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   29 de maio de 1919, quinta-feira
A história do eclipse de Sobral (CE) que comprovou a Teoria da Relatividade
      Atualizado em 13/02/2025 06:42:31

  
  


No dia 29 de maio de 1919, o céu amanheceu nublado sobre a cidade cearense de Sobral, distante 240 quilômetros da capital Fortaleza.

Tivesse o Sol permanecido encoberto, todo o esforço da comitiva de astrônomos teria sido em vão. Perderiam o eclipse total e a chance de provar, pela primeira vez, se as ideias revolucionárias de Albert Einstein eram corretas.

Mas, pouco antes das 9 da manhã, uma oportuna brecha entre as nuvens revelou a todos o glorioso momento em que o disco solar foi obscurecido pela Lua.

Muita gente acompanhava o fascinante fenômeno em uma das praças centrais da cidade, bem em frente ao Jockey Clube e à Paróquia do Patrocínio. As reações foram as mais diversas.

Sobralenses amedrontados buscaram refúgio na igrejinha, temendo o Juízo Final; os galos ao redor, confusos, cantaram pensando que já era noite.

Enquanto isso, os cientistas davam duro para extrair o máximo de resultados dos instrumentos de alta precisão cuidadosamente montados em um misto de observatório e laboratório improvisado no coração de Sobral.

Os brasileiros focavam-se no estudo da coroa solar; os britânicos tiravam fotos. Muitas fotos.

Cinco minutos e treze segundos mais tarde, o Sol voltou a brilhar no Ceará. Aquele eclipse solar total não tinha nada de tão especial, mas acabou eternizado nos anais da história da ciência como um dos mais importantes de todos os tempos.

Foi uma espécie de rito de passagem. Marcou o ocaso do mecanicismo clássico de Isaac Newton como melhor explicação do Universo e a aurora das arrojadas ideias relativísticas de Albert Einstein.

O século 20 nunca mais foi o mesmo. "Foi um momento de mudança revolucionária, dizer que esse modelo de universo newtoniano incrivelmente importante não era, na realidade, o correto", diz à GALILEU o britânico Richard Dunn, pesquisador da Universidade de Leicester e curador das exposições de história da ciência do Observatório de Greenwich.

"E essa expedição foi vista como um teste crucial." Meio sem querer, a pequena Sobral ganhou fama internacional por ter sido o palco da comprovação da teoria da relatividade geral.

A EXPEDIÇÃO

Dunn veio ao Brasil para proferir uma palestra sobre o Eclipse de Sobral no último dia 19 de outubro. O evento, realizado no Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), no Rio de Janeiro, marcou a abertura das comemorações do centenário do histórico fenômeno astronômico, que ocorre em maio do ano que vem.

Talvez não por acaso, 2019 foi proclamado como o Ano Brasil-Reino Unido de Ciência e Inovação pelo governo dos dois países — o evento no MAST faz parte do calendário de atividades.

"Podemos fazer boas parcerias nesse sentido, nós com nossa criatividade, e a Inglaterra com a sua tradição em pesquisa", diz a física Anelise Pacheco, diretora do MAST. "Sem cooperação, inexiste ciência." A afirmação é tão verdadeira hoje quanto era em 1919.

Na época, foi necessária uma intensa colaboração entre cientistas ingleses e brasileiros para garantir que a expedição tivesse êxito.

O arquiteto por trás da empreitada foi o célebre astrônomo inglês Arthur Eddington, da Royal Astronomical Society.

Com auxílio de Henrique Morize, então diretor do Observatório Nacional (ON), Sobral foi escolhida por apresentar a melhor visibilidade do eclipse.

Morize garantiu grande suporte logístico e até supervisionou a montagem de uma estação meteorológica no local, para monitorar a atmosfera durante o fenômeno e evitar que as condições climáticas estragassem os resultados.

Uma outra comitiva britânica foi enviada à costa africana para documentar o evento a partir da Ilha do Príncipe, local também com observação privilegiada do evento.

Os ingleses Andrew Crommelin e Charles Davidson vieram à Sobral, e os colegas Arthur Eddington e Frank Dyson foram à Roça Sundy, em Príncipe, onde o tempo não colaborou."Pense nas dificuldades práticas de se transportar instrumentos sofisiticados até territórios tão pouco familiares, e fazer com que trabalhem nos níveis mais altos de precisão", observa Dunn.

Este foi o principal tema que abordou na conferência. Ambas as expedições partiram da Inglaterra no dia 8 de março de 1919 — Crommelin e Davidson chegaram em Sobral cerca de um mês antes do eclipse.

Ficaram hospedados na casa de um deputado. Com eles estavam as placas fotográficas que testariam a teoria de Einstein.

O TESTE

Um século depois, pouquíssimos duvidam da relatividade geral. Mas, naquela época, o modelo einsteiniano do Universo ainda dava seus primeiro passos, encarado com bastante descrença pela comunidade científica por ainda não ter sido verificado.

Publicada em 1916, a teoria havia levado oito anos para ficar pronta: foi o tempo que Einstein levou para generalizar os postulados da relatividade especial, de 1905, e incluir a gravidade na jogada.

De acordo com a teoria, o espaço e o tempo formam um único tecido, um contínuo maleável que é distorcido por corpos de muita massa como um buraco negro, um aglomerado de galáxias ou o Sol.

Nem mesmo a luz escapa dessa distorção: quando os fótons atravessam regiões distorcidas do Universo, suas trajetórias também sofrem um desvio.

Os eclipses solares totais forneciam as condições perfeitas para testar se essa previsão de Einstein fazia, ou não, algum sentido. Com a Lua bloqueando temporariamente o brilho ofuscante do Sol, tornava-se possível enxergar (e fotografar) as estrelas posicionadas bem próximas a ele no céu.

Por estarem praticamente encobertas pelo Sol quando vistas da Terra, isso significava que os raios dessas estrelas distantes necessariamente atravessaram o espaço-tempo distorcido pelo campo gravitacional solar. Esse desvio podia ser verificado.

O segredo era fotografar essas estrelas durante o eclipse e, um tempo depois, fotografá-las novamente quando estivessem na mesma região do céu, só que sem a interferência do Sol.

Foi justamente o que a delegação britânica fez em Sobral. "Eles estavam procurando por variações comparáveis aos mais finos fios de cabelos humanos", explica Dunn.

Precisavam de estabilidade e rigor extremos nos instrumentos para produzir resultados confiáveis.

O segundo conjunto de fotos foi tirado em julho do mesmo ano, para serem comparadas aos registros de maio.

Segundo a teoria de Einstein, a comparação deveria revelar uma diferença de 1,75 segundo de arco, enquanto a de Newton previa um número bem menor, de 0,86.

Um segundo de arco equivale ao tamanho de uma estrela a olho nu. "Passaram os meses seguintes analisando aquelas placas e conseguiram centenas de páginas de cálculos baseados nas fotos", diz Dunn.

Então, em novembro, os olhos do mundo se voltaram para Londres, onde os cientistas anunciaram que Einstein estava certo.

O PRELÚDIO

Nos anos que antecederam Sobral, pesquisadores de vários países organizaram expedições para tentar acompanhar eclipses totais do Sol em cantos distintos do mundo. Todas fracassaram. Uma delas, inclusive, foi no Brasil, na cidade mineira de Passa Quatro (MG), em 1912.

Além da expedição brasileira, Inglaterra, França, Argentina e Chile também enviaram representantes para acompanhar o fenômeno, que contou com a presença ilustre do então presidente da república Hermes da Fonseca. Mas a chuva estragou tudo.

A astrofísica Patrícia Spinelli, do MAST, pensa que as coisas acabaram acontecendo no momento certo. "Fico imaginando, se Passa Quatro tivesse sido o eclipse da comprovação, não teria dado a fama e repercussão que Sobral deu a Einstein", observa.

Um bom pedaço da relatividade geral ainda estava confinada na mente brilhante do físico teórico alemão. "Quando os céus se abriram em 1919, a teoria já estava completa e pôde ser comprovada."

O principal entrave para as comitivas anteriores não era o mau tempo, mas sim a guerra. Desde 1914, a Primeira Guerra Mundial impedia o ir e vir dos cientistas.

As coisas só melhoraram após o armistício de novembro de 1918, que pôs fim às batalhas, mas foi só em junho do ano seguinte que o conflito acabou oficialmente, com o Tratado de Versalhes. Durante o eclipse de Sobral, o mundo ainda estava tecnicamente em guerra.

Muitos na Inglaterra olhavam torto para a ideia de patrocinar expedições a cantos remotos do planeta com o objetivo de comprovar as ideias de um astrônomo alemão.

Não Eddington. "Ele acreditava no internacionalismo e no pacifismo, e encarou isso como uma oportunidade de remendar um mundo fraturado através da ciência", explica Dunn. São ideais que, assim como a relatividade geral, nunca envelhecem.



Expedição confirmaria Teoria da Relatividade
Data: 29/05/1919
Créditos/Fonte: Jornal A Orden
29/05/1919


ID: 2822


O que é História?
Abraham Lincoln (1809-1865) dizia que "se não for verdade, não é História. Porém, é possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade.

Existiu um homem que pegou uma nação destruída, recuperou sua economia e devolveu o orgulho ao seu povo. Em seus quatro primeiros anos de governo, o número de desempregados caiu de 6 milhões para 900 mil pessoas. Este homem fez o produto interno bruto crescer 102% e a renda per capita dobrar, aumentou os lucros das empresas de 175 milhões para 5 bilhões de Marcos e reduziu uma hiperinflação, a no máximo 25% ao ano. Este homem adorava música e pintura e quando jovem imaginava a seguir a carreira artística. [28174] Você votaria neste homem Adolf Hitler (1889-1945)?



Quantos ou quais eventos são necessários para uma História?
Segundo Aluf Alba, arquivista do Arquivo Naciona: o documento, ele começa a ser memória já no seu nascimento, e os documentos que chegam no Arquivo Nacional fazem parte de um processo, político e técnico de escolhas. O que vai virar arquivo histórico, na verdade é um processo político de escolhas, daquilo que vai constituir um acervo que vai ser perene e que vai representar, de alguma forma a História daquela empresa, daquele grupo social e também do Brasil, como é o caso do Arquivo Nacional.

É sempre um processo político de escolha, por isso que é tão importante termos servidores públicos posicionados, de pessoas preparadas para estarem atuando nesse aspecto.


Mary Del Priori, historiadora:

Nós temos leis aqui no Brasil, que são inclusive eu diria bastante rigorosas. Elas não são cumpridas, mas nós temos leis para arquivos municipais, estaduais e arquivos federais, que deveriam ser cobradas pela própria população, para manutenção desses acervos, acervos que estão desaparecendo, como vimos recentemente com o Museu Nacional e agora com a Cinemateca de São Paulo. E no caso dos arquivos municipais, esses são os mais fragilizados, porque eles tem a memória das pequenas cidades e dos seus prefeitos, que muitas vezes fazem queimar ou fazem simplesmente desaparecer a documentação que não os interessa para a sua posteridade. Então esse, eu diria que essa vigilância sobre o nosso passado, sobre o valor dos nossos arquivos, ainda está faltando na nossa população.

Lia Calabre, historiadora:

A memória de Josef Stálin inclusive, ela serve para que não se repitam os mesmos erros, ela serve para que se aprenda e se caminhe. Os processos constantes de apagamento. Existe um depósito obrigatório de documentação que não é feita, na verdade se a gente pensar, desde que a capital foi para Brasília, os documentos não vieram mais para o Arquivo Nacional. [4080]

Quantos registros? Fernando Henrique Cardoso recupera a memória das mais influentes personalidades da história do país.

Uma das principais obras do barão chama-se "Efemérides Brasileiras". Foi publicada parcialmente em 1891 e mostra o serviço de um artesão. Ele colecionou os acontecimentos de cada dia da nossa história e enquanto viveu atualizou o manuscrito. Vejamos o que aconteceu no dia 8 de julho. Diz ele:

- Em 1691 o padre Samuel Fritz, missionário da província castelhana dos Omáguas, regressa a sua missão, depois de uma detenção de 22 meses na cidade de Belém do Pará (ver 11 de setembro de 1689).

- Em 1706 o rei de Portugal mandou fechar uma tipografia que funcionava no Recife.

- Em 1785 nasceu o pai do Duque de Caxias.

- Em 1827 um tenente repeliu um ataque argentino na Ilha de São Sebastião.

- Em 1869 o general Portinho obriga os paraguaios a abandonar o Piraporaru e atravessa esse rio.

- Em 1875 falece no Rio Grande do Sul o doutor Manuel Pereira da Silva Ubatuba, a quem se deve a preparação do extractum carnis, que se tornou um dos primeiros artigos de exportação daquela parte do Brasil.

Ainda bem que o barão estava morto em 2014 julho que a Alemanha fez seus 7 a 1 contra o Brasil.

(...) Quem já foi ministro das relações exteriores como eu trabalha numa mesa sobre a qual a um pequeno busto do barão. É como se ele continuasse lá vigiando seus sucessores.

Ele enfrentou as questões de fronteiras com habilidade de um advogado e a erudição de um historiador. Ele ganhava nas arbitragens porque de longe o Brasil levava a melhor documentação. Durante o litígio com a Argentina fez com que se localiza-se o mapa de 1749, que mostrava que a documentação adversária estava simplesmente errada.

Esse caso foi arbitrado pelo presidente Cleveland dos Estados Unidos e Rio Branco preparou a defesa do Brasil morando em uma pensão em Nova York. Conforme registrou passou quatro anos sem qualquer ida ao teatro ou a divertimento.

Vitorioso nas questões de fronteiras tornou-se um herói nacional. Poderia desembarcar entre um Rio, coisa que Nabuco provavelmente faria. O barão ouviu a sentença da arbitragem em Washington e quieto tomou o navio de volta para Liverpool. Preferia viver com seus livros e achava-se um desajeitado para a função de ministro.


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