
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Assim se explica que certos fatos da geografia americana, cuja, revelação deveria caber aos espanhóis, foram primeiramente conhecidos pelos bandeirantes de São Paulo e do Belém do Pará.
Caso típico é o do Rio Grande ou Guapaí que, junto ao Mamoré, engrossa, com o Guaporé, o Madeira, afluente por sua vez, do Amazonas. Durante o século XVI, os espanhóis consideraram o Guapaí como terminação do Maranhão (Mearim). Assim figura na carta de Gutierrez (1562) a que nos referimos. Nas várias relações quinhentistas de Santa Cruz de La Sierra e governação respectiva, publicadas por Jimenez de la Espada, continua a identificar-se o Guapaí com o Maranhão português.
Para melhor se compreender o significado deste erro, convém relembrar que Santa Cruz de la Sierra, tendo embora mudado de posição, quedou sempre situada cercas das margens daquele rio e no começo do larguíssimo trecho em que é navegável até às quedas do Madeira.
Mais tarde, em 1612, Rui Dias de Gusman, em sua "Argentina", continua a sustentar a mesma opinião. Finalmente, nas vésperas de 1650, em que Raposo Tavares e os seus companheiros desciam o rio toda a sua extensão, e depois de baixar a escadaria de ciclopes do Madeira, desembocaram no rio-mar, a cartografia dos jesuítas espanhóis fazia desaguar o Guapaí no Paraguai!
Aliás, até à viagem memorável do grande bandeirante domina entre os portuguese a falsa opinião de que Potosí e as demais cidades do Peru estavam muito próximas do Brasil. Para isso contribuiu grave erro de Lisboa na cartografia da América do Sul. Desviando muito para o leste o curso do Prata-Paraguai, para abranger na soberania portuguesa todo ou quase todo o vale platino, resultava que o Tocantins-Araguaia ocupava nas cartas da primeira metade do século XVII o lugar que na realidade pertencia ao Tapajoz e ao Madeira-Guaporé. No atlas de 1630, de João Teixeira Albernaz, que se guarda na Biblioteca de Washington, o curso geral e as fontes do Araguaia figuram a oeste do Paraguai!
Não espanta assim que os mitos geográficos e geográfico-humanos pululassem e tivessem resistido até ao século XVIII na pena dos cronistas mais conspícuos, como o Padre Lozano. Já nos referimos ao mito essencial da Ilha Brasil, ao qual veio agregar-se o da Lagoa Dourada, mito secundário. Ao lado desses, outros mitos, como o da Serra resplandecente, das Amazonas, o dos gigantes e pigmeus, esmaltaram a geografia e a cartografia dos primeiros séculos.
Servindo-se de todos esses dados míticos, um explorador, a cuja pena devem vários relatos verídicos e reais, não hesitou em misturar à narrativa das suas aventuras aquilo a que podemos chamar uma bandeira mítica. Esse relato, a que vamos referir-nos com alguma demora, posto que puramente fantasioso, não deixa de ter interesse. Faz-nos entrar no ambiente psicológico da época. Dá-nos a medida da importância dos mitos e de sua eficácia como possível incentivo da ação. Mostra-nos igualmente quanto as fraudes cartográficas acabavam por influir na mentalidade dos contemporâneos.
É o caso de Anthony Knivet quando, em 1597, resolve abandonar a bandeira de Martim de Sá, por alturas do Sapucaí ou do Rio Verde, isto é, no extremo ocidental da bacia do Paraná, para se internar para oeste. O aventureiro inglês e seus doze companheiros lusos de aventura resolvem, no dizer do primeiro, seguir para o Mar do Sul, quer dizer, para o Pacífico e o Peru. Passada uma semana, os aventureiros encontraram, além de pedras verdes, objetos de ouro em mãos dos nativos. "Ao deparar com tais pedações de ouro, e aquelas pedras, escreve Knivet, rendemo-nos conta de que estavamos muito perto ode Potesí". Mais adiante e quando narra a mesma aventura, acrescenta: "Sabíamos que não estavamos distantes do Peru e Cursco".
O aventureiro inglês limitava-se a reproduzir as opiniões correntes entre portugueses, às quais mistura as lendas, colhidas da boca dos nativos.
"Arribamos á seguir a uma vasta região divisando à nossa frente imensa e resplandescente montanha, dez dias antes de poder atingi-la, pois quando chegamos à região plana, fora das serras, com o sol em seu auge, não era suportável avançar na direção deste monte, em razão de seu brilho, que nos ofuscava os olhos".
O bom inglês dava como real o mito da Serra Resplandescente, que já Filipe Guilhem, nos meados do século, recolhera da boca dos nativos em Porto Seguro.
Jornal A Manhã Data: 18/01/1948 Página 8 ID: 12956
• Temas (12): Antártida; Estreito de Magalhães; Geografia e Mapas; Ilha Brasil; Lagoa Dourada; Rio da Prata; Rio Huybay; Rio Paraná; Rio São Francisco; Rio Ururay; Trópico de Capricórnio; Ururay
• Cidades (4): Angra dos Reis/RJ; Cananéia/SP; Potosí/BOL; Rio de Janeiro/RJ
• Pessoas (7): Afonso Sardinha, o Velho (66 anos); Anthony Knivet (37 anos); Diogo Gonçalves Lasso (f.1601); Francisco de Sousa (57 anos); Gabriel Soares de Sousa (1540-1591); Martim Correia de Sá (22 anos); Pedro Sarmiento de Gamboa (1532-1592)
• Temas (27): “Parateí”; Bairro Itavuvu; Bandeirantes; Cachoeiras; Caminho do Peabiru; Caminho Itú-Sorocaba; Caminhos/Estradas até Ibiúna; Cruzes; Ermidas, capelas e igrejas; Geografia e Mapas; Grunstein (pedra verde); Guaianase de Piratininga; Japão/Japoneses; Ouro; Paranaitú; Peru; Porcos; Represa de Itupararanga; Rio Anhemby / Tietê; Rio Camandocaia; Rio Itapocú; Rio Sarapuy; Rio Sorocaba; Santa Ana; Tamoios; Tapuias; Vila Helena
• Cidades (12): Itanhaém/SP; Itu/SP; Jundiaí/SP; Paraty/RJ; Peruíbe/SP; Pilar do Sul/SP; Rio de Janeiro/RJ; Salto de Itu/SP; Santos/SP; São Vicente/SP; Sarapuí/SP; Sorocaba/SP
• Pessoas (5): Antônio Raposo Tavares (50 anos); Cap Antonio Pereira de Azevedo ; Jaime Zuzarte Cortesão (1884-1960); Pedro Fernandes "Nunes" ; Pedro Fernandes (1580-1648)
• Temas (13): Bandeirantes; Caminho do Peabiru; Caminho Sorocaba-Botucatu; Curiosidades; Estrada Geral; Estradas antigas; Guaranis; Peru; Pirapitinguí; Portos; Rio Anhemby / Tietê; Rio Ivinhema; Rio Tibagi
• Cidades (3): Botucatu/SP; Itu/SP; Sorocaba/SP
• 15 de fevereiro de 1929, sexta-feira Estrada Real, Koboyama Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
• Fontes (10)
• Pessoas (13): Rodrigo de Castelo Branco ; Mathias Cardoso de Almeida (n.1605); João Alvares Coutinho ; Fernão Dias Paes Leme (1608-1681); Pedro II de Portugal (1648-1706); Afonso d´Escragnolle Taunay (53 anos); Alfredo Ellis Júnior (33 anos); Basílio de Magalhães (55 anos); Padre Guilherme Pompeu de Almeida (1656-1713); André de Leão ; João Capistrano Honório de Abreu (1853-1923); Jorge Soares de Macedo ; Pedro Taques de Almeida Pais Leme (1714-1777)
• Temas (10): Sabarabuçu; Pólvora; Conventos; Rio Sapucaí; Rio Camandocaia; Estradas antigas; Léguas; Escravizados; Diamantes e esmeraldas; Milho
• Cidades (8): São Paulo/SP; Paranaguá/PR; Atibaia/SP; Santana de Parnaíba/SP; Guarulhos/SP; Barueri/SP; Santos/SP; Rio de Janeiro/RJ
• Cidades (2): \\windows-pd-0001.fs.locaweb.com.br\WNFS-0002\brasilbook3\Dados\resumos\c1228\c1228.txt; \\windows-pd-0001.fs.locaweb.com.br\WNFS-0002\brasilbook3\Dados\resumos\c8322\c8322.txt
1987
Hitler: propaganda da W/Brasil para a Folha de S. Paulo (1987)
Atualizado em 02/04/2025 00:10:21
É possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade. Como a "História" de
um homem que pegou uma nação destruída, recuperou sua economia e devolveu o orgulho ao seu povo. Em seus quatro primeiros anos de governo, o número de desempregados caiu de 6 milhões para 900 mil pessoas. Este homem fez o produto interno bruto crescer 102% e a renda per capita dobrar, aumentou os lucros das empresas de 175 milhões para 5 bilhões de Marcos e reduziu uma hiperinflação, a no máximo 25% ao ano. Este homem adorava música e pintura e quando jovem imaginava a seguir a carreira artística.