O incrível mistério dos mapas antigos (quase) perfeitos, Marta Leite Ferreira, O Observador.pt
Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
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Foram desenhados há 800 anos e ainda poderiam ser utilizados hoje em dia. Ninguém conseguiu descobrir como é que os cartógrafos conseguiram criar mapas tão precisos. Mas há pistas.
John Kessler começou a trabalhar na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos depois de passar uma temporada a estudar as borboletas dos Alpes. Era lepidopterologista na altura, um nome complicado para quem explora estes insetos. Para tentar encontrar relações entre as várias espécies alpinas olhava para as asas e tentava encontrar diferenças e semelhanças: quanto mais parecidas em formato, maior seria a proximidade da espécie.
O que têm as borboletas e os mapas antigos em comum? É que nos primeiros tempos a trabalhar como especialista em cartografia moderna na instituição cultural mais antiga dos Estados Unidos, Kessler deparou-se com um mapa de 1559 tão preciso que ainda seria possível navegar hoje a partir dele. O mar Mediterrâneo estava representado de forma muito semelhante aos mapas de hoje, a costa italiana era fiel à realidade e o estreito de Gibraltar também. Mas como foram desenhados estes mapas numa altura em que a tecnologia não permitia ter perfeita noção das dimensões e das fronteiras dos continentes? Foi com esta pergunta em mente que Kessler decidiu comparar os mapas antigos com os modernos através de um método parecido ao que usava quando estudava borboletas.
O mapa que Kessler encontrou na Biblioteca do Congresso é portulano. Os mapas portulanos, explica a James Ford Bell Library da Universidade de Minnesota, são cartas de navegação criadas a partir do século XIII com uma precisão estranhamente alta para um tempo em que os cartógrafos não tinham acesso a meios fiáveis de analisar a geografia da Terra. São diferentes dos modernos, ainda assim: têm cores acastanhadas, linhas rústicas e algumas lacunas na geografia interior dos continentes. Mas parecem ter sido feitos por um cartógrafo a bordo de uma nave espacial enquanto orbitava a Terra.
Aquele que Kessler encontrou, do século XVI, lançou-o numa aventura para descobrir métodos matemáticos que os cartógrafos utilizaram na época para desenhar os portulanos: “Mesmo com toda a informação que ele teve, com os apontamentos de todos os marinheiros e todas as descrições dos jornais eu não saberia fazer o mapa que ele fez”, admitiu ele à Discover Magazine.
#1 Como foi que um cartógrafo do século XVI conseguiu desenhar a Terra numa superfície plana?
Conforme explica o especialista em cartografia, um dos primeiros desafios de quem desenha um mapa da Terra é transpor para uma folha plana algo que se encontra numa esfera. Hoje, esse obstáculo é ultrapassado através de um método chamado “projeção Mercator”, indica o Wolfram, que transforma as linhas de latitude e de longitude numa grelha com linhas horizontais e verticais.
Ora, este foi um problema que também se apresentou aos cartógrafos do século XVI. E também eles o contornaram, mas através de outro método. O que Kessler concluiu é que os cartógrafos de mapas portulanos utilizavam um sistema de 16 direções (norte, sul, este, oeste, noroeste, sudeste e por aí adiante) que tinham uma função semelhante à grelha que vemos nos mapas modernos: serviam de referência para a projeção da Terra para o tecido onde era desenhada.
#2 Como é que um cartógrafo desenhou as costas dos continentes com tanta precisão?
Quando começou a analisar o primeiro mapa portulano, John Kessler julgava que o primeiro cartógrafo deste tipo de mapas se tivesse guiado por apenas duas fontes de informação: os apontamentos de um único marinheiro e as apreciações tiradas de uma única viagem, em que o barco saira de um determinado porto e dava uma volta completa até voltar ao mesmo ponto. Mas depressa percebeu que esta não seria uma solução viável: bastava que uma corrente estragasse os planos para a rota da viagem se alterar e o desenho sair defeituoso. Portanto, nunca haveria mapas iguais e com localizações certas.
Por isso, decidiu mudar de estratégia: o especialista pegou nos mapas modernos e desenhou as localizações dos portos do Mediterrâneo nos mapas portulanos de pele. Claro que não coincidiam. A não ser que se girassem as localizações dos mapas modernos 8.5º no sentido contrário ao ponteiro dos relógios. Esta descoberta só trouxe mais dúvidas. Depois de analisar um livro de modelos matemáticos da época, descobriu que a resposta estava nas bússolas: o norte magnético não era o verdadeiro (indicado pela Estrela Polar) e a diferença entre os dois podia variar no tempo e no espaço. Os mapas modernos corrigem esta diferença. Os antigos não.
Mas a diferença não era uniforme em todo o mapa: em alguns sítios só variava seis graus do norte verdadeiro, noutros chegava quase aos 8.8º. Esta era a pista que Kessler precisava para estar mais seguro de que o mapa havia sido desenhado através de observações em tempos diferentes: dos livros contemporâneos a outros mapas portulanos. Portanto, os cartógrafos só utilizaram os dados mais precisos que tinham nas suas mãos, provavelmente com recurso a mapas anteriores e confrontando-os com os dados matemáticos em vigor na altura para o estudo da geografia.
Brazil: of the Noble Class, of Loves, and of Letters.... Data: 01/01/1640 Créditos/Fonte: Joan Blaeu (1596-1673) (mapa
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O que é História?
Abraham Lincoln (1809-1865) dizia que "se não for verdade, não é História. Porém, é possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade.
Existiu um homem que pegou uma nação destruída, recuperou sua economia e devolveu o orgulho ao seu povo. Em seus quatro primeiros anos de governo, o número de desempregados caiu de 6 milhões para 900 mil pessoas. Este homem fez o produto interno bruto crescer 102% e a renda per capita dobrar, aumentou os lucros das empresas de 175 milhões para 5 bilhões de Marcos e reduziu uma hiperinflação, a no máximo 25% ao ano. Este homem adorava música e pintura e quando jovem imaginava a seguir a carreira artística. [28174] Você votaria neste homem Adolf Hitler (1889-1945)?
Quantos ou quais eventos são necessários para uma História? Segundo Aluf Alba, arquivista do Arquivo Naciona: o documento, ele começa a ser memória já no seu nascimento, e os documentos que chegam no Arquivo Nacional fazem parte de um processo, político e técnico de escolhas. O que vai virar arquivo histórico, na verdade é um processo político de escolhas, daquilo que vai constituir um acervo que vai ser perene e que vai representar, de alguma forma a História daquela empresa, daquele grupo social e também do Brasil, como é o caso do Arquivo Nacional.
É sempre um processo político de escolha, por isso que é tão importante termos servidores públicos posicionados, de pessoas preparadas para estarem atuando nesse aspecto.
Mary Del Priori, historiadora:
Nós temos leis aqui no Brasil, que são inclusive eu diria bastante rigorosas. Elas não são cumpridas, mas nós temos leis para arquivos municipais, estaduais e arquivos federais, que deveriam ser cobradas pela própria população, para manutenção desses acervos, acervos que estão desaparecendo, como vimos recentemente com o Museu Nacional e agora com a Cinemateca de São Paulo. E no caso dos arquivos municipais, esses são os mais fragilizados, porque eles tem a memória das pequenas cidades e dos seus prefeitos, que muitas vezes fazem queimar ou fazem simplesmente desaparecer a documentação que não os interessa para a sua posteridade. Então esse, eu diria que essa vigilância sobre o nosso passado, sobre o valor dos nossos arquivos, ainda está faltando na nossa população.
Lia Calabre, historiadora:
A memória de Josef Stálin inclusive, ela serve para que não se repitam os mesmos erros, ela serve para que se aprenda e se caminhe. Os processos constantes de apagamento. Existe um depósito obrigatório de documentação que não é feita, na verdade se a gente pensar, desde que a capital foi para Brasília, os documentos não vieram mais para o Arquivo Nacional. [4080]
Quantos registros?
Fernando Henrique Cardoso recupera a memória das mais influentes personalidades da história do país.
Uma das principais obras do barão chama-se "Efemérides Brasileiras". Foi publicada parcialmente em 1891 e mostra o serviço de um artesão. Ele colecionou os acontecimentos de cada dia da nossa história e enquanto viveu atualizou o manuscrito. Vejamos o que aconteceu no dia 8 de julho. Diz ele:
- Em 1691 o padre Samuel Fritz, missionário da província castelhana dos Omáguas, regressa a sua missão, depois de uma detenção de 22 meses na cidade de Belém do Pará (ver 11 de setembro de 1689).
- Em 1706 o rei de Portugal mandou fechar uma tipografia que funcionava no Recife.
- Em 1785 nasceu o pai do Duque de Caxias.
- Em 1827 um tenente repeliu um ataque argentino na Ilha de São Sebastião.
- Em 1869 o general Portinho obriga os paraguaios a abandonar o Piraporaru e atravessa esse rio.
- Em 1875 falece no Rio Grande do Sul o doutor Manuel Pereira da Silva Ubatuba, a quem se deve a preparação do extractum carnis, que se tornou um dos primeiros artigos de exportação daquela parte do Brasil.
Ainda bem que o barão estava morto em 2014 julho que a Alemanha fez seus 7 a 1 contra o Brasil.
(...) Quem já foi ministro das relações exteriores como eu trabalha numa mesa sobre a qual a um pequeno busto do barão. É como se ele continuasse lá vigiando seus sucessores.
Ele enfrentou as questões de fronteiras com habilidade de um advogado e a erudição de um historiador. Ele ganhava nas arbitragens porque de longe o Brasil levava a melhor documentação. Durante o litígio com a Argentina fez com que se localiza-se o mapa de 1749, que mostrava que a documentação adversária estava simplesmente errada.
Esse caso foi arbitrado pelo presidente Cleveland dos Estados Unidos e Rio Branco preparou a defesa do Brasil morando em uma pensão em Nova York. Conforme registrou passou quatro anos sem qualquer ida ao teatro ou a divertimento.
Vitorioso nas questões de fronteiras tornou-se um herói nacional. Poderia desembarcar entre um Rio, coisa que Nabuco provavelmente faria. O barão ouviu a sentença da arbitragem em Washington e quieto tomou o navio de volta para Liverpool. Preferia viver com seus livros e achava-se um desajeitado para a função de ministro.