ao seu falecimento. Aprendeu com Anchieta a língua dos naturais do Brasil. Narra a tristeza dos índios pela morte de Anchieta: cerca de 3.000 deles acompanharam o cortejo fúnebre até Vitória!9- Manoel Nunes (ouvido a 18 de agosto de 1620), natural de Lisboa, fora da Porta do Sol, com cerca de 60 anos de idade, 40 de Brasil, filho de Diogo Fernandes e de Francisca Nunes. Tem vivido no Rio e no Espírito Santo. Conheceu-o por quase 20 anos, no Rio e na capitania de São Vicente. Acompanhou-o em algumas viagens. Assistiu a sua morte em Reritiba.10-João de Sousa Pereira (ouvido a 23 de agosto de 1620), natural de Lis-boa, com cerca de 80 anos de idade, filho de Francisco de Sousa Pereira e de Inês de Brito de Carvalhais. Desde 1572 conheceu Anchieta em São Vi-cente.11-Antonio de Saavedra (ouvido ao 1º de novembro de 1620), natural de Castela, com cerca de 63 anos de idade (não cita filiação). Cidadão do Rio de Janeiro, vivia há uns 40 anos no Rio, bem como na capitania de São Vi-cente. Em São Vicente e também no Rio conheceu o Padre Anchieta por 25 ou 26 anos, tendo com ele viajado algumas vezes. Anchieta não permitiu que embarcasse, por duas vezes, no navio que navegaria para a Bahia: per-deram-se ambos os navios!12-Martim de Sá.13-Jerônimo Veloso Cubas.
14-Maria Escórcia (ouvida a 26 de outubro de 1620), natural de São Vicente, com cerca de 49 anos de idade, filha de Manoel da Luz e de Bárbara Rodrigues. Aprendeu com ele o catecismo, em São Vicente.
15-Crispim da Cunha (ouvido a 3 de novembro de 1620), natural de Évora, de 66 para 67 anos de idade, filho de Duarte Vaz Tenreiro e de Ana Gonçal-ves. Conheceu-o por 12 anos, sendo ele provincial nesta cidade.16-Antonio Borges (ouvido a 3 de novembro de 1620), escrivão substituto, natural da capitania do Espírito Santo, com cerca de 40 anos de idade, filho de João Dias d"Ornellas e de Francisca da Silva. Conheceu-o e dele apren-deu a doutrina com outros meninos, vivendo na Casa de Santiago, prestando serviços. Contou o caso em que um tal de Gaspar Carvalho Benavente devia à avó dele, Antonio, a quantia de 20$000 (vinte mil réis). Sua avó havia per-dido o recibo e Gaspar negava a dívida. Antonio Borges, a mando de sua avó, foi pedir a Anchieta que rezasse uma missa a Nossa Senhora do Rosá-rio para achá-lo. Encontraram-no envolvido na capa! E a dívida foi paga..17-Francisco Domingues (ouvido a 7 de novembro de 1620), natural de Arcozelo de Maio, bispado de Lamego, com cerca de 90 anos de idade, filho de Pero Domingues e de Isabel Lopes. Já estava no Brasil havia 50 anos, conhecendo-o de 40 anos a esta parte. Narrou um milagre acontecido com ele: estava muito mal, andando de muletas, e foi ao Colégio visitar ao Padre Anchieta. O qual, o vendo assim, lhe disse que não havia mais de trazer muletas. Mostrando ser impossível viver sem as muletas, Anchieta as tirou dele e lhe deu um bordão. Chegou até a sarar. Ainda hoje anda são e valenou até a sarar. Ainda hoje anda são e valen-te, sem nunca mais ter tido a tal enfermidade.[p. 13]ao livro, pedira ao Bispo do mesmo estado mandasse passar carta de exco-munhão para o responsável pelo desaparecimento do dito livro. Devolvendo o livro, Anchieta absolveu-o e logo veio bom tempo que os fez chegar sãos à dita vila, onde foram recebidos com festa e ele por santo. Foram também companheiros desta viagem o Padre Francisco Soares, o Irmão Francisco Dias, João Fernandes, mestre do navio e muitos outros.24-João Gomes Sardinha (ouvido a 5 de janeiro de 1621), natural de Porto Seguro, com cerca de 75 anos de idade, filho de Gaspar Sardinha e de Feli-pa Gomes. Conheceu ao Padre Anchieta de 45 anos a esta parte, tanto nes-ta cidade como na vila de São Paulo. Acompanhou-o em viagens. Contou um caso, acontecido na véspera de Natal, haverá 44 anos, na vila de São Paulo, na casa de Santo Inácio. Tendo acabado de dizer a missa do galo o dito Padre José, este encostou-se em uma cadeira na sacristia, quando veio o Irmão Leão comunicar que não havia vinho para as missas que os padres queriam dizer. Respondeu-lhes o Padre José que fosse à botija. E suplican-do-lhe o irmão, que já a escorrera e não tinha nada, o padre lhe tornara a dizer que fosse e acharia vinho. E encontrou a botija cheia de vinho e a trou-xera com grande contentamento, alegrando-se todos, estando entre os pre-sentes ele testemunha, e Baltazar Gonçalves, morador na vila de São Paulo, que hoje vive.25-Padre Francisco da Silva (ouvido a 4 de março de 1621), natural do Rio de Janeiro, com cerca de 48 anos de idade, filho de Jerônimo Leitão e de Jerônima Fernandes. Conheceu-o de 38 anos a esta parte aqui nesta cida-de, sendo menino de cerca de 10 anos e o acompanhou muitas vezes. Co-nheceu-o também na capitania de São Vicente. Narrou um caso acontecido ali, no Engenho dos Erasmos, onde faltava vinho para as festas. Disse o Padre José que não se desconsolassem, porque no dia seguinte haveria de entrar um navio de Portugal que vinha para o mesmo engenho. Sucedeu assim..26-Margarida Gonçalves (ouvida a 9 de novembro de 1621), natural da vila de Santos, com cerca de 40 anos de idade, filha de Domingos Dias e de Grácia Rodrigues. Era viúva de Antonio Soares. Conheceu ao Padre Anchi-eta sendo menina, o qual era muito amigo de seu pai, Domingos Dias, e ia muitas vezes à casa deles. Por espaço de 4 anos o conheceu na capitania de São Vicente.
27-Inácio da Luz (ouvido a 15 de novembro de 1621), cidadão, natural de São Vicente, com cerca de 58 anos de idade, filho de Manoel da Luz e de Maria da Costa. Conheceu muitos anos ao Padre Anchieta, sendo ele irmão e depois sacerdote de missa, reitor e provincial. Foi seu mestre e lhe ensinou a ler e a escrever. Ajudou-o muitas vezes na missa e assistiu na casa da Companhia portas adentro, onde o dito padre residiu muito tempo. Disse ser público e notório que Anchieta trazia cilício e tomava disciplinas. Sendo ele testemunha de 13 para 14 anos, na capitania de São Vicente, tomando o Padre Anchieta a lição dele testemunha e de outros, dissera que o dia dan-tes, que fora 5 de agosto, dia de Nossa Senhora das Neves, se perdera o Reino de Portugal, porque se havia perdido El-Rei Dom Sebastião em África (4 de agosto de 1578); eram seus condiscípulos Matias de Oliveira, Pascoal 16 Qualificação e Depoimento das Testemunhas dos ProcessLeite, Estevão Ribeiro e outros. Daí a três meses vieram novas do Reino, como a de que El-Rei Dom Sebastião havia falecido, sendo no mesmo dia em que o Padre havia dito. Seu pai, Manoel da Luz, já falecido, viu Anchieta levantado do chão, estando em oração no Coro da Companhia de São Vicente. Seu cunhado, João de Sousa Pereira, casado com sua irmã Maria Escórcia, tendo ido para o sertão, deixou sua mulher na capitania de São Vicente. Correndo fama de que seu cunhado era morto, para lá foi buscar sua irmã, ele testemunha, a esta cidade. O Padre José a mandou chamar, dizendo-lhe que seu marido estava vivo e em poucos dias chegaria com saúde, como na verdade veio, ele e os demais. Indo-se ele testemunha, da capitania do Rio para a do Espírito Santo, viu-o despedir-se de sua mãe (madrasta) Bárbara Rodrigues, e de muitos outros mais, de que não o veriam mais; assim foi, porque lá faleceu. Narrou ainda um fato acontecido na vila de São Vicente, onde se estava a representar uma obra santa ao longo da igreja. Havia grandes relâmpagos e trovões e as pessoas que ali estavam começaram a se retirar. Disse Anchieta que não se fossem, porque não haveria de chover. E assim foi, porque em 3 horas que a dita obra durou, não choveu. E, recolhendo-se, caiu muita água.
28-Duarte Nunes da Cunha (ouvido a 22 de abril de 1622), natural do Rio de Janeiro, com cerca de 26 anos de idade, filho de Domingos Nunes Sardi-nha e de Maria da Cunha. Contou sobre a cura de um netinho de Lourenço de Sampaio, filho de Antonio de Mariz e de sua filha Paula da Cunha.29-Antônia Rodrigues (ouvida a 23 de abril de 1622), mulher do cidadão Manoel dos Rios (?), natural de Porto Seguro, com cerca de 61 anos de ida-de, filha de Duarte Nunes e de Maria Fernandes. Conheceu ao Padre Anchi-eta há mais de 40 anos na Bahia, no Porto Seguro e no Espírito Santo. Co-nhecia-o também porque o padre José foi muitas vezes à casa de seu pai, de quem era amigo. Morando ela testemunha na Bahia, no Engenho d"El-Rei, e indo o Padre José à sua casa um dia, como costumava ir outros mui-tos e comendo lá, pediu-lhe lhe dar um par de talhadas de abóbora em con-serva. Não havia na casa porque as não tinha feito, certificando-se uma vez mais ao olhar o pote. Disse-lhe Anchieta que obedecesse, que a fosse bus-car e lhe trouxesse três talhadas de abóbora. Tornando a ver o mesmo pote, achara as três talhadas de abóbora, que as pôs no prato. Anchieta se pôs a rir...30-Lourenço de Sampaio (ouvido a 30 de abril de 1622), lavrador, natural do Rio de Janeiro, com cerca de 50 anos de idade, filho de Antonia de Sam-paio e de Maria Coelho. Conheceu ao Padre Anchieta, assim nesta cidade como na capitania de São Vicente e falou muitas vezes com ele. Ouviu de sua sogra, Maria de Oliveira, que indo o dito padre para Magé, termo desta cidade, em companhia de seu sogro João de Basto e de Aires Fernandes, já defuntos, e querendo lá o padre dizer missa, lhe pedira o meu sogro enco-mendasse a Nosso Senhor a Maria de Oliveira, que andava para parir. Res-pondeu-lhe o padre que não era necessário, que já parira. Contou um caso de milagre com a utilização de uma relíquia do Padre José. Finalizou com o caso de seu netinho, de 8 meses, filho de Antonio de Mariz e de sua filha Paula da Cunha, que estando dois dias e duas noites sem mamar, nem levar 17[p. 15, 16]Processo Apostólico de Évora - ano de 1626:Testemunhas ouvidas no convento de Salvador, da Ordem de Santa Clara, em Évora. Era Procurador o Padre Estevão do Couto:1- Cônego Pedro Álvares Correia (ouvido a 27 de abril de 1626), licencia-do. Natural do Espírito Santo, Brasil, com 36 anos de idade, filho de Miguel de Azeredo e de D. Luiza Correia. Seu pai possuía relíquias de Anchieta, como um dente e “muitas cartas”, trazidas do Brasil. Anchieta esteve presen-te no engenho de seu pai.
2- Dona Luiza Correia (ouvida a 29 de abril de 1626), natural de Lisboa, com cerca de 65 anos de idade, filha de Pedro Álvares Correia e de Antonia de Abreu. Conheceu muito bem ao Padre Anchieta, o qual freqüentava sua casa no Espírito Santo, onde ela viveu 44 anos com seu marido Miguel de Azeredo. Seu marido recebeu um quadro de doação do Padre Anchieta.
3- Dona Luiza Grimaldi das Chagas (ouvida a 30 de abril de 1626), freira professa do Mosteiro de Nossa Senhora do Paraíso, da Ordem dos Prega-dores, natural de Nice, Itália, com cerca de 85 anos de idade, filha de Pedro Álvares Correia e de Catarina Grimaldi. Conhecera muito bem ao Padre Anchieta, que fora seu confessor, quando era vivo seu marido Vasco Fer-nandes Coutinho. Anchieta assistiu a morte de seu marido.
4- Madre Beatriz do Espírito Santo (ouvida a 30 de abril de 1626), natural do Espírito Santo, com cerca de 40 anos de idade, filha de Miguel de Azere-do e de D. Luiza Correia. Anchieta profetizara que seu pai nunca seria rico, mas nada lhe faltaria. Rezou missa na capela do engenho do pai. Ela guar-dava o quadro de Nossa Senhora que Anchieta dera a seu pai. Assinou Sor Brites do Espírito Santo.5- Madre Cândida de São Domingos (ouvida a 29 de abril e 1626), natural do Espírito Santo, com cerca de 36 anos, filha de Miguel de Azeredo e de D. Luiza Correia. Foi batizada por Anchieta. Assinou.6- Sebastião Cubelos (ouvido a 4 de maio de 1626), natural de Évora, de cerca de 50 anos de idade, filho de Pero Simões de Sá e de Joana da Mata. Não deve ter conhecido Anchieta pessolmente.7- Miguel Severim de Faria (ouvido a 4 de maio de 1626), Chantre, natural de Lisboa, filho de Gaspar Gil Severim e de Juliana de Faria.8- Madre Serafina do Salvador (ouvida a 6 de maio de 1626), abadessa do Convento do Salvador, da Ordem de Santa Clara, natural de Viseu, de cerca de 45 anos de idade. Disse que havia uma relíquia de Anchieta no convento (vértebra do pescoço).9- Sor Catarina da Encarnação (ouvida a 6 de maio de 1626), natural de Évora, com cerca de 38 anos de idade, filha de Paulo Ramalho e de Isabel Simões................................................... [p. 27]