Casa dos Padres: incêndios, mortes de padres e escravos. Freiras e seus bebês abortados
Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
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Sorocaba foi fundada em 1654. Terra de bandeirantes, caçadores e assassinos de índios em sua essência. Para se eximirem de seus pecados esses bandeirantes, que depois fundariam quase todas as cidades do oeste do estado de São Paulo e grandes vilas no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul sempre trouxeram consigo grupos religiosos: fossem os jesuítas , beneditinos ou franciscanos.
Era comum doar terras e dinheiro ao clero em troca do perdão. Por isso Sorocaba tem tantas igrejas e mosteiros, mas um destes chama a atenção em especial. É a edificação conhecida como Casa dos Padres.
É uma construção cravada num morro entre Sorocaba e Votorantim, que em tempos remotos abrigou um mosteiro beneditino. Sabe-se que os padres tinham escravos e os obrigavam a verdadeiras monstruosidades.
Sempre viveram isolados do resto da cidade, nunca permitiram às outras ordens religiosas terem acesso à construção (que primeiro foi de madeira, depois de pau-a-pique e rochas) até que um primeiro incêndio matou todos os escravos dos padres. Reconstruído em concreto o mosteiro passou por outro incêndio há pouco mais de cem anos, vitimando agora todos os padres, e sendo desativado.
Conta-se na então chácara do Vergueiro (hoje bairro próximo à Casa dos Padres) que no dia do incêndio que matou os religiosos se ouvia forte barulho de tambores e risadas dos escravos.
Da Casa sobrou só o esqueleto, que ainda atrai gente de toda a região em busca do sobrenatural, e a maioria conta já ter visto algo no local, como espíritos pulando na piscina, sangue jorrando das paredes, ou os padres e negros brigando. Hoje esse morro fica na região mais cara da cidade, e tudo, absolutamente tudo que foi construído imediatamente em volta da casa faliu: de shopping a prostíbulo.
Dizem que ali estão espíritos dos padres que foram enterrados naquela região. Freiras e de bebês abortados pelas Freiras, pois na área do shopping previamente era um mosteiro ou convento.
Túnel era usado para fuga de escravos
Um túnel em Votorantim foi muito usado pelos negros fugitivos para não serem capturados pelo capitão do mato. Esse túnel ficava na Chácara dos Padres, onde hoje resta apenas o terreno ao lado do shopping Panorâmico. Edson Correa, tataraneto do escravo José Joaquim de Camargo, sabe de diversos relatos contados por seus parentes sobre esse lugar. O principal é que os escravos fugiam e iam procurar a ajuda dos padres, que os abrigavam lá.
Naquela chácara os negros permaneciam e ajudavam os religiosos na limpeza e serviços gerais. Como o local é alto e dali era possível enxergar toda a cidade, os padres avisavam os negros fugitivos quando o capitão do mato estava a caminho. "E então eles corriam para o túnel, que tinha saída para o rio, próximo à cachoeira dos Guimarães. Infelizmente foi tudo demolido e o túnel aterrado.
Até há pouco tempo ainda dava para ver as ruínas, mas agora com essa plantação de milho ficou impossível", lamenta Edson. Logo mais à frente, próximo à Praça de Eventos de Votorantim, era o "cangume", um local onde os escravos realizavam a festa da colheita. Já o local onde hoje é o pátio da Prefeitura de Votorantim era uma senzala. "Hoje não há nem vestígios", diz Edson.
O que é História?
Abraham Lincoln (1809-1865) dizia que "se não for verdade, não é História. Porém, é possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade.
Existiu um homem que pegou uma nação destruída, recuperou sua economia e devolveu o orgulho ao seu povo. Em seus quatro primeiros anos de governo, o número de desempregados caiu de 6 milhões para 900 mil pessoas. Este homem fez o produto interno bruto crescer 102% e a renda per capita dobrar, aumentou os lucros das empresas de 175 milhões para 5 bilhões de Marcos e reduziu uma hiperinflação, a no máximo 25% ao ano. Este homem adorava música e pintura e quando jovem imaginava a seguir a carreira artística. [28174] Você votaria neste homem Adolf Hitler (1889-1945)?
Quantos ou quais eventos são necessários para uma História? Segundo Aluf Alba, arquivista do Arquivo Naciona: o documento, ele começa a ser memória já no seu nascimento, e os documentos que chegam no Arquivo Nacional fazem parte de um processo, político e técnico de escolhas. O que vai virar arquivo histórico, na verdade é um processo político de escolhas, daquilo que vai constituir um acervo que vai ser perene e que vai representar, de alguma forma a História daquela empresa, daquele grupo social e também do Brasil, como é o caso do Arquivo Nacional.
É sempre um processo político de escolha, por isso que é tão importante termos servidores públicos posicionados, de pessoas preparadas para estarem atuando nesse aspecto.
Mary Del Priori, historiadora:
Nós temos leis aqui no Brasil, que são inclusive eu diria bastante rigorosas. Elas não são cumpridas, mas nós temos leis para arquivos municipais, estaduais e arquivos federais, que deveriam ser cobradas pela própria população, para manutenção desses acervos, acervos que estão desaparecendo, como vimos recentemente com o Museu Nacional e agora com a Cinemateca de São Paulo. E no caso dos arquivos municipais, esses são os mais fragilizados, porque eles tem a memória das pequenas cidades e dos seus prefeitos, que muitas vezes fazem queimar ou fazem simplesmente desaparecer a documentação que não os interessa para a sua posteridade. Então esse, eu diria que essa vigilância sobre o nosso passado, sobre o valor dos nossos arquivos, ainda está faltando na nossa população.
Lia Calabre, historiadora:
A memória de Josef Stálin inclusive, ela serve para que não se repitam os mesmos erros, ela serve para que se aprenda e se caminhe. Os processos constantes de apagamento. Existe um depósito obrigatório de documentação que não é feita, na verdade se a gente pensar, desde que a capital foi para Brasília, os documentos não vieram mais para o Arquivo Nacional. [4080]
Quantos registros?
Fernando Henrique Cardoso recupera a memória das mais influentes personalidades da história do país.
Uma das principais obras do barão chama-se "Efemérides Brasileiras". Foi publicada parcialmente em 1891 e mostra o serviço de um artesão. Ele colecionou os acontecimentos de cada dia da nossa história e enquanto viveu atualizou o manuscrito. Vejamos o que aconteceu no dia 8 de julho. Diz ele:
- Em 1691 o padre Samuel Fritz, missionário da província castelhana dos Omáguas, regressa a sua missão, depois de uma detenção de 22 meses na cidade de Belém do Pará (ver 11 de setembro de 1689).
- Em 1706 o rei de Portugal mandou fechar uma tipografia que funcionava no Recife.
- Em 1785 nasceu o pai do Duque de Caxias.
- Em 1827 um tenente repeliu um ataque argentino na Ilha de São Sebastião.
- Em 1869 o general Portinho obriga os paraguaios a abandonar o Piraporaru e atravessa esse rio.
- Em 1875 falece no Rio Grande do Sul o doutor Manuel Pereira da Silva Ubatuba, a quem se deve a preparação do extractum carnis, que se tornou um dos primeiros artigos de exportação daquela parte do Brasil.
Ainda bem que o barão estava morto em 2014 julho que a Alemanha fez seus 7 a 1 contra o Brasil.
(...) Quem já foi ministro das relações exteriores como eu trabalha numa mesa sobre a qual a um pequeno busto do barão. É como se ele continuasse lá vigiando seus sucessores.
Ele enfrentou as questões de fronteiras com habilidade de um advogado e a erudição de um historiador. Ele ganhava nas arbitragens porque de longe o Brasil levava a melhor documentação. Durante o litígio com a Argentina fez com que se localiza-se o mapa de 1749, que mostrava que a documentação adversária estava simplesmente errada.
Esse caso foi arbitrado pelo presidente Cleveland dos Estados Unidos e Rio Branco preparou a defesa do Brasil morando em uma pensão em Nova York. Conforme registrou passou quatro anos sem qualquer ida ao teatro ou a divertimento.
Vitorioso nas questões de fronteiras tornou-se um herói nacional. Poderia desembarcar entre um Rio, coisa que Nabuco provavelmente faria. O barão ouviu a sentença da arbitragem em Washington e quieto tomou o navio de volta para Liverpool. Preferia viver com seus livros e achava-se um desajeitado para a função de ministro.