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A Amazônia imaginada nos memoriais enviados ao Consejo de Indias no século XVII. Francismar Alex Lopes de Carvalho
2016, sexta-feira ver ano


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ao menos a súplicas mais urgentes de licenças para a realização de expedições e a concessãode encomiendas (Lorandi, 1997, p. 187-209; Scott, 2009, p. 109-113).Duas grandes questões emergem a partir da problemática até aqui esboçada, e elas serãoexaminadas no decorrer deste artigo. Os primeiros itens tratam da manipulação dos mitosde El Dorado e Paititi por colonos e missionários. Imagens de riquezas minerais ocultas nasselvas eram incluídas em solicitações de licença para a realização de expedições às terrasbaixas, pedidos de concessão de encomiendas, ou mesmo em requerimentos de auxílios paraentradas missionárias. Os tópicos seguintes tratam das dinâmicas sociais e políticas portrás da tramitação dos memoriais e seu papel no fluxo de informações entre as instânciaslocais e o Consejo de Indias. Fatores como a origem social dos suplicantes, a competiçãoentre as diversas esferas do poder local e da burocracia colonial e as diretrizes de Madriem relação aos territórios de fronteira foram condicionantes para o êxito ou o fracasso dosprojetos contidos nos memoriais.A manipulação do fantásticoA hidrografia fantástica era um elemento recorrente nos memoriais de colonos e missionários, em que faziam constar descrições confusas e tortuosas dos rios das terras baixas e, nomais das vezes, alternavam ou sobrepunham as localizações do El Dorado e do Paititi. Em1567, o referido morador de Cuzco, Juan Alvarez Maldonado, dava livre vazão à sua imaginação a respeito do destino dos rios amazônicos e da localização do Paititi. Tendo capitulado uma licença para entrar neste último país com o vice-rei Lope García de Castro, pretendia “poblar” uma Nova Andaluzia em um imenso território que alcançava até a costa doBrasil.11 Sua entrada navegou pelos rios Madre de Dios e Beni. A certa altura, o destacamentocomandado pelo capitão Escobar se adiantou e acabou aniquilado pelos índios, o que obrigou a expedição à retirada. Maldonado deu conta, de forma mais pontual, sobre suas entradas no informe “Relación verdadera del discurso y subçeso de la jornada”, escrito em fins dejulho de 1570. Com a noção fantástica de geografia que lhe era peculiar, referiu que todos osrios que nasciam na descida dos Andes confluíam com a lagoa de Paititi, cujo rio do mesmonome desaguava no mar do Norte, a mais de mil léguas.12 Maldonado chegou a requerer aovice-rei Toledo nova licença para entradas, a qual foi denegada (Levillier, 1976, p. 103-112).Que as famosas guerreiras amazonas fossem localizadas nas proximidades do El Doradoera algo recorrente nos memoriais do século XVII, mas o já mencionado Juan Recio de León (“Breve relación”, Juan Recio de León, Madrid, 19 out. 1623) desenhava uma hidrografia com pressupostos tão fantásticos que a origem de todos os rios amazônicos era buscada em uma lagoa oculta na floresta. Em certo passo de sua “Breve relación”, de 1623, esse aventureiro espanhol anotou que os índios guarayos lhe haviam dadonotícia que da banda norte do rio Apurima, “confines del Paytite”, encontrava-se “una Provinciade mugeres, que vivian sin hombres, y pregundandoles que como podian conservarse de aquela manera, dixeron, que hombres tenían [su residencia] en la otra vanda del Paytite al leste”.13 Os índios anamas teriamdito que, caminhando quatro dias, se chegava a uma grande lagoa chamada Cocha, e quenela havia muitas ilhas povoadas “de infinita gente”, e que seus caciques eram tão ricos quetraziam como adornos pessoais “pedaços de ambar, por ser amigos de olores, y conchas y barruecosde perlas, lo qual vide yo en algunos Anamas”.14E em um exemplo notável de geografia fantástica, Recio de León conectava a lagoa dePaititi com a do El Dorado: caminhando ao norte de uma cordilheira nevada, que se levantajunto à lagoa de Paititi, chegava-se ao Novo Reino de Granada, e nesse caminho havia populações riquíssimas de prata e animais de carga.15 Evidência de que distava pouco a lagoa dePaititi das paragens onde os holandeses e ingleses incursionavam, a partir da Guayana, eramas ferramentas adquiridas pelos índios por resgates de metais preciosos, pedras e especiarias.16O autor apresentava as províncias a serem conquistadas como um único e imenso território, que ia do Cerro de la Sal e de Apolobamba ao mar do Norte. Eram regiões que contavamcom 100 léguas de rios caudalosos e navegáveis, “hasta los confines del Paytite, y grande Laguna delDorado”. A origem dos rios amazônicos deve ser buscada nessa lagoa, de onde partem doisrios, um dos quais desemboca no Marañón, e o outro, no Amazonas.17 Realmente, quanto maisimprecisa fosse a localização do país imaginário, tanto maior a curiosidade que se esperavadespertar nas autoridades coloniais. Recio em nenhum momento esclarece se seu “Paititi yDorado” seria uma lagoa ou duas; nem fornece qualquer delimitação pontual sobre sua localização. Seria vizinho de Mojos? De Apolobamba? Da província de Chunchos?18 Igualmenteperturbadora era sua observação de que os holandeses, que entravam pela costa setentrionaldo continente, apareciam naquela província para tratar e contratar com os índios.19Também os jesuítas sabiam que o mito do El Dorado continuava sumamente atrativo paraas autoridades do poder central. Daí por que o padre Cristóbal de Acuña, em sua relação de1641, em que narra sua viagem de descida do Amazonas, região que pretendia como exclusiva [p. 7, 8 do pdf]





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