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National Geographic
Luís XIV e o homem da máscara de ferro, por Carlos Blanco Fernández. nationalgeographic.pt
6 de novembro de 2022, domingo ver ano




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Na década de 1680, começou a circular por França e pelos países vizinhos um estranho boato sobre um homem que vivia há muitos anos numa prisão de “alta segurança”, por ordem expressa de Luís XIV e– o mais intrigante – usava permanentemente uma máscara que lhe ocultava o rosto.

Em 1687, uma gazeta manuscrita mencionava a sua transferência para o presídio da ilha Sainte-Marguerite, em frente de Cannes, sob a custódia de um antigo mosqueteiro, Benigne de Saint-Mars. Antes disso, ambos tinham estado nas fortalezas de Pinerolo e de Exilles, nos Alpes. Em 1698, a cena repetiu-se quando Saint-Mars foi nomeado governador da Bastilha. Um oficial da prisão parisiense recordou nas suas memórias a estranheza que lhe causava ver o seu novo superior chegar acompanhado por um preso “que mantinha sempre mascarado e cujo nome não se pronuncia”.

Prisão incomunicada. O carcereiro de Pinerolo recebeu instruções rigorosas para vigiar o seu prisioneiro: “Uma vez por dia, vós mesmos devereis levar a esse miserável comida para todo o dia. Nunca escuteis nada que queira dizer-vos e ameaçai-o de morte se alguma vez abrir a boca para falar-vos noutra coisa além das suas necessidades.” Luís XIV. Medalha de bronze com a efígie do Rei. Culture-Images / Album

A história deste misterioso prisioneiro terminou numa tarde de Novembro de 1703, no cemitério de Saint-Paul de Paris, com o enterro de um tal Marchialy, o nome que deram ao prisioneiro que falecera pouco antes na Bastilha, após 34 anos de reclusão. Ao romper da aurora, as suas roupas e bens foram queimados e as paredes que o tinham ocultado desde a sua chegada à torre, cinco anos antes, começaram a ser raspadas e caiadas.

Parente do rei?

Os testemunhos das pessoas que viram o preso alimentaram as especulações sobre quem se ocultaria sob a máscara e qual o motivo da sua punição. Em boa verdade, não se tratava de falatório inocente, estando por detrás dele o desejo de criticar Luís XIV e o absolutismo francês em geral. Por conseguinte, durante a Guerra dos Nove Anos (1688-1697) a propaganda holandesa tentou aproveitar o boato para minar a legitimidade de Luís XIV, assegurando que o preso mascarado era um antigo amante da rainha-mãe e, por sua vez, o verdadeiro pai do monarca.

Dentro de França, as suspeitas sobre a identidade da personagem recaíram sobre vários membros da vasta família real. Especulava-se que fosse Luís de Bourbon, conde de Vermandois, filho do Rei Sol e Louise de la Vallière. Luís fora desterrado da corte depois de ter sido descoberto a praticar o “vício italiano”, como costumava chamar-se à homossexualidade. Pouco tempo depois, tentou recuperar o favor real nas campanhas da Flandres, onde adoeceu e morreu durante o cerco de Courtrai (1683), embora alguns creiam que, na verdade, foi encarcerado pelo pai.

Máscaras de viagem. Nos séculos XVI E XVII, tornaram-se moda as máscaras de veludo para as mulheres protegerem a sua pele do sol durante as viagens, mantendo-a branca. Segundo alguns testemunhos, o prisioneiro de Luís XIV também usava uma máscara de veludo, mas não sabemos se apenas durante as suas deslocações. Outros, porém, igualmente credíveis, mencionam que a máscara era de ferro. Mulher veneziana com uma máscara. Século XVIII. Scala, Firenze

Outro candidato a ser o homem mascarado era Francisco de Bourbon, duque de Beaufort. Este primo do rei fora um dos líderes da Fronda que conspiraram contra o monarca entre 1648 e 1653, durante a menoridade do rei. Distanciado do rei, participou nas campanhas de ajuda aos venezianos contra o Império Otomano e liderou o cerco a Creta em 1669. Morreu em combate, mas o seu corpo nunca apareceu, o que alimentou a teoria sobre o seu rapto e aprisionamento pelo rei.

No século XVIII, o tema da máscara de ferro ganhou extraordinária popularidade entre os críticos do absolutismo e o leque de candidatos aumentou significativamente. Dizia-se que o prisioneiro era um bastardo nascido de Ana de Áustria, mãe de Luís XIV, com um dos seus amantes, entre os quais se contava o cardeal Mazarino. Alguns panfletistas chegaram a imaginar que a máscara fosse a punição imposta por Luís XIV aos amantes da sua mulher, a puritana Maria Teresa de Áustria. Para os eruditos e revolucionários, o mascarado era um exemplo claro da opressão e da tirania encarnada pelo absolutismo monárquico do Rei Sol.

Na sua obra O século de Luís XIV (1751), Voltaire apresentou a versão mais famosa do tema. O philosophe supunha que o prisioneiro da Bastilha ocultasse o seu rosto sob uma máscara cujo queixo “tinha molas de aço que lhe permitiam comer”. Voltaire, preso na torre em 1717, dizia conhecer a história daquele preso pelo que lhe fora contado pelos reclusos mais antigos. Sem revelar a sua identidade, falava “num prisioneiro de estatura superior à habitual, jovem e com a mais nobre e bela figura”. Tratava-se de um homem “indubitavelmente importante”, de modos refinados e que tocava guitarra. “Davam-lhe uma comida excelente”, mantinha-se afastado de qualquer contacto com o resto dos presos e só recebia a visita do chefe da guarda.

O mito romântico

A descrição de Voltaire inspirou o romancista francês Alexandre Dumas a criar uma personagem secundária para a obra O visconde de Bragelonne (1848), que encerra a trilogia sobre D’Artagnan e os Três Mosqueteiros. Nesta obra, Dumas forjou a iconografia romântica do mito que perdurou até aos nossos dias, bem como a versão mais popular da identidade do preso: seria um irmão gémeo de Luís XIV, que nascera primeiro e poderia, por isso, pôr em risco a legitimidade do Rei Sol.

Houve muitas outras propostas de identificação do homem da máscara de ferro, como o cavaleiro de Rohan, cabecilha de uma conspiração contra o rei, embora as datas de encarceramento ou morte não sejam compatíveis com as do mascarado. Num plano de invenção novelesca, encontramos a identificação do mascarado como Nabo, um famoso pajem pigmeu que teria engravidado a rainha Maria Teresa.

A pista de Pinerolo

Os historiadores mais rigorosos pensaram noutros candidatos. Um deles é Nicolas Fouquet, o poderoso superintendente das Finanças, que caiu em desgraça em 1661 e que, depois de ser condenado por traição e corrupção, foi preso na fortaleza de Pinerolo, a mesma onde Saint-Mars começou a vigiar o misterioso preso mascarado. Apesar de Fouquet ter morrido na prisão em 1680, alguns autores supuseram que as autoridades tivessem fingido a sua morte para lhe prolongarem a detenção. Não obstante, aquele que parece ser o candidato preferido dos investigadores mais recentes é uma personagem muito mais modesta: um tal Eustache Dauger, criado ou valet de chambre na corte do Rei Sol.

Pensa-se que Dauger teve acesso a documentos secretos sobre certos negócios diplomáticos entre França e Inglaterra em 1669 e, quando começou a falar demasiado, Luís XIV enviou-o para a fortaleza de Pinerolo. Alguns anos mais tarde, foi colocado ao serviço do preso mais ilustre de Pinerolo, Fouquet. Quando este morreu, o governo ordenou que se desse a entender que Dauger fora libertado, mas na verdade foi mantido preso. Seria, por isso, para que ninguém o identificasse que se lhe pôs a famosa máscara, de veludo ou de ferro, a título permanente ou apenas durante as transferências de local.

Do folhetim aos ecrãs de cinema. No seu romance o "Visconde de Bragelonne", publicado em folhetins entre 1848 e 1850, Alexandre Dumas popularizou a história que apresentava o homem da máscara de ferro como um irmão gémeo de Luís XIV. Mais tarde, muitos romancistas, dramaturgos e realizadores de cinema desenvolveram o guião de Dumas, acrescentando-lhe frequentemente todo o tipo de variantes rocambolescas. Á esquerda, a terceira parte do relato de Dumas apresenta um homem misterioso, encarcerado na prisão de Sainte-Marguerite. AKG / album. Ao centro, cartaz de uma adaptação da obra de Dumas num teatro londrino em 1899. Houve 69 espectáculos em três meses. Bridgeman / ACI. Á direita, Este filme de 1929, dirigido por Allan Dwan, é considerado a melhor versão cinematográfica da história de Alexandre Dumas. Bridgeman / ACI.





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