Só em 1855 foi executado o cordoamento definitivo do lado esquerdodaquela via pública, para servir de base aos pedidos de alinhamento feitos poraqueles que quisessem ao longo dela edificar (ATAS..., 1855, v. 41, p. 55).Como era muito estreita, oficiou-se ao governo provincial no sentido de quefosse providenciado o alargamento pelo lado direito até a medida de 60 palmosou 13,22 m, largura então entendida como ideal para as ruas paulistanas(ATAS..., 1856, v. 42, p. 64). A este pedido o governo provincial anuiu em1857, ficando o mestre-de-obra (alemão ou talvez suíço) Cristiano Siegristencarregado do desmonte do barranco existente no quintal do antigo conventodos jesuítas e da construção do respectivo fecho (ATAS..., 1856, v. 42, p. 64).
Como vimos antes, na seção A cidade de São Paulo nos anos de1850: a era dos “melhoramentos materiaes”, a construção da rua Municipalfez parte de um importante conjunto de medidas de caráter viário tomadas nacidade a partir dos anos de 1850. Foi a primeira via a ser aberta na cidadenaquela década, mas como os trabalhos tiveram de ser interrompidos em funçãode vários problemas, acabou concluída depois da rua Formosa (1855), estaúltima a primeira das ruas abertas com o objetivo de formar o anel viário comque se pretendia circundar a cidade, interligando as diferentes saídas dasestradas.
A Formosa uniu o Piques [saída de Sorocaba e Campinas), a oeste,com a rua do Seminário (que seguia em direção à luz, ao norte, por onde se iapara Atibaia, Bragança e sul de Minas Gerais). As outras vias desse anel sãoposteriores: a rua Bela (25 de Março) — cuja primeira etapa é de 1858, e asegunda, de 1865 — poria em comunicação a saída norte representada pelarua da Constituição (atual Florêncio de Abreu), por meio de um beco em declive,depois denominado travessa 25 de Março (rua da Constituição), com a ladeirado Carmo, que era a saída leste, pela qual se ia ao Rio de Janeiro. À ruaRiachuelo, de 1867-1868, por seu turno, interligaria o largo do Bexiga (atualpraça da Bandeira), de onde partia a estrada de Santo Amaro (atual rua dessenome), por onde se tinha acesso ao Piques (saídas de Sorocaba e Campinas) eà saída de Santos, representada pela rua da Liberdade. Esta permitia que seatingisse, tomando-se à esquerda, a rua da Glória (antiga saída de Santos, peloCambuci e Ipiranga), e, seguindo em frente, a estrada do Vergueiro (atual ruadessa denominação], aberta às custas do fazendeiro José Vergueiro em 1863(MOTTA, 1863, p. 7).
A continuação do anel viário foi obra muito tardia, ao serem abertasa rua do Hospício (1873) (XAVIER, 1875, p. 28), hoje rua Frederico Alvarenga,e a rua Conde D´ Eu (1875), a atual rua do Glicério (XAVIER, 1875, p. 37).Em 1880, o anel seria definitivamente concluído com a rua Tamandaré (1880),que comunicaria a várzea do Tamanduateí com a rua da Liberdade (ATAS...,1880, v. 66, p. 32, 39, 44). Foi aberta por um particular com autorização daCâmara, numa época em que já havia caducado a razão fundamental dacriação do anel, pois, desde a inauguração das vias férreas paulistas,praticamente todo o transporte de mercadorias da Província passou a ser feitopor trem e não, como antigamente, por meio de tropas que atravessavam asruas da Capital. [p. 56]