Os historiadores e cronistas antigos, por exemplo Manuel Eufrásio de Azevedo Marques, do século XIX, e Pedro Taques de Almeida, do século XVIII, fazem confusão quanto aos dois núcleos de povoamento de Sorocaba anteriores a 1661. Julgam, e são repetidos sumariamente, que a povoação de Nossa Senhora do Montesserrate do Araçoiaba, de 1599, perdeu o seu pelourinho em favor de Sorocaba em 1661, quando, entre ambas, é preciso lembrar o povoado de Itapeva-ussu, hoje Itavuvu.Parece que o primeiro homem branco que apareceu no Ipanema foi Afonso Sardinha, o Filho, cerca de 1590. Segundo Azevedo Marques, em 1589.Era um famoso sertanista e procurava ouro e prata. Provavelmente levado por informações dos índios e pela orientação geral dos rios e dos montes, vindo de São Paulo pelo vale do Tietê, abandonando este em Parnaíba, subiu a serra do Piragibu no Apotribu, descendo para os campos de Pirapitingui, e daí rumou para a montanha em frente. Talvez passando pelo Itavuvu, por onde ao depois houve um caminho antigo, que evitava a pequena volta por Sorocaba. Caminho que bem podia ser o rumo dos tupis, fazendo suas andanças de Itu à encruzilhada ou à boca do Paraguaí, como dizia Nóbrega.Não existem mais documentos manuscritos sobre Afonso Sardinha (os dois, pai e filho, mais ou menos confundidos), menos de nos contentar com as escassas informações dos cronistas. Parece que o descobridor do Araçoiaba explorou outras serras mais ou menos próximas, inclusive a de São Francisco.Que ele passou uma temporada no Ipanema é conclusão lógica do fato de haver fundido um engenho de ferro no sertão meridional sem forno brasileiro, mas uma forja, com o fole talvez movido a água, para obter melhor e mais elevada engenho.Pedro Taques escreveu que Sardinha tirou prata e ouro e fundiu ferro no Araçoiaba.Foi, pois, a primeira casa do futuro município de Sorocaba, a de Afonso Sardinha, o Moço. Corria na Colônia e na Metrópole a fama das minas de prata e ouro em São Vicente, e só notícias o mesmo Sardinha tirava muito ouro de lavagem.O governador geral do Brasil, Dom Francisco de Sousa, acreditou no sonho de Roberto Dias, que morrera sem desvendar o segredo das minas que sonhara ter descoberto. Em vista da nulidade das entradas pela Bahia, resolveu formar e conduzir uma expedição por São Paulo.Marchando pela costa, arrecadou índios já aldeados na Vitória do Espírito Santo e que, assim, concorreram para o povoamento do Ipanema. Desembarcando em São Vicente, subiu a serra, caminhando até São Paulo, e fins de 1599, rumo para o Araçoiaba, onde logo voltou no começo de 1600.Dom Francisco de Sousa, ou das Manhas, como o alcunhavam, criou oficialmente a vila, erguendo pelourinho e chamando-a de Nossa Senhora do Monte Serrate. Era a sua devoção predileta. Por sua ordem, ficou Nossa Senhora do Monte Serrate titular da igreja dos Beneditinos em São Paulo.Segundo se lê em Varnhagen, seria o lugar da povoação no vale das Furnas, adiante mais alto do que o atual povoado de Ipanema.Esta localização é devida à proximidade do engenho de ferro que, por sua vez, estava mais perto das jazidas.De sorte que, tal como aconteceu com Sardinha, o governador viera em busca das minas de prata e só encontrou ferro em grande quantidade. De certo que algum ouro sempre foi lavado pelos índios e atraía à sua companhia.É bem de ver que a atração dos mineiros não tinha elementos para ser vila. Chegou-se no mesmo dia ou poucos dias depois erguer pelourinho entre aqueles de lenha, provisório, e apenas delineava-se oficialmente, a situação ainda indefinida.As crônicas não falam na primeira Câmara, cujos membros seriam nomeados pelo governador. Contavam-se da década os brancos que vieram com Dom Francisco, e, além destes, outras minas: — Diogo Gonçalves Leme, administrador de todas elas; mineiros Gaspar Gomes Molho e Miguel Pinheiro Zamarra; e o fundador Domingos Ruiz, que vieram antes, mais o capitão Pedro Aires de Aguirre (sucessor de Gonçalves Leme) e alemães Jaques de Unhalte e Geraldo Bettimk; capitão Diogo Lopes.Em seguida à volta do governador, os documentos emudecem.
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