Muito antes de se tornar cidade, Sorocaba já ocupava um ponto estratégico nas rotas do Brasil colonial. Em 1733, a primeira tropa xucra de muares passou pela região, conduzida dos pampas gaúchos por Cristóvão Pereira de Abreu, rumo às Minas Gerais.
O intenso trânsito de animais levou as autoridades portuguesas a criarem registros para a cobrança de impostos. Nos Campos Largos do Araçoiaba, todos os caminhos se afunilavam na ponte sobre o Rio Sorocaba, onde, em 3 de setembro de 1750, foi criado o Registro de Animais de Sorocaba.
A arrecadação era arrendada a empresários da época, que contratavam funcionários sem ligação com os moradores da Vila para serem mais rigorosos na cobrança, o que gerou conflitos com comerciantes, tropeiros e fiadores locais.
Após o terremoto de Lisboa, em 1755, surgiu o chamado Novo Imposto, cobrando de 100 a 120 réis por animal para ajudar na reconstrução da capital portuguesa. A curiosidade é que essa cobrança continuou mesmo depois da reconstrução de Lisboa e também após a Independência do Brasil, sendo extinta apenas com a Proclamação da República.
O imposto era cobrado de quem atravessasse a ponte montado ou desmontado, puxando o animal, tanto na ida quanto na volta. Isso gerou embates entre o povo de Sorocaba e autoridades da época, envolvendo o futuro Barão de Iguape, além de Antônio Francisco de Aguiar e seu filho Rafael Tobias de Aguiar.
Enquanto a Câmara de Sorocaba arcava com a manutenção do piso de madeira da ponte, os arrematantes do imposto não contribuíam financeiramente com a Vila. Como alternativa, um vereador sugeriu que as tropas passassem a vau (atravessando o rio pelo trecho raso, sem usar a ponte), pelo lado esquerdo da ponte, deixando marcas visíveis até hoje nas margens do rio.
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Maquete no Centro de Estudos Históricos Caminhos das Tropas