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Temporalidades –Revista de História, ISSN 1984-6150, Edição 25, V. 9, N. 3 (set./dez. 2017)132A Inquisição ou o cativeiro? A trajetória de dois escravizados degredados pelo Santo Ofício português The Inquisition or the captivity? The trajectory of two enslaved people exiled by the Portuguese Holy Office

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Temporalidades –Revista de História, ISSN 1984-6150, Edição 25, V. 9, N. 3 (set./dez. 2017)132A Inquisição ou o cativeiro? A trajetória de dois escravizados degredados pelo Santo Ofício português The Inquisition or the captivity? The trajectory of two enslaved people exiled by the Portuguese Holy Office

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Temporalidades –Revista de História, ISSN 1984-6150, Edição 25, V. 9, N. 3 (set./dez. 2017)132A Inquisição ou o cativeiro? A trajetória de dois escravizados degredados pelo Santo Ofício português The Inquisition or the captivity? The trajectory of two enslaved people exiled by the Portuguese Holy Office


JAN.
01
HOJE NA HISTóRIA
\\windows-pd-0001.fs.locaweb.com.br\WNFS-0002\brasilbook3\Dados\cristiano\hoje\01-01total.txt
2017
13/10/2025 00:46:01
    
    
    


Belém do Pará serão as razões novamente alegadas perante o Santo Ofício para ter cometido o delito de fé como iremos ver. Francisco recebe uma hóstia em comunhão, a retira da boca, e guarda-a em um papel e posteriormente vai mostrá-la a Manoel Álvares Chaves, mercador em Belém e familiar do Santo Ofício. Este afirma que “um preto que não conhecia [teria] comungado na Igreja do Convento de Nossa Senhora das Mercês desta Cidade, e extraído da sacrílega boca a Sagrada Forma, que envolta em um papel lhe fora mostrar à sua casa”. Francisco teria perguntado a Manoel se teria “obrado mal” em fazê-lo 61. Ele é preso pelo vigário capitular do Grão-Pará Geraldo José de Abranches. Ao ser indagado sobre as razões que tivera para furtar a hóstia, Francisco responde que só diria aos inquisidores de Lisboa, “porque se achava em uma terra aonde não via, nem observava obrar-se coisa alguma com verdadeira cristandade, e que por isso se resolvera a fazer o que fez com o pensamento e desejo de ser levado ao Santo Ofício da Inquisição, aonde diria tudo o que agora não declarava”62.

Ainda em Belém do Pará, afirma Xavier ao Frei Cláudio José de Santa Catarina que o mundo era governado pelos donos do poder e não por Deus: — Padre, não me dirá quem fez o Mundo. E admirando-se ele testemunha da pergunta, lhe respondera logo:— Fê-lo Deus.Ao que o dito preto tornou a dizer:— Não pode ser, porque no Mundo há quem possa mais que Deus.E perguntando-lhe ele testemunha: — Quem era no Mundo que podia mais que Deus.Ele respondeu:— Muitos, que fazem o que querem63.

O poder discricionário dos senhores aparece continuamente nas linhas deste processo. Francisco Xavier alega ser muito maltratado na casa de seu senhor e aparentemente este o deixava passar fome e necessidade na prisão de Belém. Segundo as Ordenações Filipinas, os escravizados presos deviam ser sustentados pelos seus senhores quando se encontravam encarcerados 64. Mas uma prática recorrente foi o abandono por parte dos senhores quando estes avaliavam que o custo da prisão de seus cativos era mais alto do que o próprio valor de venda do escravizado 65 [p. 148]



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EMERSON


01/01/2017
ANO:185
  testando base


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