'Notícias pra a História e Geografia das nações ultramarinas 0 01/01/1836 Wildcard SSL Certificates
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Notícias pra a História e Geografia das nações ultramarinas
      Atualizado em 13/02/2025 06:42:31

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Reflexões criticas sobre o escrito dos fins do século XVI impresso com o título de Notícia do Brazil

Quem ler a obra inserta no principio do Tomo 3o. desta coleção de Memórias Ultramarinas, com o título Notícia do Brasil, ainda quando não possua conhecimentos especiais daquela importante região, talvez notará algumas imperfeições: prosseguindo porém mais de espaço na sua curiosa lição, descobrirá adulterações de gravidade, acaso nascidas dos transuntos por que devera ter passado o original. Tais defeitos juntos á ponderação do quanto tendem a minorar o crédito e valimento de uma obra antiga, as faltas ou contestações á cerca do seu genuíno autor, do seu legítimo título e da época prefixa em que foi escrita, tudo induz naturalmente a reconhecer a utilidade de se atender convenientemente por todos estes objetos, na obra de que tratamos, a qual se bem que por ora pouco conhecida entre nós, não deixa por isso de merecer séria atenção.

Com efeito d´entre os escritores do Brasil, que nos restam do século XVI é o seu autor quem melhor reuniu notícias circunstanciadas dos diferentes ramos da história tanto geográfica, como natural e civil daquele vasto território, e dos que mais concorre a honrar a Nação Portuguesa, como bem julgou um doutor acadêmico, quando referindo-se diretamente a ele dizia:

"O Brasil foi descoberto pelos portugueses em 1500, e já em 1589 haviam estes descrito uma considerável parte do seu sertão imenso, mais o marítimo que discorre desde o Rio de Vicente Pinson, até além da Bahia de S. Mathias, situada muito ao sul do Rio da Prata".

Essa alusão do Secretário Dantas Pereira reconhece-se por se prefixar o ano de 1589, com que foi impressa a Dedicatória do Autor a D. Christovam de Moura.

É na realidade deste assunto que se ocupa quase exclusivamente a Primeira Parte da obra de que tratamos, havendo seu autor reservado a segunda, - quanto a nós ainda hoje de mais interesse, para melhor noticiar a Etnografia das diferentes nações indígenas, as produções naturais, e a topografia da então cidade capital do estado do Brasil; - estado que já naqueles tempos o nosso autor julgava (como declara na Introdução "capaz para se edificar nele um grande império." [p. 309,, 310, 311 do pdf]

quando corria desde longo tempo estampado, e bem, o nome do seu verdadeiro escritor, que uma boa conjuntura nos faz restituir-lhe. Lendo na segunda edição o 5o. dos Diálogos de Varia História, no Capítulo 2o. onde Pero de Mariz fala da Terra de Santa Cruz, notamos que este escritor reproduzia boa parte das ideias exaradas no impresso, que havíamos lido nas Memórias Ultramarinas, pelo que diz respeito á exploração e demarcação primitiva da Costa Brasílica, depois de Cabral, e prosseguindo tal leitura, até á folha 340 da edição citada de 1597, quando falava de Duarte Coelho, vimos á margem = Gabriel Soares, Cap. 16. =

Não conhecendo nós tal nome de escritor do Brasil, recorremos á Biblioteca Lusitana, e ao ler a sua informação vimos com prazer descoberto, com prova autêntica, o verdadeiro autor de um livro que corria anônimo. Seja-nos permitido transcrever aqui fielmente as próprias palavras de Barboza, embora demos mais crédito á notícia bibliográfica, do que á relação panegirica que dá de Gabriel Soares, e á parte histórica que envolve.

Eis na sua íntegra o artigo do nosso Bibliografo, que vem no T. 2.o p. 321.

"Gabriel Soares de Souza natural de Lisboa, e descendente de geração nobre, a cujo intrépido valor, e judiciosa direção se deveu a Conquista do Rio de São Francisco em o Brasil em 1591. Foi nomeado Capitão Mór de duas Naus para o descobrimento das Minas das Esmeraldas de que trazendo a Portugal vários pedaços de terra em que estavam encerradas algumas pedras perfeitas, e outras imperfeitas, não conseguiu o desejado fim daquele descobrimento, que prosseguiu com melhor fortuna D. Francisco de Souza Senhor de Bringel, Alcaide Mór de Beja que neste tempo governava o Brasil por cujo serviço mereceu o título de Marquez. Compoz: [p. 314, 315]

Fora ocioso e até imprudente da nossa parte, á vista de documentos de tanta autenticidade, insistir mais em provar que é Gabriel Soares de Souza o autor desgarrado da obra, cujo conhecimento tanto tem dado que fazer, nestes últimos tempos. Este escritor fala em seu próprio nome, em alguns lugares do seu escrito, e claramente dá a entender, que ele mesmo possuía na Bahia um engenho de assucar.

O autor dos Annaes Históricos do Maranhão, Bernardo Pereira de Perredo, escreve em 1749, de um Gabriel Soares, que chegou ás cabeceiras do Rio de São Francisco, o qual parece-nos ser o nosso escritor, pela concordância com o que afirma o Abbade Barbosa.

3. Não só porém se tinha extraviado o nome do autor, que já conhecemos; senão também o título da obra se corrompera. - O impresso corre com o nome de Notícia do Brasil, descrição verdadeira da Costa d´aquele Estado, que pertence á Coroa do Reino de Portugal, sítio da Bahia de todos os Santos.

Assentamos que se não requer muita critica para o banir; e dar como original, e até competente o título, que apontam Pinelo e Barbosa, e se lê em outras cópias: [p. 316, 317]

Seção Segunda - Reflexões á Primeira Parte

6 - Capítulo I - Quando á parte histórica deste capítulo, já Cazal deixou advertido, e pouca crítica bastaria para reconhecer, á vista de escritos mais autênticos, ter havido inadvertências da parte de Gabriel Soares; porém fôra sair do nosso propósito se nos ocupássemos agora neste assunto. [p.319]

8—CAPITULO V —No principio é fácil de reconhecer que há alguma inexaetidão, conducente a absurdo.

A ponta de Leste do Amazonas, de que fala o A. é naturalmente a de Maguary, que fica poucos minutos ao Sul da Equinocial: ora se pelo Rio da Lama, de que também fala a Carta, que vem depois da pag. 37 5 do Atlas de Ger. Mercalor de 1619, se quer significar, como pensamos, o Pará (e por modo algum o Turiuassú), como podia o A. dizer que deste ao Maranhão (Meary) havia apenas 19 léguas; quando tal rio fica obra de cinco gráos mais para Leste daquelle? [Notícias pra a História e Geografia das nações ultramarinas, 1836. Página 320 do pdf]

J 5 —CAPITUL O XIV - Declaramos não tervisto em carta , roteiro ou obra alguma, —riocom o nome de Tagoarife; porem vemos escripto correspondente a este lugar, Jaguari em uma das cartas da Obra de Baerl; a troca ou inversão das duas letras iniciais de cada um dos nomes é trivial no impresso. Abionabiaja também é nome para nós estranho: só nos faz lembrar o rio, que na relação da Jornada do Maranhão em 1614, que está impressa nas Memórias do Ultramar, vem escrito Aviyajá, e será por ventura o hoje Ipópóca, que atravessa a lagoa Abyahy: lê-se Igarosu, como Gandavo, que escreve Igaroçú, outros escrevem Iguaroçú ou Hyguarassú. Por Aramama escrevem hoje Guaramáma. [Páginas 323 e 324 do pdf]

21 - Capítulo XXIV - Não podemos deixar de fazer reparo, em que se escreva aqui Tapocuru o nome, que no capítulo seguinte se imprime Itapocuru; devendo ser Itapocurú, nome do rio, a que os primeiros exploradores chamaram de São Jerônimo, como se deduz do mapa de João Ruysch, que acompanha a edição de Ptolomeu, de Roma (em 1508), e igualmente de Lazaro Luiz (em 1563), que pertence á Academia, e do de Fernão Vaz Dourado (em 1571), existente no Real Archivo da Torre do Tombo. [p. 326]

Conclusão

Em resumo estabelecemos que Gabriel Soares de Souza passou ao Brasil, logo que elrei D. Sebastião subiu ao trono, e que tendo residido 17 anos neste Estado escreveu muitos apontamentos, e depois voltou á Europa, e foi a Madrid requerer. Nesta capital do império hispânico arranjou de todo a sua obra, e no 1o. de março de 1587 a ofereceu a D. Chistovam de Moura. - Apenas não tinham passado dez anos quando a viu ainda com o nome do autor (que depois veio a perder-se) e dela copiou Pero de Mariz para os seus Dialogos de Varia História. [p. 424]



Notícias pra a História e Geografia das nações ultramarinas
Data: 01/01/1836
Página 320 do pdf
ID: 13305


Registros mencionados

1508
Geographia de Ptolomeu
Atualizado em 13/02/2025 06:42:31

• Fontes (1)

• Imagens (1)

• Temas (1): Geografia e Mapas

1557
Gabriel Soares de Sousa chegou ao Brasil / Primo do "Caçador de Eldorado (1557 ou 1569?)
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• Fontes (2)

• Imagens (1)

• Pessoas (1): Gabriel Soares de Sousa (17 anos)

• Temas (2): Lagoa Dourada; Rio São Francisco

• Cidades (3): Ivaiporã/PR; Salvador/BA; Sorocaba/SP

1563
Atlas de Lazaro Luiz
Atualizado em 13/02/2025 06:42:31

• Imagens (1)

• Temas (1): Geografia e Mapas

1571
Mapa de Fernando Vaz Dourado
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• Imagens (1)

• Temas (1): Geografia e Mapas

1589
Impressa a Dedicatória de Gabriel Soares de Souza a D. Christovam de Moura
Atualizado em 13/02/2025 06:42:31

• Pessoas (2): Cristóvão de Moura e Távora (51 anos); Gabriel Soares de Sousa (49 anos)

1594
Diálogos de varia historia, 1° edição. Autor: Pedro Mariz
Atualizado em 13/02/2025 06:42:31

• Pessoas (1): Gabriel Soares de Sousa (1540-1591)

1597
Diálogos de varia historia, 2° edição. Autor: Pedro Mariz
Atualizado em 13/02/2025 06:42:31

• Pessoas (1): Gabriel Soares de Sousa (1540-1591)

1616
World map (planiglob), by Gerardus Mercator, 1569, published by Petrus Bertius, Amsterdam, 1616, rare collectible piece
Atualizado em 13/02/2025 06:42:31

• Imagens (1)

• Pessoas (1): Petrus Bertius (51 anos)

• Temas (1): Geografia e Mapas

1619
Mapa
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• Imagens (1)

• Temas (2): Geografia e Mapas; Lagoa Dourada

1741
Biblioteca Lusitana ou Bibliotheca Lusitana, de Diogo Barbosa Machado. Publicada entre 1741 e 1759
Atualizado em 13/02/2025 06:42:31

• Pessoas (2): Diogo Barbosa Machado ; Gabriel Soares de Sousa (1540-1591)

1749
Annaes Históricos do Maranhão, Bernardo Pereira de Perredo
Atualizado em 13/02/2025 06:42:31

• Pessoas (1): Gabriel Soares de Sousa (1540-1591)

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um homem que pegou uma nação destruída, recuperou sua economia e devolveu o orgulho ao seu povo. Em seus quatro primeiros anos de governo, o número de desempregados caiu de 6 milhões para 900 mil pessoas. Este homem fez o produto interno bruto crescer 102% e a renda per capita dobrar, aumentou os lucros das empresas de 175 milhões para 5 bilhões de Marcos e reduziu uma hiperinflação, a no máximo 25% ao ano. Este homem adorava música e pintura e quando jovem imaginava a seguir a carreira artística.

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