Essa Convenção foi de facto coroada de êxito, celebrada e assignada em Tordesilhas a 7 de Junho de 1494, e ratifiçada depois em Aeévalo a 2 de Julho e em Setúbal a õ de Setembro do mesmo anno. Por aquelle Tratado ,a linha demarcatória passaria não a cem léguas como ficara pela rectificação de Clemente VI, mas a 370 léguas a partir do ponto mais Occidental das ilhas de Cabo Verde para o Oéste. O apparato da força produzira como se viu e como se havia de ver depois, bastante fructo, mas não tanto quanto poderia produzir. Portugal por ambas as Bulias papaes não encontraria sinão agua dentro de sua zona de direitos, em- quanto que a Hespanha ficaria com toda a America do Sul actual; o que acaba de nos convencer, de que o rei de Portugal não discutia uma hypóthese, e sim a posse de uma re- gião, o mais dilatada possivel, numa terra cujas latitudes e longitudes já lhe eram em parte conhecidas. Com os resul- tados da Convenção, ainda assim cahira D. João numa des- proporção geográphica quanto ás futuras terras do Brasil, desproporção essa desfeita somente duzentos annos depois, primeiro arbitrariamente — pela conquista e penetração bandeirante, e depois, legalmente — por effeito do Tratado efe 1750.
Realmente, esse é um fato histórico abundantemente documentado: todo o período Brasil Colônia foi marcado pela profunda rivalidade entre portugueses e espanhóis, resultante ainda daquele Tratado de Tordesilhas de 1494, quando, no dizer jocoso de alguns contemporâneos, as duas potências marítimas, Portugal e Espanha, sob a supervisão pontifícia, dividiram entre si “o legado do testamento de Eva”, isto é, as terras recém-descobertas da América. Ambas as coroas se empenharam ao máximo em descobrir e conservar para si um ou mais caminhos secretos, entre mata e cordilheira, que iam por ali furando o continente virgem até chegar aos Andes, facilitando a busca de fabulosos tesouros de ouro e prata de que havia notícias.
No cotidiano, a igreja sempre teve um problema com a catequese dos nativos, era a justificativa para a colonização. Quando o Papa Alexandre VI dividiu o mundo a ser descoberto, entre Portugal e Espanha, a justificativa era descobrir o "gentio", catequiza-los e expandir a cristandade. Não tratava-se apenas da expansão do capitalismo.
A descoberta do gentio foi a coisa mais notável na Europa da época. Na realidade do mundo, levado em conta, estava dividido em três: os cristãos, os infiéis (muçulmanos) e os judeus. De forma geral, aos infiéis, é a guerra, os judeus são aqueles que que não aceitaram o último de seus Messias, de seus profetas. Estes assumiam tarefas que eram proibidas aos cristãos,como cobras juros, o comércio do dinheiro. O que causava ainda mais preconceito.
Quando há a descoberta da América, foi uma loucura, pois os nativos não eram judeus, cristãos ou muçulmanos. E estavam nus, portanto só poderiam estar descobrindo o "gentio" no Paraíso, por isso andavam nus. Este é o tema de um dos mais belos livros de história do Brasil: “Visão do Paraíso - Os motivos edênicos no descobrimento e colonização do Brasil”. Sérgio Buarque de Holanda. Enquanto todos procuravam os motivos econômicos...
Isso pode ser visto na carta de Pero Vaz de Caminha. São doze páginas, fantásticas, nas quais ele volta sete vezes a palavra nudez: "Estavam nus! Não cobriam as suas vergonhas!"
Cuiabá, hoje capital do Mato Grosso, no extremo oeste, surgiu na mesma época, também motivada pela descoberta de ouro. Além da garimpagem, havia outro motivo para o adentramento, que era a determinação da Coroa para que as fronteiras portuguesas fossem levadas sempre mais a oeste da linha definida pelo Tratado de Tordesilhas, de 1494.
O Meridiano de Tordesilhas segundo diferentes geógrafos 25/08/2022, atualizado em 18/02/2026 00:41:32 Créditos/fonte: Revista IstoÉ, Editora Três (2000)
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O Meridiano de Tordesilhas segundo diferentes geógrafos 25/08/2022, atualizado em 18/02/2026 00:41:32 Créditos/fonte:
Tordesilhas 07/06/1494, atualizado em 18/02/2026 02:16:50 Créditos/fonte:
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Isabem 01/01/1494, atualizado em 18/02/2026 02:16:43 Créditos/fonte:
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Rodrigo de Borja , Papa Alexandre VI* 01/01/1493, atualizado em 18/02/2026 01:35:00 Créditos/fonte: Wikicommons / Domínio público