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Revista Paulista de Medicina No. 7 - Suplemento Cultural

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JAN.
01
HOJE NA HISTóRIA
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1981
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Afonso Farinha, em 1556, com seus parentes e moradores vicentinos Cipriano e Vicente de Góis, Pedro Colaço, Manuel Fernandes, Domingos Vaz e João Pires Gago, dedica-se ao tráfico de indígenas, indo até as terras do rio da Prata. [Página 10 do pdf]

e antigas greis, de São João d´EIRei,de Airuoca, de Baependi, de Machado,de Boa Esperança, de S. Tomás deAquino, de Três Corações e da gloriosaVila Rica; sangue e arrojo, labor e des-temor dos Vilela dos Reis, Couto Rosa,Pintos, Bernardes, Andrades, Montei-ros, Vicira Martins, e tantos mais, paranós numes tutelares de nossa mais fúl-gidas rememorações. Mas, com orgu-lho e ufania, posso lembrar-vos queme ligam a esta Jerusalém de meus so-nhos e anseios, a esta terra, multipla-mente estremecida, ancestrais chegadosainda antes das entradas, antes mesmodas visões de Independência, dos desa-fios de Felipe dos Santos e das afirma-ções de Claudio, Gonzaga, Alvarenga eSilva Xavier.

Preclaro Presidente, Eminentes Pares

Na luta contra a mourama, na gesta da Reconquista da Península Ibérica, umdia partiu O conde Enrique de Borgonha, e com ele o fidalgo asturiano, deestirpe visigótica, d. Anião Estrada, das terras de Oviedo, Bemenes e Covadonga, e tão bem se houve, por leal e intrépido, em porfias de destemor, que assentou-se para todo o sempre em terras de Portugal, com foros de homem de prol, a receber o esplendoroso Buçaco, já agora senhor de Penacova, Lorvão, da vila de Góis e da Farinha Podre. Seu neto Salvador Pires ficou para sempre no Campo do Ourique e seu bisneto Afonso Farinha, o primeiro de nosso nome, cavaleiro principal dos Hospitalários jaz debaixo do altar principal do Mosterio de Santa Cruz, na cidade conimbricense, no velho Aeminio; e honra insigne a ladeá-lo as tumbas santificadas de Afonso Henriques e Sancho I, o Povoador, raízes e frondes da gloriosa nacionalidade, que passou além da Taprobana, a fim de dilatar um império e afirmar a fé em Cristo.O sempre saudoso e precioso infor-mativo Francisco de Assis CarvalhoFranco, estudioso de Bandeirantes e Ser-tanistas, enumera alguns dos mais an-tigos de minha grei nesta Terra de San-ta Cruz, fundamentando-se inclusivenas fontes indiscutíveis de Fuente Ma-chain, o historiador do Prata, do Pa-raguai e dos conquistadores do NovoMundo.

Afonso Farinha, em 1556, com seus parentes e moradores vicentinos Cipriano e Vicente de Góis, Pedro Colaço, Manuel Fernandes, Domingos Vaz e João Pires Gago, dedica-se ao tráfico de indígenas, indo até as terras do rio da Prata. Francisco Pires Farinha, sertanista nas Minas Gerais, em 1767, foi nomeado capitão e cerador dos Índioscoropós e coroados, da raça purí, habitantes das zonas do rio Pomba. Eao citar, de passagem Manuel Farinha, Sertanista de São Paulo, que em 1565se encontrava no Paraguai, traficando indígenas, relembrou outro Manuel Pires Farinha, também sertanista em Minas Gerais, entrado em 1786 pelo sul do Guarapiranga, indo até os Coroados no rio Pomba, sempre a sertanejar, durante mais de vinte anos, nessa região.

Numa conclusão, julgada definitiva, dizia terem sido estes sertanistas os que,em saudade do penates e nostalgia do núcleo familiar, denominaram de Fari-nha Podre aos sertões até então indevassados, a relembrar para sempre avila de mesmo nome, donde vinham e eram nados.

Todos autores concordam que foi conhecida toda, a inteira zona do Triângulo Mineiro como Farinha Podre, a mesma denominação da Pátria desses penetradores, vila do Concelho de Penacova, Bispado de Coimbra, sita a 30 quilometros deste. S, Paio de Farinha Podre, freguezia situada, nos tempos de dantes, na Comarca e Concelho de Talma e que tinha como orago S. Paio, e após 1880, simplesmente a vila de Carvalho, naquelas serranias, junto a Louzã e fronteira à Serra da Estrela.

O douto historiador de Uberaba, Antonio Borges Sampaio, escreveu belas“Lendas dos Bandeirantes”, fundamentado em autores de nomeada (CapitãoManoel Rodrigues Cunha Matos, Vigário Antonio José da Silva, Pedro Gon-çalves da Silva, Cônego Herogeos Casimiro Araujo Bruons Wik), a afirmaremtodos “que os primeiros entrantes no Triângulo Mineiro enterravam provi-sões de boca e que no regresso encontravam-nas apodrecidas (vide RevistaArquivo Público Mineiro XIV, págs. 281 e outras).

O inclito historiador Waldemar de Almeida Barbosa em seu explendido “Dicionário Geográfico de Minas Gerais”, publicado em Belo Horizonte em 1971, entende que “o nome de Farinha Podre teve origem pela denominação dada por originários da Vila do mesmo nome em Portugal e que pelas bandeiras lá penetraram”,

E é por tudo isso, e muito mais, quepor Minas Gerais, de lés a lés, percor-ro seus caminhos, ufano, ledo, alegrecomo que no Olimpo, nos Eliseus, noCanaã pretendido. Penso que aindamais, por tal, amo e amarei Minas aci-ma de Todas as Cousas, como o tenhofeito com meu São Paulo, um dia tam-bém romanesco e belo.

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len:2963
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EMERSON


01/01/1981
ANO:74
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