Termo feito hoje, dezesseis dias do mês de dezembro, de como os oficiais da câmara se reuniram nesta casa do conselho, por ser dia de obrigação.
Aos dezesseis dias do mês de dezembro do ano de mil e seiscentos e seis, veio a esta câmara Clemente Álvares registrar algumas de suas marcas de gado, para serem guardadas na caixa da câmara e para que se fizesse traslado nos livros da câmara.
E logo chegou uma carta da câmara dos oficiais da vila riqua, dirigida aos oficiais da câmara desta vila de São Paulo. Indo o escrivão João Vieira a lê-la, por mandado do ouvidor, carta esta que o reconduzia ao exercício de seu cargo, tomou-a o juiz Domingos Roiz da mesa e saiu pela porta afora com a dita carta na mão.
E os oficiais, por tal desacatamento, lhe mandaram, por mim escrivão, sob pena de seis mil réis — destinados ao acusador e à Bula da Santa Cruzada — que entregasse a carta logo copiada.
E, impondo-lhe o escrivão a dita pena, tomou-me o dito juiz para me prender e me levava para a cadeia; e logo saíram da câmara onde estavam os oficiais e me tiraram da mão do dito juiz, que pretendia prender-me somente por eu notificar que entregasse a dita carta, a qual vinha da vila rica.
E eu, escrivão, a quem del-rei, notificava que me prendia o dito juiz Domingos Roiz por eu cumprir mandado dos oficiais, a saber: o vereador Álvaro Neto e Luís Fez, seu parceiro, e o juiz Antônio Roiz, e o procurador Francisco de Siqueira, digo, procurador do conselho.
E, para verdade, se assinaram comigo, escrivão, hoje dezesseis do mês acima dito, do ano de mil e seiscentos e seis.
João Vieira Sarmento — Álvaro Neto — Luís Fez — Francisco de Siqueira — Antônio Roiz. [p. 171]
Registo de roias de quelemente ai-veres.
Ata da vila de São Vicente, em que o capitão e governador por Sua Majestade, o senhor Lopo de Sousa, estando a fazer câmara, os vereadores desta dita vila — a saber, Álvaro Neto, vereador, e seu parceiro Luís Fez, e o juiz Antônio Roiz, e o procurador do conselho Francisco de Siqueira — logo perante ele apareceu Clemente Álvares, morador nesta vila, por ele dito aos ditos oficiais e declarado que vinha manifestar certas minas que tinha descoberto de veios, sendo uma de manta de ouro.
A saber, os lugares: primeiramente, a de manta em Jaraguá, ao sopé da primeira serra que se sobe quando se vai de São Paulo para Jaraguamirim; fica a dita mina no derradeiro ribeiro, num braço dele, à banda direita quando se vai pelo caminho ao nascente.
Mais outra mina da outra banda de Jaraguamirim, de veio, num ribeiro grande, correndo a rumo de norte a sul, pouco mais ou menos.
E assim mais outra no limite de Parnaíba, ao sopé da primeira serra grande, indo de Parnaíba à banda direita, a mais ou menos uma légua, quando se vai a Parnaíba; da qual mina apresentou em câmara duas pedras dela, as quais ficam metidas na caixa da câmara.
E assim mais declarou, no sertão, à saída do nosso mato ao campo, no caminho de Ybitiruna, do nosso rio de Anhangem até o ribeiro grande, seis veios de minas: dois veios atravessam o caminho geral, ao rumo de norte e sul; outros dois ficam no próprio rumo da outra banda dos outros morros, quando o homem está com o rosto para a banda do norte, ficando eles para as costas do homem; e os outros dois para a banda do rio de Anhangem, cortando o rumo do sol do nascente para o poente, pouco mais ou menos, por uma quebrada grande de uma serra, os quais vão ao longo, um do outro.
E assim mais declarou que o ribeiro grande da estância se chama Apiterobi; e assim mais declarou outras minas da outra banda da ribeira grande, sendo a primeira no mais alto monte, por onde passa o caminho geral, o qual se passa por cima dela. Indo e vindo pena o sertão e o rumo dela fica do fluente ao ponente pouco mais gu menos e assim mais declarou
Outra veia junto de um ribeiro, quando o homem vem do sertão para cá, para o Monte Alto, fica à banda direita, no campo, a meia légua, pouco mais ou menos, do mato de Jahucaha.
E assim mais declarou outra veia no morro de Jobauna, que atravessa por onde está o caminho geral, indo o rumo dela do nascente ao poente, pouco mais ou menos.
E assim mais declarou que, pelo próprio caminho geral antigo, na borda do campo onde dizem que teve Brás Cubas umas cruzes em pedras feitas, que até hoje estão por cima dela, há uma veia de metal preto, a qual ele, suplicante, requereu aos ditos oficiais que estas veias de metal lhe registrassem, para em todo tempo não perder o seu direito.
E, vindo oficiais fundidores e ensaiadores que o entendam — por ele não o entender senão por notícia e bom engenho — as manifestava para nunca nelas perder seu direito, conforme o regimento de Sua Majestade.
E tudo isto havia quatorze anos que ele, suplicante, andava a descobrir, à sua custa e despesa, por Sua Majestade ter prometido por uma carta, que a esta câmara veio, com protestação de gratificar aos que costumavam descobrir minas e nelas insistir, e se haveria por bem servido de continuarem as ditas minas.
Pela qual razão mandaram os ditos oficiais da câmara a mim, João Vieira Sarmento, escrivão da câmara, que registrasse estas minas e notícias, as quais Clemente Álvares prometeu a todo tempo, sendo necessário, mostrar e mandar a Sua Majestade ou a quem para isso poder tivesse.
E assinou o dito Clemente Álvares comigo, escrivão, e os oficiais da câmara, hoje no mesmo dia, mês e era acima ditos, não fazendo dúvida na entrelinha que diz “Lopo de Sousa”, a qual escrevi.
Clemente Álvares — João Vieira Sarmento — Álvaro Neto — Luís Fez — Domingos Roiz — Francisco de Siqueira.
Traslado da provisão do senhor Lopo de Sousa, e a qual provisão é para Antônio Pedroso, capitão e ouvidor.
Arquivo Histórico Municipal (SP)
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