A Visita do Arquiduque Maximiliano da Áustria ao Brasil. Fonte: Brasil Imperial, em Facebook
Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
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O Príncipe Maximiliano de Habsburgo, Arquiduque da Áustria, que era primo de nosso Imperador D.Pedro II, chegou à Bahia em 11 de janeiro de 1860, como chefe de uma missão científica e diplomática do Império Austriaco, acompanhado do pintor Joseph Selleny (1824-1875) que registrou o povo em belas aquarelas, o botânico Franz Maly (1823- 1891), e os médicos Heinrich Wawra Ritter von Fernsee (1831-1887) e August von Jilek (1819- 1895) dali rumando para o Rio de Janeiro, onde chegou na manhã do dia 27, sendo recebido pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil, João Lins Vieira Cansação Sinimbu.
Maximiliano se Hospedou por dois dias em Petrópolis, onde conheceu as sobrinhas princesas D. Isabel e D. Leopoldina, que não haviam acompanhado os pais na viagem ao norte do Império, segundo nos informa Santos, “convidaram o príncipe a jantar no palácio, onde houve, à noite, uma pequena reunião íntima, presidida pela Condessa de Barral” A princesa Isabel comentou que:
"Meu Tio Maximiliano é bem bonito, alto, amável, e parece-se, eu acho, um pouco com o papai".
Depois de sua estádia no Rio de Janeiro retornou ao norte do Brasil, se encontrando com o primo Dom Pedro II na Bahia. Escreveu sobre suas experiências de Viagem no Livro “Bahia, 1860. Esboços de Viagem” nos seus escritos, deixa claro que não teve uma boa impressão do Povo e da Cultura Locais. De forte formação católica e humanista, ficou chocado com as condições que a população escrava vivia e a crueldade e indiferença de seus senhores. Condenou o governo e do clero brasileiro que toleravam a prática da escravidão e declarou
“A religião se torna zombaria quando um homem branco arroga o direito de tratar homens pretos que, como ele próprio, nascem na imagem do criador, como se fossem animais de carga ou fardos de mercadorias.”
Maximiliano também acompanhou a tradicional Festa do Bonfim de Salvador, O príncipe reparou nos batuques, no povo extravassando alegria, não lhe pareceu o comportamento adequado para uma festa religiosa e assim descreveu no seu diário:
“Moças negras alegres, envoltas em gazes transparentes e lenços de cores berrantes, em meio a um falatório estridente, nas posições mais confortáveis, sensuais e desleixadas… Todo esse alvoroço deve parecer blasfêmia, pois nesta festa popular dos negros, misturavam-se, mais do que o permitido, resquícios do paganismo na assim chamada romaria”. Escreveu ao seu primo: "Que dias mais lindos e inesquecíveis passei aqui"
Maximiliano de Áustria tinha 28 anos quando visitou a Bahia. E a sua passagem pelo Brasil antecedeu a sua nomeação como Imperador do México (1864-67) onde viveu o sonho de uma nova monarquia nas américas. Sonho desfeito pela revolução comandada por Benito Juarez que prendeu o Imperador, julgou-o em corte marcial e mandou-o fuzilar. Fonte: A VISITA DO ARQUIDUQUE MAXIMILIANO A PETRÓPOLIS. Jeronymo Ferreira Alves Netto/Princesa Isabel do Brasil: gênero e poder no século XIX. Roderick Barman.
• Pessoas (2): Maximiliano de Habsburgo-Lorena (28 anos); Dom Pedro II (35 anos)
O que é História?
Abraham Lincoln (1809-1865) dizia que "se não for verdade, não é História. Porém, é possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade.
Existiu um homem que pegou uma nação destruída, recuperou sua economia e devolveu o orgulho ao seu povo. Em seus quatro primeiros anos de governo, o número de desempregados caiu de 6 milhões para 900 mil pessoas. Este homem fez o produto interno bruto crescer 102% e a renda per capita dobrar, aumentou os lucros das empresas de 175 milhões para 5 bilhões de Marcos e reduziu uma hiperinflação, a no máximo 25% ao ano. Este homem adorava música e pintura e quando jovem imaginava a seguir a carreira artística. [28174] Você votaria neste homem Adolf Hitler (1889-1945)?
Quantos ou quais eventos são necessários para uma História? Segundo Aluf Alba, arquivista do Arquivo Naciona: o documento, ele começa a ser memória já no seu nascimento, e os documentos que chegam no Arquivo Nacional fazem parte de um processo, político e técnico de escolhas. O que vai virar arquivo histórico, na verdade é um processo político de escolhas, daquilo que vai constituir um acervo que vai ser perene e que vai representar, de alguma forma a História daquela empresa, daquele grupo social e também do Brasil, como é o caso do Arquivo Nacional.
É sempre um processo político de escolha, por isso que é tão importante termos servidores públicos posicionados, de pessoas preparadas para estarem atuando nesse aspecto.
Mary Del Priori, historiadora:
Nós temos leis aqui no Brasil, que são inclusive eu diria bastante rigorosas. Elas não são cumpridas, mas nós temos leis para arquivos municipais, estaduais e arquivos federais, que deveriam ser cobradas pela própria população, para manutenção desses acervos, acervos que estão desaparecendo, como vimos recentemente com o Museu Nacional e agora com a Cinemateca de São Paulo. E no caso dos arquivos municipais, esses são os mais fragilizados, porque eles tem a memória das pequenas cidades e dos seus prefeitos, que muitas vezes fazem queimar ou fazem simplesmente desaparecer a documentação que não os interessa para a sua posteridade. Então esse, eu diria que essa vigilância sobre o nosso passado, sobre o valor dos nossos arquivos, ainda está faltando na nossa população.
Lia Calabre, historiadora:
A memória de Josef Stálin inclusive, ela serve para que não se repitam os mesmos erros, ela serve para que se aprenda e se caminhe. Os processos constantes de apagamento. Existe um depósito obrigatório de documentação que não é feita, na verdade se a gente pensar, desde que a capital foi para Brasília, os documentos não vieram mais para o Arquivo Nacional. [4080]
Quantos registros?
Fernando Henrique Cardoso recupera a memória das mais influentes personalidades da história do país.
Uma das principais obras do barão chama-se "Efemérides Brasileiras". Foi publicada parcialmente em 1891 e mostra o serviço de um artesão. Ele colecionou os acontecimentos de cada dia da nossa história e enquanto viveu atualizou o manuscrito. Vejamos o que aconteceu no dia 8 de julho. Diz ele:
- Em 1691 o padre Samuel Fritz, missionário da província castelhana dos Omáguas, regressa a sua missão, depois de uma detenção de 22 meses na cidade de Belém do Pará (ver 11 de setembro de 1689).
- Em 1706 o rei de Portugal mandou fechar uma tipografia que funcionava no Recife.
- Em 1785 nasceu o pai do Duque de Caxias.
- Em 1827 um tenente repeliu um ataque argentino na Ilha de São Sebastião.
- Em 1869 o general Portinho obriga os paraguaios a abandonar o Piraporaru e atravessa esse rio.
- Em 1875 falece no Rio Grande do Sul o doutor Manuel Pereira da Silva Ubatuba, a quem se deve a preparação do extractum carnis, que se tornou um dos primeiros artigos de exportação daquela parte do Brasil.
Ainda bem que o barão estava morto em 2014 julho que a Alemanha fez seus 7 a 1 contra o Brasil.
(...) Quem já foi ministro das relações exteriores como eu trabalha numa mesa sobre a qual a um pequeno busto do barão. É como se ele continuasse lá vigiando seus sucessores.
Ele enfrentou as questões de fronteiras com habilidade de um advogado e a erudição de um historiador. Ele ganhava nas arbitragens porque de longe o Brasil levava a melhor documentação. Durante o litígio com a Argentina fez com que se localiza-se o mapa de 1749, que mostrava que a documentação adversária estava simplesmente errada.
Esse caso foi arbitrado pelo presidente Cleveland dos Estados Unidos e Rio Branco preparou a defesa do Brasil morando em uma pensão em Nova York. Conforme registrou passou quatro anos sem qualquer ida ao teatro ou a divertimento.
Vitorioso nas questões de fronteiras tornou-se um herói nacional. Poderia desembarcar entre um Rio, coisa que Nabuco provavelmente faria. O barão ouviu a sentença da arbitragem em Washington e quieto tomou o navio de volta para Liverpool. Preferia viver com seus livros e achava-se um desajeitado para a função de ministro.