SALI ENTAM-SE, como bases para os primeiros conhecimentos das tentativas siderúrgicas em nosso país, a «Memória» do senador Campos Vergueiro, e a «Nobilitarquia Paulista», de Pedro Taques. Por essas duas publicações conhece-se que as iniciativas para a fabricação do ferro no Brasil datam do fim do século dezesseis, precisamente em 1597, em Ibirapuera, Sorocaba, Estado de São Paulo, com a construção de dois engenhos para a fundição do ferro, por Afonso Sardinha, que os fizera à própria custa. Essa fabricação cessou em 1629, com a morte, em 26 de fevereiro daquele ano, de um dos proprietários, sr. Francisco Lopes Pinto.
O grande brasileiro e eminente historiador dr. Pandiá Calógeras, em seu ótimo trabalho intitulado «As Minas do Brasil», confirma que o Governador Geral do Brasil, d. Francisco de Sousa, tendo conhecimento da descoberta de ferro em São Vicente, e compreendendo o valor da nova, diz a História, forneceu auxiliares e ordem de dinheiro de que carecessem os descobridores para os seus trabalhos. Encontra-se, porém, em documentos históricos insuspeitos, que esses primeiros engenhos construídos para o fabrico do ferro, foram custeados por Sardinha, por isso devendo ele ser considerado o verdadeiro fundador da siderurgia brasileira.
Seguidamente a 1650, cremos ter permanecido a siderurgia no Brasil em verdadeira penumbra, prosseguindo-se, daí, nos primeiros anos do século dezoito. Encontra-se, entretanto, referido em uma publicação datada de 1711 sob a denominação de «Cultura e Opulência do Brasil», de autoria de André João Antonil, que, nessa ocasião, em São Paulo, na serra de Ibirapuera, distante oito dias da vila de Sorocaba e doze da vila de São Paulo, a jornada moderada, o capitão Luís Lopes de Carvalho, indo lá, por mando do governador Artur de Sá, com um fundidor, tirou ferro e trouxe barras, das quais se fizeram obras excelentes.
Pena, e muita, causa o não conhecimento da quantidade de ferro produzido naquela época, para se poder ter ideia do quanto evoluiu a siderurgia no Brasil, sabendo-se que essa grandiosa obra que é a Companhia Siderúrgica Nacional produziu, em junho do corrente ano, 30.078 toneladas de ferro gusa, 31.905 de aço e 24.523 de laminados.