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Vanderlei da Silva
A participação da loja maçônica Perseverança III na educação escolar em Sorocaba: do final do segundo reinado ao final da primeira república
2009, quinta-feira ver ano



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segunda indústria foi fundada em 1882, por Manuel José da Fonseca, imigrante português que atuava no comércio. Essa iniciativa obteve sucesso, principalmente, pela existência da Estrada de Ferro Sorocabana, criada em 1875 com a finalidade de transportar o algodão das regiões produtoras ao Porto de Santos, para exportação. Durante o final do século XIX houve um expressivo aumento das indústrias têxteis em Sorocaba, sendo que, em 1907, um censo preparado pelo Centro Industrial Brasileiro informou que das 100 maiores manufaturas do Brasil, quatro tinham iniciado suas atividades em Sorocaba, quais sejam: F.Matarazzo21, Votorantim, Oetterer, Speers & Cia e a fábrica de chapéus Souza Pereira. Sorocaba entrou na década de 1920 com uma expressão relevante na indústria têxtil, sendo que as estamparias da cidade empregavam 8% do operariado em fiação e tecelagem de todo o Estado. (GONÇALVES E GONZALEZ, 2007, p.192).O Templo da recém fundada Loja Maçônica funcionava na residência de um dos seus fundadores, José Leite Penteado, Provedor da Santa Casa de Misericórdia,que exercia o mandato de Deputado da Província e também de Presidente do Partido Liberal. A primeira sessão ocorreu em 31 de julho de 1869, na Rua da Penha, esquina com a Rua Municipal (hoje Padre Luiz), ficando ali resolvido que as sessões se realizariam aos domingos; essa reunião marcou oficialmente o início das atividades da Loja Perseverança III. Na sessão de 07 de agosto de 1869, Ubaldino do Amaral22 apresentava uma proposição para ser aprovada pela oficina, antecipando-se ao projeto de Abolição, que seria apresentado por Rui Barbosa, oito meses depois, ao Grande Oriente Brasileiro.Trago, subscrita por essa presidência, por Leite Penteado e por mim a seguinte proposição que esperamos merecer a aprovação da oficina: 1º) a joia de iniciação será de Rs25$000; 2º) a mensalidade de Rs1$000; 3º) Colocar-se-á na oficina uma caixa, denominada emancipação, na qual os iniciados, a convite do venerável e de qualquer irmão, quando queiram,

21 Francisco Matarazzo foi maçom da Loja Perseverança III. Foi proposto em 10 de setembro de 1886, iniciado em 2 de outubro de 1886, elevado a Mestre em 27 de novembro de 1886. Era natural da Itália, católico romano, com 28 anos. (ALEIXO IRMÃO, 1999, p.77).
22 Cidadão de grande importância para a Maçonaria Sorocabana, nasceu na cidade de Lapa, Paraná, em 1843 vindo a residir em Sorocaba no ano de 1855. Estudou no Colégio São João do Lageado, deixando Sorocaba para estudar Direito na Academia de Direito, do Largo de São Francisco, formando-se Bacharel em 1865. Desde 1866 começou a escrever para Jornais de São Paulo e Sorocaba. Além da fundação da Loja Maçônica Perseverança, participou da formação da Companhia Sorocabana de Estrada de Ferro e do Gabinete de Leitura Sorocabano. Retirou-se de Sorocaba em 1874 e foi advogar no Rio de Janeiro, sendo Deputado Federal em várias legislaturas,[p. 37]

ensino, quanto ao número de escolas. A primazia cabe às Lojas 7 de setembro,Liberdade e Firmeza e Perseverança III”. (p.417).Visando aprimorar a qualidade do ensino oferecido nas Escolas Noturnas, aLoja formou outra comissão que deveria fazer um novo estudo e apresentar aproposta de reforma, o parecer dessa comissão foi lido na sessão do dia 23 dejaneiro de 1923, nessa proposta havia algumas sugestões de medidas visando oaprimoramento da disciplina e do ensino32. k2570»As sugestões se referiam, principalmente, a um ajuste no corpo docente e aquisição de equipamentos, sendo que o que mais chama a atenção é a proposta de se enviar ofício ao Delegado de Polícia, para que omesmo interferisse junto aos gerentes das fábricas, visando diminuir o índice de faltas nas aulas noturnas.

Acerca da frequência dos alunos operários, que tem sido muito baixa nosúltimos tempos, estabelecer um entendimento entre esta Augusta Loja e aDelegacia Regional de Polícia desta cidade, que por seu turno, se entenderáa respeito com as gerencias das fábricas locais. Quando o aluno começar afaltar o diretor das escolas comunicar-lo-á à Loja, e esta por seu Venerávellevará o fato ao conhecimento do Dr. Delegado, que solicitará do gerente dafábrica respectiva eliminação do mesmo, a não ser que volte a frequentar asaulas. (ALEIXO IRMÃO, 1994, p.453)

Em 1923 as aulas noturnas funcionavam em três salas, cada uma denominada por escola, sendo que na sessão realizada em 26 de novembro foi comunicado de que haviam sido restabelecidas as verbas estadual e municipal para as Escolas Noturnas da Loja Perseverança III, tendo sido transferido nesse ano o valor de Rs900$000, referente à verba votada pelo Governo do Estado, e de que aCâmara Municipal havia aprovado, para 1924, a destinação de uma verba de Rs100$000 mensais, como auxilio para as escolas. Nessa mesma data foramnomeadas as Comissões Examinadoras para os exames que seriam realizados nodia 30 do mesmo mês. (ALEIXO IRMÃO, 1994, p.461) k2571»Porém, em 1926, houve problemas com a verba estadual e, na sessão do dia 18 de janeiro, o Orador João Ferreira da Silva, comunicou a ausência no orçamento do Estado de verba destinada às Escolas da Perseverança III. k2569»Por esse motivo, a Loja teve que buscar auxílio do Governo Municipal, sendo que, na sessão do dia 8 de março, o Venerável Mestre comunicou que, “diante da ausência da subvenção estadual destinada às escolas, a Câmara Municipal votou-lhe verba de Rs1.200$000 a serem pagos em parcelas mensais de Rs100$000”. Ocorre que a “Coletoria Municipal” se recusara a pagar a 1ª parcela, obrigando a Loja a encaminhar um ofício, recorrendo à Câmara, e informando que o Prefeito estava descumprindo a lei votada pelo Legislativo. k2572»O Prefeito Municipal, Campos Vergueiro, alegava que as escolas não eram necessárias, e que a Loja o hostilizava33. O Venerável afirmou que em nenhum momento a Loja se envolveu em questões políticas partidárias, sendo concedido a todos os seus membros a liberdade de pensamento. Como a Prefeitura não pagou mesmo a subvenção votada pela Câmara Municipal, na sessão de 15 de março, os integrantes da Loja se solidarizaram em favor da escola e o maçom Antonio Flores comunicou a todos os presentes que estava “pondo à disposição da Loja a importância de Rs1:200$000... prontificando-se a auxiliar o funcionamento das nossas escolas no corrente ano, podendo dita quantia ser procurada em seuescritório, mensalmente, em parcelas de Rs100$000”. (ALEIXO IRMÃO, 1994, p. 496). k2573»Pelas informações registradas nas atas, tomamos conhecimento que mesmo sem receber a subvenção pública para as escolas noturnas, a Loja Perseverança III manteve as aulas, pagando o salário dos professores, como vemos em discussão apresentada na ata da sessão do dia 26 de julho de 1926, quando o Orador Diogo Moreira Salles apresentou a proposta para que fossem elevados os vencimentos dos professores das escolas, bem como o salário do zelador, justificando a proposta “em virtude da crise que atravessamos”. k2574»A proposta foi aprovada e os professores passaram a receber Rs100$000 e o zelador Rs70$000. (p.500). Para manter o projeto educacional, sem receber os recursos públicos, houve a participação dos maçons da Loja P III, que, utilizando-se de recursos próprios, passaram a contribuir com ajuda financeira visando manter a Escola Noturna em funcionamento.

Nesse sentido, foi concedido o titulo de Benemérito da Ordem ao maçom, Antônio Marques Flores (sessão do dia 14 de março de 1927), que doou Rs1.200$000 como auxilio às Escolas da Perseverança III e que já vinha prestando “reais serviços à causa da instrução” desde 07 de setembro de 1869. k2568» 6217»Nessa mesma sessão, foi comunicado que “o prefeito, Senador Campos Vergueiro, o eterno inimigo da Perseverança III, negou a cumprir o pagamento da verba votada pela Câmara Municipal como auxilio às referidas escolas”. (ALEIXO IRMÃO, 1994, p.515).

Nesse mesmo ano, também foi lido um telegrama recebido de Antônio PereiraInácio, “agradecendo as felicitações enviadas por ocasião de seu aniversário” e o maçom Antônio Marques Flores “cientificou o Venerável Mestre que Antônio Pereira Inácio resolvera contribuir com Rs1.200$000 para auxílio de nossas escolas”. O recebimento do cheque nesse valor consta na ata da sessão de 25 de abril. (p. 515). 17666»Outra doação foi comunicada na sessão realizada em 09 de maio de 1927, quandoManoel Athanásio Soares, disse “ter o prazer de enviar à Loja a quantia deRs1.200$000 para ocorrer às despesas de uma das nossas Escolas”. (p.519). 17667»Tais doações foram reconhecidas como fundamentais para a continuação do projeto educacional mantido pela maçonaria sorocabana, e esses gestos foram citados no relatório apresentado pelo Venerável João Ferreira da Silva, na sessão do dia 24 de junho de 1927 (34). 17668»Nessa mesma apresentação, o Venerável fala sobre a situação das escolas mantidas pela Loja Perseverança III35, informando que naquela data estavam em funcionamento três escolas, mantidas pela Loja e procuradas, principalmente, por filhos de operários e lavradores. Sobre o número de alunos matriculados, o relatório mostra que, em 31 de maio de 1927, havia 111 meninos matriculados, o Venerável também faz referência à ausência de verbas públicas destinadas às escolas. 17669»Nesse ano, durante o dia, também funcionava nas salas da Loja Maçônica Perseverança III o Externato Sorocabano, sob a direção dos professores Achiles de Almeida, José Reginato e Vicente Bella.

33 Com a nomeação do Promotor Público Diogo Moreira Salles, que após breve passagem por Piedade veio para Sorocaba, este fez parte da ala do PRP em oposição à dominante, chefiada pelo prefeito e senador estadual, Luiz Pereira de Campos Vergueiro. Para melhor combater a alaperrepista-vergueirista, apoiada no jornal Cruzeiro do Sul, Moreira Salles fundou e dirigiu o Correiode Sorocaba. Travou-se uma luta ferrenha e desconversável entre as duas alas do mesmo partido.Uma, dominando o município há anos; outra, não se conformando com os métodos até entãoseguidos na politica local. A PII, com os próceres e grande número de Obreiros, apoiou MoreiraSalles, ostensivamente. Vergueiro que era filho da PIII, com esta rompeu, retirando as verbasestaduais e municipais destinadas as Escolas Noturnas. (ALEIXO IRMÃO, 1995, p.121) [Página 70]





EMERSON
5120
Antonio Marques Flores
f.1938
10 registros

94
Antônio Pereira Inácio
1875-1951
27 registros

2162
Dinheiro$
552 registros

2654
Escolas
304 registros

330
Luiz Pereira de Campos Vergueiro
1882-1953
25 registros

1174
Maçonaria no Brasil
307 registros

10641
Sorocaba/SP
11751 registros

1228
Francesco Matarazzo
1854-1937
53 registros

13847
Vanderlei da Silva
1 registros



ANO:59
2009, quinta-feira
A participação da loja maçônica Perseverança III na educação escolar em Sorocaba: do fi...